Jedi usa relógio?

Na retomada da saga criada por George Lucas, JJ Abrams tuitou recentemente a seguinte imagem:

 

Jedi usa relógio?

Jedi usa relógio?

“Por que de repente eu tenho essa necessidade desesperada de possuir um relógio?”

O que gerou um levante de discussões e comentários atravessados pela comunidade nerd. Pois o produtor não detalhou nada mais sobre.
Seria um mega-spoiler? Um desabafo? Uma crítica ao consumismo moderno e as imposições de “Impérios”?
Ou seria apenas uma posição que ele pretendeu assumir indicando de  que respeitará o legado e a estética clássica da primeira trilogia?
Afinal, na imagem podemos ver reflexos que lembram as iluminações internas das naves, principalmente de paredões da Estrela da Morte.
A ideia de vincular o nome da Apple pode enfatizar isso, afinal, a gigante da Inovação tem como espírito a meticulosidade do Design Perfeito.
Porém, desde “Uma Nova Esperança”, os Cavaleiros Jedi’s não utilizavam relógios ou óculos inteligentes.
Salvo uma cena que me lembro, no Episódio I “A Ameaça Fantasma” em que utilizam algum aparelho ou bocal para respirar embaixo d’água quando aceitam um convite de Jar Jar Binks.
Além das habilidades possibilitadas pela Força, o Sabre de Luz seria a única ferramenta artificial a auxiliar nos combates.
De qualquer forma, o produtor deve estar sentindo o peso da responsabilidade, diante de tantos olhares exigentes e de mudanças nos hábitos que convergem e divergem com os lançamentos de grandes “inovações” (a venda de relógios não havia caído porque muitos preferiam ver as horas pelo celular?).

Mas take it easy Mr. Abrams, todo bom fã sabe que a epígrafe começa com “Há muito tempo atrás…”

 

Ma’a salama!

Piada Mortal

Não me esforcei em procurar a confiabilidade da fonte, confesso que vi uma dezena de chamadas semelhantes, quase copiadas e compartilhadas umas das outras, e a partir dessa análise prematura resolvi aceitar por livre e espontânea vontade de que realmente aconteceu.
A Warner soltou um memorando interno dizendo que era para evitar humor nas adaptações dos quadrinhos da DC, tendo em vista a próxima superprodução que é Batman versus Superman.
Sim, engraçado, é um dos assuntos de entretenimento que mais tem gerado comentários durante esses dias.
O que me chamou a atenção é o motivo, vindo de alguma estratégia corporativa e replicada de modo topdown.
Ao que parece, os últimos sucessos da Marvel, como Vingadores (Avengers) e Guardiões da Galáxia (Guardians Of The Galaxy) deram um choque por capricharem nos momentos de humor.
Na boa, entendo que eles desejam criar um diferencial, tentar investir em um roteiro mais realista e utilizarem de uma estética mais sombria.
Mas, pedir para evitar o humor?
Até mesmo aqueles que criaram certa devoção cega no Nolanismo (aqui corro o risco de ser apredejado em praça pública) podem selecionar pausas necessárias e que quebram o gelo, por assim dizer. Vide a trilogia do homem-morcego, com as piadas do tipo sorrisinhos, não exagerado ao naipe de Transformers, mas que combina com o manto sombrio. Aspecto esse, que tem sido a diretiva escolhida pelos produtores executivos, o que contestamos é: “Why so serious?”
Tudo bem, existe o humor negro e inteligente, também explorado em The Dark Knight por Nolan na cena em que o caminhão de bombeiros está em chamas no meio de uma avenida deserta da grande Gotham, mas, convenhamos, não seria aceitável descaracterizar o Coringa ao ponto de minimizá-lo somente à esse tipo  de humor, não quando a produção pretende atingir um público maior e possui a intenção de desbancar sua arquirival (a saber: Marvel), até porque, a sequência após o caminhão de bombeiros em chamas, numa cena de sequestro o Coringa se empolga com suas piadas (a lembrar: “Adoro o meu trabalho“)

Se para sobressair em relação ao concorrente a regra agora parece ser cortar um elemento em que ele se superou, então, a DC poderia cogitar no futuro que evitem heroísmo nas adaptações?

