Muitos artistas, escritores, músicos, pintores e afins, que produzem sua arte, mas encontram dificuldades em serem reconhecidos por seu trabalho em algum momento já devem ter ouvido a tal frase com cunho motivacional: “O mundo da arte não é fácil. Até Van Gogh sofreu com isso, pois ele só conseguiu vender um quadro em toda a vida”
Nunca averiguei se tal fato procede, muitos dizem que é lenda.
O que dá pra tirar disso é que ele se imortalizou após a morte (suicídio?), porém, sua obra não era medíocre, então se és um artista procure sempre criar algo com a alma e qualidade que seja capaz de lutar pelo reconhecimento através do tempo, mesmo após a sua partida.
Melosidades a parte, esse post surge para mostrar que uma animação inovadora vem para nos contar mais sobre a vida desse gênio que pintou belas obras como a que me encanta os olhos: “Noite Estrelada”.
O longa metragem Loving Vincent produzido pelos estúdios BreakThru Films e pela Trademark Films nada mais é do que uma composição de frames pintados a óleo.
São 62.450 pinturas trabalhadas por 115 pintores em 6 anos de produção. Para se ter uma ideia, se postas no chão as pinturas cobririam a área de toda Londres mais a ilha de Manhattan o_O
As famosas curvas espiraladas são fiéis ao estilo e traços do pintor do movimento pós-impressionista.
Considero a animação inovador pelo árduo trabalho que assemelha ao também excelente Waking Life (2001), pois as cenas foram gravadas primeiramente com atores reais e depois os frames foram redesenhados como quadros a óleo. Para cada segundo do longa foram necessárias 12 pinturas.
Eis o trailer:
O filme está para previsto para estrear nesse ano, mas não há data definida para o Brasil.
Que ano, amigos.
Síria continua a sangrar entre seus estados, vilarejos e ruelas.
As massas novamente se comoveram com imagens que valem mais que mil palavras. A foto do menino de 5 anos resgatado de escombros em Aleppo sujo de pó e sem chorar, evocou a música da banda The Clash: “Should I stay or should go?”. Mas a bagunça de poder continua, mesmo com os avanços das forças iraquianas sobre Mosul, que conseguiram expulsar alguns FDP do ISIS.
A morte ceifou muito nesse ano, foi avião e barco que levaram times inteiros, foi gorila que teve o azar de uma criança cair em sua cela, foram artistas de todos os lados, de David Bowie à George Michael.
Mas a perda que abalou os meus alicerces foi o de um amigo querido, Leonardo Passos, em um triste acidente, no apogeu de sua jovialidade e conquistas.
RIP my friend, lembrarei eternamente das suas gargalhadas e da pessoa maravilhosa que você era.
Mas esse é um post sobre coisas boas. Por mais que o amargor esteja naqueles breves momentos que lembramos das coisas ruins, temos que levantar a cabeça e lembrar que houve momentos bons. Então, vamos aos melhores:
Diante de tantas mudanças políticas, do PPK no Peru, da tentativa de golpe na Turquia, de Trump nos EUA e o impeachment e as turbulências daqui, fico com as nossas desventuras. Não vou estender em nenhum debate aqui, quanto mais me aprofundo em política mais leigo me sinto, então me reservarei às melhores tiras que me arrancou sorrisos diante desse furacão:
Ministro
Confusismo
Consegui, após muitos anos ler o calhamaço que consagrou David Foster Wallace como um dos maiores escritores norte-americanos, o livro entrou para o grupo das grandes obras que fecharam o século XX. Estou falando de Graça Infinita.
Graça Infinita
Se mil páginas de estória não bastassem, eis mais duzentas de notas, e acredite, você não vai conseguir ignorá-las. Mesmo na linguagem pesada, cuja narração varia do narrador-autor ao narrador-personagem Hal Incadenza, irmão do meio de uma família disfuncional cujo pai, James Incandenza, cineasta alternativo, criou um filme disputado pelas forças armadas e grupos terroristas separatistas, que prende o espectador, literalmente, pois ninguém o deixa de ver, elas simplesmente morrem desidratadas e de fome todas sujas com as próprias fezes e urina.