 

Piada Mortal

Piada Mortal

Stephen King e seu recente Desafio

Imagino que a recente experiência do escritor Stephen King deve ter sido fantástica.

stephen-king
Dispenso apresentações, acredito que pelo perfil de quem se arrisca a ler o que escrevo você  já tenha ouvido falar em King, caso não, google him.
Ele foi convidado a escrever o primeiro episódio da segunda temporada de Under the Dome, série em que a cidade Chester Mill do estado do Maine inexplicável e repentinamente acaba isolada do resto do mundo por um campo de força invisível. Aviões colidem e caem do céu em chamas, a mão de um jardineiro é cortada na “cúpula”, as pessoas são separadas de suas famílias e os carros explodem com o impacto.
Ninguém pode imaginar o que essa barreira é, de onde veio, e quando — ou se — ela irá embora.
O mais interessante nesse convite é que King é autor da obra que inspirou a série televisiva.
Mesmo que vários de seus livros possuem um tomo considerável, uma adaptação desse naipe requer inúmeras revisões e edições que por vezes envergam a história original, para espezinhar os fãs ou por mera necessidade comercial.
Imagino que mesmo pela bio do mestre do horror e drama essa experiência tenha criado certo desafio.
Ele já escreveu e adaptou roteiros para filmes, mas no que diz respeito a séries é a primeira vez que aceita a tarefa. O fato de não ser o piloto também é importante, há toda a questão do legado da temporada anterior, do que foi modificado, da equipe de roteiristas de apoio, do que a produção projetou para longo-prazo, do comportamento da audiência até então, do que os executivos atendem e acatam e toda a responsabilidade de se manter fiel a si mesmo nesse desdobramento.
Sei que quando assistir o primeiro episódio da segunda temporada vou reconhecer certas peculiaridades.
Não estou acompanhando Under the Dome, tão longe está na minha lista de desejos, porém, King dificilmente me desapontou, e pela sua capacidade expandida em várias vertentes como escritor posso afirmar que o “garoto” do Maine é uma das minhas influências não somente pelos advérbios e alterações dos batimentos cardíacos, e sim por atitudes como essa.
E tenho fé de que ele tenha cumprido esse desafio com mérito.

Última informação, mas não menos importante: O primeiro episódio da segunda temporada de Under the Dome vai ao ar no dia 30 de junho nos EUA.

Ma’a salama!

Dias Sensíveis

Entre centenas de existências que se expandem universo afora, além de outras que se encaixam entre os paralelos, uma em particular se desfigurava em sua rotina.
Os seres dominantes carregavam o duro fardo e vazio da existência.
Se cotavam muitas poesias terríveis, trágicas, belas e contraditórias acerca da fragilidade desses seres dominantes.
Em poucos milênios desenvolveram seus corpos moles, voláteis, que se expandiam a um nível tal qual podiam atravessar uns aos outros sem pudor. Um salto considerável na evolução e então acordaram mais rígidos, com corpos que atendiam às regras da gravidade, dos fatores climáticos, da durabilidade material.
Mas o padrão evolutivo não se tornou escalar. Estagnaram na forma rígida e no transcorrer de milhões de anos viram apenas as civilizações desabrocharem e fenecerem.
A fragilidade foi notada logo após a última fase evolutiva.
Uma morte súbita, sem aviso, colhia tais seres em um ritmo incalculável.
Um trabalhador retornando de um dia árduo, carregando sua valise com contas e apólices… cai sem vida no meio da calçada. De seu corpo rígido um orifício surge e uma fumaça fina escapa como uma alma livre de sua prisão material. Os demais transeuntes olham, se chocam por poucos segundos, até perceberem que é a morte mais comum do mundo. O corpo é retirado e levado para as devidas formalidades funerárias.
Tal morte nunca foi compreendida. Acontece a qualquer indivíduo.
Grande, pequeno, belo, feio, bom, mau, alegre, triste, prospero, miserável, jovem ou velho.
Uma dançarina num espetáculo, ploft. Cai sem vida.
Um bebê recém-nascido, trincando a casca materna, sffff, a fumaça é cuspida quase sem folego.
Um atleta num campeonato mundial, a bater o recorde, brump. A violência da queda na pista não foi a determinante, os espectadores já imaginavam o que o fez perder.
Tais seres não eram imortais, morriam em choques de aeromóveis, em tragédias geológicas, de velhice, de pestes variadas.
Mas a morte súbita não era compreendida, estudos tentavam apontar algum padrão, encontrar algum ativador, algum motivo que pudesse ser contornado.
Nada, milênios e milênios transcorreram e nem mesmo um panorama estatístico pôde ser apontado.
Dormindo no quarto confortável, o marido nem se contorce, a fumaça é expelida umedecendo parcialmente a fronha.
O médico a consultar a criança com os membros raspados por alguma alergia, um gemido fraco, que se perde em meio à queda lenta.
A caixa do banco não completa a digitação do protocolo.
Leves suspiros das testemunhas, mas a vida continua.
Próximo a uma praia, um casal de jovens sentados num banco observavam o desfile de seres aquáticos que insistiam em quebrar a monotonia do mar cinéreo.
“E se fossemos dez vezes mais resistentes?”, indagou a menina com a cabeça sobre o colo do namorado.
“Acha que surtiria alguma diferença em nossa consciência?”, indagou o namorado.
“Cem vezes?”
“Não creio”
“Então mil”
“Duvido muito”
“Fala como se nunca se importasse, não sentisse a nossa vida frágil”
“Não hoje. Talvez eu não esteja no meu dia”
“Mas mesmo quando forço a questão tem uma resposta rápida, indiferente, fria”
“Levo em consideração a questão da relatividade, simples assim”
“Não importa a nossa resistência, sempre estaríamos sujeitos à uma fragilidade?”
“Acho que para ter noção dessa resistência, força ou seja lá o que você chamaria, teríamos que ter em paralelo a consciência da perda. Não é essa sensação que torna tudo mais empolgante de ser vivido?”
“Sim, mas seria bom se tivéssemos ao menos um certo controle”
“Nascemos sem pedir e morremos sem querer, é verdade. Mas esse meio já é o suficiente para nos esgotarmos de momentos”
Entre afagos e carícias, entraram em consenso, assim como milhões de seus semelhantes, que todos os dias adotavam a conclusão mais digna. E criavam poesias, romances, tragédias, comédias, reflexões, citações…
Não antes, é claro, de se sensibilizarem com o fato.

Pequenino

Para todo bom fã que curte a mistureba de ficção científica+fantasia+suspense-horror, filmes como Alien (#Rip H.R. Giger) e Godzilla não fogem do catálogo de prediletos.
E para a alegria desse pessoal, está a lançar amanhã (15 de maio) o remake desse ícone da cultura pop.

Abaixo, o trailer influenciável, que além da trilha com efeitos sonoros industriais que virou padrão nesses tipos de filmes, tem um diferencial que me lembrou György Ligeti, presença marcante no clássico 2001 Uma Odisseia no Espaço (2001 A Space Odissey)

Gareth Edwards, o diretor britânico da nova versão, em recente entrevista disse que o original (japonês, lançado em 1954) serviu como inspiração, não como modelo.
Sobre a clássica pergunta: “O Godzilla é bom ou mau?”, respondeu que “Godzilla é natureza”, e como exemplo, “não se questiona se um ciclone é bom ou mau, tem-se apenas a preocupação do que está em seu caminho”