Para fazer uma resenha digna o post se prolongaria demais, não é a intenção, se desejar mais detalhes google it, o mínimo que poderia dizer é que o livro trata muito sobre depressão, e fato curioso é que o autor se enforcou em 2008, doze anos após a publicação da obra…
O favorito dos nacionais foi Tempos de Fúria – Contos de Ficção Científica, de Carlos Orsi. Publicar ficção científica aqui é trabalho árduo, e prezo muito pelos que o fazem. Os acadêmicos consideram o gênero como nossa literatura marginal. Mas temos bons nomes produzindo romances e coletâneas de primeira, tanto que volta e meia escrevem para editoras de outros países.
Essa coletânea teve dois contos que gostei bastante:
–Estes Quinze Minutos, sobre o fato do mundo se dissolver e ser recriado a cada quinze minutos, mantendo o fluxo com alguns erros de continuidade aqui e acolá.
–Pressão Fatal, sobre um interrogatório na estação espacial Eros-III, em órbita de Vênus, planeta esse que parece ser o preferido do autor. O conto possivelmente mudará sua percepção sobre morte no vácuo do espaço.
Tivemos relíquias da ficção científica também no cinema.
Gostei tanto de Capitão América – Guerra Civil quanto Batman Vs Superman – A Origem da Justiça. Não vou estender que esses filmes rendem mais debates que política. Star Trek – Beyond teve mãos de Simom Pegg no roteiro, mas o filme não é uma comédia no seu estilo britânico, tem lá sim suas piadas, mas a trama ficou com os temperos que todo nerd adora, dá uma dó ver a USS Enterprise ser atacada e rola uma certa emoção pelas homenagens ao Spock da série original, Leonard Nimoy e o Pavel Chekov dos novos filmes, o russo Anton Yelchin, morto esse ano esmagado pelo próprio carro em sua garagem.
Também fomos agraciados com Rogue One – Uma história Star Wars, e meus amigos, que filme. Não tem Jedis, é mais sombrio, porém, além de um fanservice de primeira, a trama foi muito bem costurada para emendar com o início do primeiro filme que começou tudo.
A DC pecou com Esquadrão Suicida (Suicidal Squad) e a Marvel novamente ganhou vários pontos com o excelente Doutor Estranho (Doctor Stange).
Mas o top não foi um filme de ficção científica. Decisão de Risco (Eye in the Sky), filme sobre uma caça a terroristas no Quênia numa operação conjunta Inglaterra- EUA em que as prioridades mudam ao visualizarem que dois homens-bomba estão prestes a realizar ataques. E é um dos últimos filmes de Alan Rickman (o Snape de HP) que também faleceu esse ano, e tem Aaron Paul (o Jesse Pinkman de Breaking Bad) como manipulador do drone, e tem também uma menininha que brinca com bambolê e vende pães feitos por sua mãe e que gera um senhor-impasse em toda operação.
Menções honrosas: Triple Nine e Cães de Guerra (War Dogs)
O melhor documentário que assisti é sobre ela. Quem? Quem?
A nossa querida Internet. Eis os Delírios do Mundo Conectado (Lo and Behold, Reveries of the Connected World) é dirigido por Werner Herzog e mostra desde as primeiras mensagens trocadas em 1969 até como hoje essa tal de internet molda nossas vidas nesses avanços todos.
As melhores HQ’s que li são as nacionais: Matadouro de Unicórnios e A Lei de Murphy.
Matadouro de Unicórnios, de Juscelino Neco, que tem o desenrolar de um escritor que se torna serial killer. Gonçalo, o tal que esquartejou corpos, praticou canibalismo e até fez esculturas com os ossos é um dos personagens mais sem noção que vi em um gibi.