Se no ano passado tivemos uma série de Kaijus em Círculo de Fogo (Pacific Rim) destruindo tudo pela frente seguindo a trama de “ameaça vinda de um universo paralelo”, a nova versão do Kaiju mais popular do mundo tem um foco que ainda celebra uma crítica ante os avanços nucleares.
Talvez, nessa versão, tudo o que foi censurado no original de 54 pelas feridas do pós-guerra que o Japão sofreu, e ainda mais tudo o que a versão de 1998 do diretor Roland Emmerich que jogou a culpa nos franceses por testes na Polinésia Francesa, será abordada de forma mais afinada, tanto que o suspense da fuga se dá pelo fator de atração dos pequeninos pela radiação, o que põe em cheque o grande trunfo dos avanços militares.
“Se perseguem por desejo o que seria o maior poderio de destruição em massa alcançado pelos seres humanos, qual seria a salvação?”
Nem preciso discorrer sobre essa humilde indagação, né?

Matthew Broderick até pode ser simpático, mas um filme desse quilate não era para um cara que queria curtir a vida adoidado. A escolha de Bryan Cranston, que foi fodástico como Walter White em Breaking Bad foi um dos pontos altos. Rola o boato que o ator havia recusado o papel a priori, mas depois aceitou protagonizar a superprodução após ler o roteiro e assistir ao filme anterior do jovem diretor: Monsters, de 2010.

SPOILERZÕES

Dizem as más línguas que o tamanho não só supera a versão de 1998, como também terá vantagem sobre o monstrinho de Cloverfield de 2008 (este por sua vez forçou o bombardeio total de Nova York).
Também rola a expectativa de um ou mais companheiros Big-Size, talvez disputando o banquete entre si.

Se sobrevivermos à passagem desse pequeno titã, nos vemos por aqui.

Ma’a salama!

O Maior Escritor de Livros do Mundo

Como não consegui cumprir nesse primeiro trimestre a meta de ser mais prolífico do que o ano anterior, resolvi caçar algum documentário ou entrevista ou epígrafes ou grito de guerra de grandes mestres do sucesso comercial literário.

Encontrei o vídeo abaixo, que nada mais é do que uma entrevista com Ryoki Inoue, o escritor brasileiro que detém o recorde do autor com o maior número de publicações (+- 1100 o_O), comprovado não somente pelo Guinness Book, mas também por um jornalista do The New York Times que cético veio até o Brasil para comprovar com os próprios olhos, fato consumado em uma tarde e que cujo resultado foi um romance de mais de duzentas páginas.

O áudio não é dos melhores, e o entrevistador é conhecido pelo engajamento nas campanhas de um reality show deveras popular, mas a entrevista é no mínimo interessante:

Ryoki Inoue pode não ser um dos mais vendidos no país, tão menos a ideia da quantidade possa ser ligada à qualidade, mas conforme testemunho do autor, ele vive de literatura. E se isso não é digno de respeito, no mínimo merece uma análise como forma de se motivar e criar um método mais produtivo na escrita caso algum escritor queira deixar a ideia de “hobby” e “plano B”.
Estaria mentindo se disser que a partir de agora vou sair escrevendo dois capítulos por dia. Mas pretendo deixar de servir à deusa da inspiração e matar essa coisa de poeta. Considero a ideia válida, meio que enquadra na frase de Ernest Hemingway: “Escreva bêbado, edite sóbrio.”
Será saudável revisitar umas pastas abandonadas, organizar rascunhos rápidos e descompromissados em blocos de anotações espalhados aqui e acolá.
E se Ryoki Inoue estivesse em seu antigo ritmo, ele teria finalizado dois capítulos após você ler este post.
Quem sabe um dia…
Por enquanto permaneço na promessa. E espero que vocês continuem no aguardo.