A Lei de Murphy, de Flavio Soares fala sobre um mundo em que há super-humanos, alienígenas e super-alienígenas tudo junto no mesmo século, e um advogado chamado Douglas Murphy que ganha a vida livrando a barra desses seres, pois os mesmos não pediram para ter esses superpoderes e uma ação porque um deles pode ou não ter usado a visão de raio-x para ver umas mulheres nuas necessita de uma defesa especializada.
Foi um ano de non-stop disco.
Metallica lançou Hardwired…To Self-Destruct, sendo as faixas Am I Savage, Dream no More e Murder One (homenagem ao Lemmy do Motörhead) as minhas prediletas. Nesse lançamento a banda lançou todas as músicas no Youtube, cada faixa com um clipe oficial. No Napster feelings…
Deftones lançou Gore, com as faixas Acid Hologram e Doomed User que te levam para uma viagem à outra dimensão.
Red Hot Chili Peppers lançou The Gateway, com faixas bem trabalhadas e mais maduras na carreira desses caras que se mantém e muito bem no mundo da música. Sick Love, Go Robot e Dark Necessities são faixas estupendas, mas foi The Hunter que conquistou o coração desse árabe que vos fala.
A grande queridinha das séries desse ano foi Westworld, produção de primeira da HBO, com um roteiro caprichado de Inteligência Artificial pelas mãos de Jonatan Nolan e sua mulher Lisa Joy. Com atuações marcantes de Anthony Hopkins e Thandie Newton. Tem também o Rodrigo Santoro, elevando novamente sua carreira lá fora.
A segunda temporada de Mr Robot teve a mesma pegada da primeira, pensei que o diretor e roteirista Sam Esmail iria se perder, para nossa sorte isso não aconteceu, Elliot continua pirado e vemos que a Evil Corp está no ritmo “Império Contra-Ataca”
Tivemos também a estreia de 3% na Netflix. Quem acompanhou o piloto em formato de webserie há cinco anos pode ver a estória se desenrolar em uma temporada com oito episódios.
Você conseguiria passar para o Lado de Lá???
A vida não é só entretimento caseiro.
Fui à Bienal do Livro dar uma bisóiada, rever alguns amigos do ramo e manter o networking, além de tentar entender a onda dos livros de youtubers, a única conclusão que chego é que o mercado não pode parar, por isso perdoamos esses apelos.
De graça até injeção na testa. É com esse pensamento que fui à Comic Con Experience quando um amigo me disse que tinha um ingresso na faixa e já me esperava nas catracas com o meu crachá.
Muita coisa bacana, uma porrada de estandes legais, uma das prediletas era da HBO com as impressoras construindo os robôs de Westworld em que banhava um dos replicantes naquele líquido leitoso.
E outra atração que brilhou os olhos da galera foram as armaduras de ouro dos Cavaleiros do Zodíaco em tamanho real.
Armaduras de Ouro
A Sony Pictures tinha um fundo verde para as pessoas tirarem uma foto a fim de replicar o cenário de uma nave com a gravidade artificial em pane, a ideia era promover o filme Passageiros (Passengers) com a linda Jennifer Lawrence e o Chris Pratt numa estória que seria Adão e Eva do espaço.
Eu e meus amigos fizemos caras e bocas. Vimos o resultado no monitor da fotógrafa, e a mulher do meu amigo colocou o e-mail dela para receber a foto com o fundo da campanha, mas até hoje a mesma não chegou…
Defeitos especiais
Talvez a vida seja isso. Fantasiamos com belas palavras e sentimentos em exagero tudo o que nos cerca.
Rolou no último domingo (04/12) a season finale de Westworld, a série sofisticada de ficção científica da HBO, com uma duração meia hora mais longa que os demais episódios, fechando o arco de revelações e entrando na história como um dos melhores finais de temporada.