Ma’a salama!

O que Encontrou quem Procurava por Mohanad

Buscadores (ou sites de buscas, se preferirem) tornaram-se tão essenciais no cotidiano que uma piada acerca do tema garfa certa reflexão, como no caso de uma cena de The It Crowd, série britânica sobre o “Pessoal da TI”, em que o personagem digita na barra de pesquisa “O que vamos fazer hoje à noite” e depois é repreendido pelo amigo.
Ao invés de criar um artigo e me aproveitar de ramificações que a tal reflexão sobre a tecnologia contemporânea tem nos proporcionado, resolvo expor uma pequena seleção das expressões buscadas que levaram a criatura do outro lado a encontrar esse blog e se deparar com esse nome, que a propósito, não posso deixar de apontar que a maior ocorrência hoje de minha graça é sobre um personagem (Mohannad) interpretado por um ator na novela turca Noor, cuja popularidade entre adolescentes e mulheres de trinta anos solteiras ou não, rendeu a indexação atribuindo a fama ao lazarento. Dentro de minhas vaidades (todo escritor tem as suas, ora bolas) uma das metas é fazê-lo comer poeira. Sim, um tanto patético, mas sempre é satisfatório apontar a caçapa antes da bola ser engolida pela mesma, nem que seja por pura sorte.

Abaixo os Textos/Artigos visualizados, seguido pelos termos pesquisados e em seguida a conclusão que posso formalizar.

Arte sobre as Leis da Física
chorar sem gravidade
criticas sobre filme gravidade

Coquetel Demático
o que é demático

Engasgado com Farofa e Carne Seca
entalar com carne

Fome do Pai
O arpão do Poseidon
como provar que o trident do poseidon existe
Protheus cai do nada
netuno devora
hades mitologia grega
Cronos parricida
saturno mitologia
deus saturno
zeus devorando seus filhos
arpão de hades
como fazer o tridente de poseidon
como invocar cronos

Há mais biografia nas obras de ficção que
realidade nas biografias
biografia complexa

Home (página inicial)
a virtude do diabo está na astúcia latim

Homem de Aço. De aço?
planeta morto jerry siegel
superman chorando

Mariposa Morta
encontrar mariposa morta significado
sensibilização a morte da mariposa
tênis esmaga inseto
onde conseguir uma mariposa morta

Minha Biografia
escritor mohanad
os meus olhos sobre nos mohannad
o bonitao da novela turca

Monstro Invisível
vazio do existir
monstro que nao da pra ve

Próxima senha
que senha colocar

PS: Mil Lances de Fogo Parte 3
o livro mil lances de fogo é bom?

Simplesmente Complexo é Ficção!
o que é complexo e ficcção
Simplesmente Complex

Trecho – Simplesmente Complexo
dei um soco no caixa alatronico
uso simples de cocaina

Trecho – Simplesmente Complexo
gente petulante e chata para facebook

Trecho – Simplesmente Complexo
simplesmente viva la vida

Sendo o texto Fome do Pai o campeão de visualizações no último ano, a conclusão plausível seria que mitologia grega ainda é rentável, mesmo que haja alguns termos buscados acidentais e  hilariantes por demais, compreendo agora o sucesso do autor de Percy Jackson. Embora, duvide muito rascunhar algo nesse sentido ou até mesmo escrever uma série para o tipo de público que consumiu Harry Porter nos dias de hoje.
Espero ser mais prolífico nesse ano, diversificar um pouco mais, rir de vez em quando com os termos buscados e imaginar a reação de alguém se deparar com esse tal de Mohanad.

Ma’a salama!

Ano Muito Treze

Não sou dado a superstições, seja em qual nível, do plano maior estrategicamente elaborado por algum núcleo consciente ou detalhes cabalísticos. Então pouparei aquela retrospectiva que pesa com um olhar distante os maus bocados que esse ano bizarro proporcionou como se fosse dono de um senso de humor corrosivo.