É difícil ver uma produção desse naipe não vingar, principalmente por ser modelada aos bel-prazeres de JJ Abrams, Jonathan Nolan e Lisa Joy.
A série se passa em um futuro não datado, mas há um ponto de referência na própria estória de trinta anos do funcionamento de um parque temático tecnológico chamado Westworld, onde ricaços podem passar uma temporada e extravasar seus mais íntimos desejos e intenções selvagens, tais como sexo e matança num ambiente do velho oeste.
E toda maldade realizada nos cenários de westerns estariam livres de julgamentos morais, pois, os anfitriões do parque são apenas robôs dotados de corpos e comportamentos deveras convincentes.
Lembro do flashfoward do início do filme Substitutos (Surrogates, 2009), em que é exposta a evolução da robótica simulando o preambular de aceitação do argumento principal, em que num futuro próximo ou não será possível criarmos corpos artificiais semelhantes aos nossos.
No caso de Westworld temos rápidas amostras dessa tecnologia, como os esqueletos sendo moldados em impressoras 3D avançadas e banhando vez e outra em uma piscina com um líquido leitoso. A pele e a mortalidade em Westworld têm uma importância muito grande. Mas é explicada por um personagem que é um visitante de longa data a um anfitrião que sempre leva chumbo: “Lhe aprimoraram porque é mais barato. Sua humanidade é custo efetivo. Assim é o seu sofrimento”
O argumento da série é baseada no filme Westworld – Onde Ninguém Tem Alma, de 1973, escrito e dirigido por Michael Crichton, o mesmo autor de Parque dos Dinossauros. Talvez o sonho dele fosse trabalhar na Disney… :p
Enfim. Westworld foi a melhor estreia do ano até o momento. Mas não me rendo ao pensamento de que ela tende ser como é Game of Thrones, pois a trama tem diálogos e argumentos sofisticados em questões morais comuns nas fc’s que tratam de inteligência artificial, e talvez isso pode afastar as massas mais populares.
Trabalham com teorias já superadas pelos testes científicos que almejavam explicar nossa consciência, como Mente Bicameral. E funciona porque, seguindo as palavras de um personagem: “Não é válida para nós humanos, mas é plausível para as máquinas”
Toda beleza e sofisticação explicada e aceita a trama ganha tons mais fortes e parte para o conflito, que nada mais é a criação de consciência dos anfitriões além das narrativas desenvolvidas para entreter os diversos visitantes.
Acompanhamos personagens em suas vidas encarceradas em um loop cansativo, como no caso da linda Dolores (Evan Rachel Woods; sim, me apaixono rápido) e da sofrida Maeve (Thandie Newton) que se destaca de forma surpreendente com seu momento de despertar para uma realidade nada agradável.
Outros personagens dão tons diferentes na trama, como no caso de Ed Harris, o tal personagem que frequenta o parque desde sua fundação. E que é mencionado como o Homem de Preto, sendo uma clara referência ao personagem do ator Yul Brynner, no filme Sete Homens e um Destino (The Magnificent Seven, 1960).
Há também o fodástico Anthony Hopkins, que interpreta Ford, co-fundador, presidente e chefe de programação do parque (vulgo humano que brinca de Deus). Outro que torna mais simpático e empático o ambiente de trabalho é Bernard Lowe, chefe da Divisão de Programação, e que é interpretado pelo brilhante Jeffrey Wright.
Criador contempla sua criatura
Bernard: O quão complexa é a consciência deles?
E não poderia esquecer o nosso representante tupiniquim, Rodrigo Santoro, bandido típico que tem seu rosto pregado em cartazes pelos vilarejos por ter matado o xerife, e que rouba a cena de maior ação no piloto com a trilha de Paint it Black em piano no estilo western.
Trilha sonora essa magnífica da série. Há várias que conhecemos no repertório do piano: Radiohead, Soundgarden, The Cure, Amy Winehouse entre outros. E não duvido que desponte em muitos aquele sorriso ao reconhecê-las.