Não foi dos piores se levar em consideração o progresso que tive na última década, e que justamente dez anos atrás vivi a minha era das trevas (e não falo isso somente pelos inúmeros cortes de luz).

Porém, esse ano ainda foi muito treze, amargo quando imaginava degustar mel, doce demais quando necessitava de uma reclusão.

Gostaria de pregar alguma mensagem, como se pudesse tirar alguma lição nisso tudo, mas não vejo uma lógica sensata na ordem das ações. Tudo parece uma névoa destoante de um caos inocente. E muita coisa pode acontecer de hoje até as 23:59:59 de amanhã, excetuando teorias da conspiração e cenários apocalípticos, mas ainda assim a mesa pode virar nesse espaço de tempo.

No mínimo resta aguardar com muita esperança o próximo ano.

Ma’a salama!

2013

2013

Arte sobre as Leis da Física

Dá pra imaginar que pelo título desse post há um daqueles caprichos de críticos que tentam mostrar os seus conhecimentos gerais sem medo de cometer gafes.
Não vou estender muito e não vou entrar no pavê da sensibilidade artística, apesar do título que usei.
Paguei um pau quando vi o trailer estendido, com pouco mais de cinco minutos de duração, de Gravidade, filme escrito e dirigido pelo mexicano Alfonso Cuarón, que já havia nos presenteado com o sensacional E a sua Mãe Também (Y tu mamá también).
SPOILERS em órbita:
O filme já inicia no nível estratosférico, em que três astronautas realizam a instalação de um novo mecanismo de pesquisa avançada no telescópio Hubble, que já bisbilhotou muita coisa universo afora.
George Clooney é o astronauta veterano que auxilia o trabalho dos outros dois, treinados especificamente para a instalação. Em pouco tempo, entre historinhas que George Clooney conta e reconta ao longo de sua vida espacial (Houston sempre diz: “Já nos contou essa…”) fica evidente que Sandra Bullock é a protagonista da aventura a se iniciar.
Sem muitos detalhes a informação repassada ao grupo é de que os russos lançaram um míssil contra… adivinhem…
Não, não é o início da 3ª guerra mundial. Os russos atiram contra um de seus próprios satélites, aparentemente obsoleto e inútil. Mas o resultado não saiu como esperado e os estilhaços remanescentes da explosão iniciam uma reação em cadeia, destruindo outros satélites da órbita.
Antes de retornarem à capsula da nave os destroços acaba por eliminar um do grupo e dispersar o veterano, deixando a Sandra Bullock no vácuo (ba-dá-tssss)
O interessante, e é aqui que entra a questão do título, é que o filme tem o realismo científico e ainda assim o suspense faz qualquer um que sofra de vertigens ou labirintite ficar zonzo, e não é somente o jogo de câmeras, os rodopios e os POV’s sob o capacete esférico que enfatiza o drama da personagem, mas sim a boa e velha trilha sonora.
Essa sim, é a salvadora do filme. Compensa toda aquela frase “mas o som não se propaga no espaço” que se propagou em milhares de críticas quando Guerra nas Estrelas (Star Wars, toda a hexalogia) foi lançada.
Curiosamente, antes de ir ao cinema, um canal da tv paga estava exibindo Armagedom. Filme que teve cinco roteiristas, trilha sonora impactante e apelativa, takes ligeiros, piadas-vende-pipoca e a hegemonia da Nasa e núcleos tecnológicos americanos lustrados para receber visitas, ah…, e Steve Tyler cantando de fundo enquanto a sua filhinha elfa fica de namorico com o novo Batman.
Gravidade tem um enredo simples, poucos atores, muitos efeitos visuais caprichados e a atenção dos espectadores torcendo pela personagem que já está rendendo idolatrias tendendo ao reconhecimento da atriz.
Apesar do título bonito que usei vale lembrar que a arte, quando está sobre as leis da física, mesmo no caso desse filme que realizou a proeza do drible, ela ainda está a ser imperfeita como se comprova na cena em que a desesperada Sandra chora e as suas lágrimas pairam no ar naqueles momentos “Pega!” do mundo 3D.
Vale lembrar que recentemente, o canadense Chris Hadfield demonstrou ao mundo como seria chorar no espaço:


Pois é, as gotículas reluzentes são bonitas, mas para pessoas como eu, que vivem no mundo da Lua, tal erro subtrai um pouco do sentimento a ser passado.