Fortes referências literárias vão completando os tons quando ouvimos trechos de Shakespeare. E vai ficando clara que a diminuição do abismo que separa os humanos das máquinas em suas dúvidas e anseios.
O piloto tem uma sequência dramática tensa e interessante quando um dos anfitriões pifa ao encontrar uma foto de uma suposta visitante, em que ela posa com uma avenida de paisagem que lembra a Times Square. O pobre Abernath sofre com o achado e uma recente atualização do software parece ter contribuído com um suposto despertar.
Outro elemento que me chamou atenção na série são as moscas, mais presentes no piloto, fazem parte do que seria um tom semelhante às cores primárias.
Um anfitrião pifa antes mesmo de Abernath quando uma mosca pousa em sua bochecha esquerda. Outra cena que declara a paralisação dos robôs é quando uma mosca anda suavemente pelo rosto de Dolores e até por cima de seu olho. Foi inevitável não recordar da cena do início do clássico Era Uma Vez no Oeste (Once Upon a Time in the West; 1968) de Sergio Leone, em que um pistoleiro brinca com uma mosca para matar o tédio da espera.
Achei genial os produtores abusarem desses elementos. Leite, Shakespeare e Moscas são como cores primárias nessa série, e acreditem, elas contribuem para todos os outros tons.
“O que para os garotos são as moscas, nós somos para os deuses: matam-nos por brinquedo”
William Shakespeare (Rei Lear; ato IV, Cena I)
Westworld trouxe muita discussão sobre IA. Muitas são mais do mesmo, mas venho aproveitando para me atualizar e testar os parâmetros de minhas opiniões a respeito. E sim, ela já mudou de lado incontáveis vezes.
Abaixo, duas referências interessantes sobre IA:
DeepMind – Projeto do Google para controlar a IA de modo que cumpra apenas seu papel benéfico para a humanidade Bina48 – A cabeça falante indica o status atual de IA que simula a consciência humana
Conhece outras referências? Estou aberto a sugestões.
Enquanto isso o tema irá matutar em minha caxola até a próxima temporada.
“— Humf, dois mil e seis foi o ano do fim dos ditadores! — ouvi dizer Jurandir. — Foram-se Milosevic, Pinochet e quase terminando dezembro Saddam foi enforcado. Mas Fidel, ah, Fidel diz ‘Aqui és Matusalém’, há-há-há. Eu acho que ele viverá pelo menos mais uns dez anos.”
Trecho de Simplesmente Complexo, Capítulo Seis – Serotonina
Considerando que a trama se passa no fatídico ano de 2007, Jurandir, o senhor que vivia num hotel do centro de São Paulo e gastava o tempo de sua vida jogando “algum jogo de cartas”, acertou em sua observação.
“O preço da liberade é a eterna vigilância”
Autoria: Aldous Huxley ou Thomas Jefferson
Tá bom, essa frase deve ter sido a mais utilizada em artigos ou discussões sobre o caso Snowden. Tanto como a indagação posterior mencionada na música All along the Watchtower de Bob Dylan: “Who watches the watchmen?” (Quem vigia os vigilantes?)
Desde que o ex-agente da CIA e analista de sistemas da NSA revelou ao mundo o alcance de espionagem de comunicação em massa instaurado pelas agências de segurança após os fatídicos ataques de 11 de setembro, a internet foi inundada com artigos, colunas e discussões sobre a moralidade de tal uso da tecnologia para manter a Terra dos Bravos livre de novos ataques.
Esse árabe que vos escreve deve ressaltar que na época não ficou surpreso como muitos, pois a ideia já era palpável desde os primórdios da internet.
O que me deixou de certa forma consternado foi o tratamento da mídia sobre os fatos. Poucos veículos se esforçaram em se focar no uso abusivo da tecnologia, a maioria explorou mais as revelações como produto comercial para as massas menos críticas. Preferi acompanhar o desenrolar mais pelo The Guardian, jornal inglês que teve papel importante na deserção do ex-agente e elaboração de divulgação inicial das ditas revelações.
Nesse ano, será lançado o filme que nos conta em formato de Thriller a história da deserção de Edward Joseph Snowden sob a direção de Oliver Stone, conhecido como cineasta transgressor por sua obra que retrata o american dream com outros olhos (vide Platoon, filme baseado em suas experiências como soldado na guerra do Vietnã)
O trailer tem aquela montagem de suspense comercial que já estamos cansados de ver. Mas o elenco deixa no ar uma expectativa positiva do capricho da trama.
Quem interpreta o personagem título é o ótimo Joseph Gordon-Levitt (50/50, Looper), que não é tão parecido com o real como foi o Ashton Kutcher-Steve Jobs em Jobs, mas o esforço de deixar o timbre e o modo falar similar confirmam o seu talento como um dos melhores atores do momento.
Até o Nicolas Cage parece estar em um papel bom, mesmo que seja uma pequena aparição.
O assunto dá pano pra manga, e esse post viraria um imenso artigo, então prefiro indicar um material se você se interessou pelo filme e quiser saber mais.
Eis um esquenta:
Citizenfour: Lançado em 2014 foi vencedor do Oscar 2015 na categoria Documentários. É uma série de entrevistas com o próprio Snowden antes, durante e após as revelações, realizado em parceria com os jornalistas colaboradores da divulgação. Pelo documentário já dá pra se ter uma ideia da amplitude do esquema de espionagem e suas consequências.
G1: Como a terra do Tio Sam vigiou muito as terras tupiniquins temos material de sobra e vontade de saber mais sobre esse assunto, né mesmo?
The Guardian: Todas notícias e artigos (em inglês) vinculadas ao ex-agente. O jornal inglês The Guardian teve participação fundamental na elaboração da divulgação.
Snowden balançou os alicerces da forma como os norte-americanos viam tratando os conceitos de liberdade entrelaçada com a vigilância após a criação da Lei Patriótica (USA PATRIOT Act).
Tornou-se um ícone talvez mais emblemático que Julian Assange, fundador do site WikiLeaks. Teve lagosta batizada com seu nome, estátua feita por ativistas, indicações ao Nobel da Paz, nomeações como reitor de universidade e membro de grupos e fundações de proteção a liberdade de imprensa e comunicação.
Mas sua luta ainda não terminou. Snowden não conseguiu o perdão presidencial e segue exilado na Rússia em endereço sigiloso devido às inúmeras ameaças de morte que recebeu. E alguém que é cultuado pela coragem de ter largado e arriscado tudo pela consciência da liberdade não deve estar muito feliz de viver num país controlado por Putin.
De POTUS para Putin, Snowden vive um drama angustiante desse entrelaço político de nações controladoras, não a toa brincou assim que entrou no Twitter e recebeu boas vindas do astrofísico Neil deGrasse Tyson:
“Obrigado pelas boas-vindas. E agora nós temos água em Marte! Você acha que (em Marte) eles verificam o passaporte na fronteira? É para um amigo.”
A estreia nos EUA está marcada para 16 de setembro, que semana sugestiva, não?
Veremos se o filme segura a bronca.
@Potus: “Hmm, Not bad, Mohanad. Até que esse post foi moderado”
Que data auspiciosa para anunciar que o meu próximo livro terá como tema principal a mentira.
Já assinei contrato com a editora. Estamos finalizando os processos de revisão e logo menos serão disponibilizadas as opções de capa.
É só ficarem ligados aqui para as próximas novidades.
Cogitaram Mel Gibson para o novo filme da franquia, mas seus problemas com álcool o impediram de pegar até mesmo um papel coadjuvante ou ao estilo piscou-perdeu. Na rede lançaram que se ele tivesse voltado ao papel do perturbado Max o filme se chamaria Mad Max – Estrada do Fuhrer, em referência às polêmicas antissemitas que o ator se envolveu nos últimos anos.