Mas antes de os mais sensíveis pensarem em jogar tomates parisienses nesse árabe insensível, me apresso a dizer que a cena que mais gostei foi a que simulou um feto na segurança do útero materno, quando a querida Sandra acaba por despir o macacão espacial (infelizmente só o macacão) e relaxa por alguns segundos ao adentrar a Estação Espacial Internacional . A cena dispensa detalhes técnicos sobre as leis da física e denota a questão do quanto vale lutar pela vida.

O Caracol mais Rápido do Mundo

Por causalidade ou desconhecida intenção, o caracol B-12 alcançou a extremidade marcada por uma faixa vermelha denominada como ponto B sendo o mais rápido dentre os seus antecessores.
Como se ausente de atividade alternativa, sem o mínimo resquício de confrontar as suas vontades, ficou parado sobre a haste de ferro polido, cuja forma cilíndrica distorcia seu reflexo de modo cômico.
Retirado dali, fora colocado na caixa de vidro junto com seus parceiros de vivência em cativeiro.
“E ae chapas, de volta na área”, disse em seu tom juvenil.
“Olhe só, ele já voltou”, disse B-07.
“Então é ele”, ponderou quase que para si mesmo B-04.
“Verdade, considerando a meticulosidade dos de Branco, é ele”, concordou B-03.
“O que sou? Que meticulosidade dos de Branco? Do que estão a falar seus cabeça de molusco”
“Você não presta atenção nas coisas, B-12?  Não ouviu a conversa de ontem?”
B-12 desconsiderou o fato de que um caracol não possuía a audição como sentido básico, mas preferiu não entrar no mérito da discussão, até porque havia inexplicáveis razões que permitiam a comunicação necessária entre os de sua espécie, e palavras como “ouvir” era uma liberdade de expressão aceita por aqueles que viviam naquele laboratório.
“A meticulosidade dos de Branco é peça fundamental de nossas especulações. Os de Branco não tardariam em retirá-lo da Caixa Olímpica e depositá-lo aqui novamente. O que nos leva a concluir que você é de fato o mais rápido de todos”
“Mais rápido? Mais rápido de todos? Mais rápido em relação ao quê afinal?”
“Em deslocamento, ora, ele nem sabia qual era a competição”, queixou-se B-05.
“Competição? Era uma competição?”
“Santa lerdeza B-12! Acorde! Você não desconfiou da sua existência aqui nesse laboratório?”, indagou nervoso B-01, o mais velho do grupo.
“Sim, mas o que as questões filosóficas têm a ver com a competição de velocidade?”
“Com essa mente em marcha lenta e ele é o mais rápido de todos, como pode isso?”, B-09 trazia em sua voz um misto de uma risada abafada e fracasso emocional. “Você também não questionou os métodos utilizados? Não estranhou que fugiam ao padrão?”
“Um pouco, mas não me incomodei com isso, sabe, sempre soube que nosso propósito era sermos analisados em experimentos variados, mas prefiro pelas mãos dos de Branco, em suas meticulosidades, como vocês chamam, do que ser experimento de um garotinho rechonchudo a brincar no jardim da casa da avó enquanto joga sal sobre nosso frágil corpo. Até a palavra sal aqui é menos chocante, nem parece que Cloreto de Sódio pode nos matar”
“E ainda sou obrigado a ouvir isso, B-12, você não merecia isso”, B-09 afundou para dentro de sua concha.
“Hum, estou vendo aqui”, disse B-01 retesando suas antenas maiores ao ponto de deixar seus olhos grudados no vidro da caixa. “Vejo no tablet do pupilo de Branco, há uma tabela com os dados. O título é: O caracol mais rápido do mundo. Você B-12 é 16.2 segundos mais rápido do que B-23, portanto, um vencedor de impressionante marca ”
Por mais que tenha se esforçado a ocultar a satisfação própria, B-12 notou que seus companheiros já aguardavam certa animosidade de sua parte. Sendo assim, decidiu não encenar uma falsa modéstia e disparou, em sua velocidade observada como a mais rápida do mundo dentre os da sua espécie até o vidro da caixa. B-01 afastou-se e ficou a observar B-12 quase se esborrachar na superfície de aspecto quase onírico, de material invisível quando visto distante, mas que refratava todas as luzes quando se colava os olhos nela.
“Ei!”, gritou B-12.
Os de Branco estavam a brindar o resultado, ou pelo menos, era o que os caracóis julgavam estar fazendo. Com a preocupação e zelo por não sujarem seus jalecos impecavelmente brancos de mostarda escura quase não notaram o vencedor avulso ao grupo e grudado no vidro do cubículo de descanso.
Quando o notaram aproximaram-se para observá-lo.
“Ei! Vocês… de Branco”, B-12 gritava, desesperado em ser notado. “Olha, aqui…, err, eu não sabia que era uma competição, no duro. Sério mesmo, não fazia a mínima ideia”, decidiu evitar o preambular comum que deveria ser um agradecimento ou início de discurso da vitória. Tomado por uma sensação nunca antes experimentada, sua voz escapava pelo orifício bocal ao lado do genital quase que por impulso próprio, exalando uma ansiedade que transparecia seu orgulho, prepotência e arrogância.
“Não sabia que estava competindo com os outros, sério mesmo”, continuou, agora fitando os olhos dos cientistas que observavam enquanto mordiscavam seus sanduíches de atum. “Se eu soubesse, rá, meus chapas, eu teria sido mais rápido, talvez 0.7 segundos ou quem sabe até 0.9. Sério mesmo, sou mais rápido do que isso, vocês não têm ideia. Aquilo foi moleza para mim. Eu sou muito mais do que testemunharam, o meu potencial está além de todas as regras da natureza, esses meus comparsas podem não acreditar, mas acho que vocês compreendem, não é?”
B-12 continuou a discorrer sobre a sua habilidade sem se preocupar com o tom grotesco que suas palavras poderiam adquirir, afinal, ele podia se engrandecer, não? Ele podia reconhecer que era o melhor, não?
O que ele via era o semblante curioso dos cientistas a observá-lo tornou-se uma imagem congelada no tempo, não cessou suas palavras entremeando-se de sinônimos e inflando seu ego com metáforas e eufemismos.
Mas, os cientistas não se importavam com o potencial máximo não alcançado do caracol, muito menos do que ele estava a gritar naquele momento.
O que complicava era que a B-12 não importava se eles estavam de fato interessados no que dizia, pois já havia pré-concebido essa ideia.
O que sobrava em uma análise mais externa era a conclusão de como a natureza era generosa. Pois, o caracol tinha a liberdade de expressão, mas a quem importava o que dizia? Os cientistas não se importavam com a sua necessidade de de se expressar, tão menos seus companheiros de cativeiro. Porém, a generosidade da natureza não era de impedir a comunicação entre as duas raças num manto de sufocamento da liberdade de expressão, mas sim, e também, na do direito do caracol poder se vangloriar em seu pedestal da vitória por um título merecido e não sair vaiado por um público exigente ou se tornar um novo motivo de chacota.

Caracol mais Rápido do Mundo

Caracol mais Rápido do Mundo