Mad Max – Estrada da Fúria (Mad Max – Fury Road) vem 30 anos depois da trilogia original, pois o primeiro lançado foi lançado em 1979, o segundo em 1981 e o Além da Cúpula do Trovão em 1985.
Mas se você não foi fã da trilogia original, assistindo as reprises na sessão da tarde (quando a censura ainda permitia filmes desse naipe durante a tarde), não tem problema, Estrada da Fúria possui diversas referências aos filmes antigos, mas o roteiro permite que qualquer um entenda o que se passa e que tenha noção de um passado que atribuiu o Mad (louco, insano) ao personagem principal.
Porém, nesse novo filme temos uma personagem que rouba a cena assim que rouba do vilão Immortan Joe, um tirano com a figura de líder messiânico, um caminhão levando suas mulheres sadias, progenitoras de War Boys. Essa mulher de ousadia era a sua general conhecida como Imperatriz Furiosa, você deve conhecê-la como Charlize Theron, a linda sul-africana que aqui está de cabeça raspada e com um braço mecânico.
Triunvirato da Loucura: Mel Gibson, George Miller e Tom Hardy
Com a captura de Max logo no início e o roubo de Furiosa começa uma perseguição que lembra muito o segundo filme. Vale lembrar que o mundo está numa fase pós-apocalíptica, quase que totalmente desertificado, a escassez de água e combustíveis fósseis mantém um ambiente de conflitos constantes entre gangues que se locomovem pelos desertos com caminhões e carros tunados e blindados.
O curioso do novo filme que muitos admiraram não é a personagem de Theron eclipsar o Max interpretado por Tom Hardy, mas sim pelo motivo dele ser calado e com poucas falas. Recentemente descobri que o argumento original da estória vem de um roteiro de história em quadrinhos sem falas, e isso era percebido na trilogia original, em Mad Max 2 Mel Gibson tem apenas 16 falas.
E há um momento no filme que torna possível a aceitação da personagem e seu papel mais forte (como se sua ótima atuação não bastasse), quando ela diz ao Max: “Você não é único que se tornou louco”
E sim meus amigos, o mundo de Max é um prato cheio para se perder a sanidade mental. Quase não há mais identidade histórica da humanidade. Não é aquele clichê de dizer que os valores estão invertidos, na verdade o estão deturpados. Diante da necessidade de manterem as máquinas potentes e agressivas há o Culto do V8 cujo volante é um símbolo estendido em sinal de temor. Muitos dos crentes esperam um dia participar no paraíso Valhala do McBanquete, e os mártires da estrada pedem atenção para o ato final, podendo ainda ser considerado como “medíocre!” pelas testemunhas.
Ah, o comboio principal da perseguição tem uns doidos mantendo um incentivo ao combate, rock como marcha militar, a trilha sonora do longa torna toda a aventura mais empolgante.
Never stop rocking baby!
George Miller disse que não pretende realizar outro filme da franquia, mas boatos vazaram de que ele tem dois roteiros prontos para uma possível continuação. E considerando que no mundo do cinema nada tem um fim definitivo, pode ser que ele passe a loucura para outra pessoa, tal como diz em suas entrevistas um comparativo ao personagem Max Rockatansky como o James Bond.
Particularmente adoraria ver uma continuação, acho que até não me importaria se demorasse mais algumas décadas, prefiro isso a ter que testemunhar o mundo se tornar nesse pandemônio insano, seco e sem esperança, e eu não curto dirigir, seria um inferno…
Não é de hoje que existe um lobby popular demandando o prêmio de melhor ator ao Leonardo DiCaprio. É só procurar a quantidade de memes, gifs e comentários a respeito.
E também não é de hoje que o ator realiza trabalhos grandiosos e conquista o respeito dos espectadores. Vejo o talento do queridinho das meninas desde Diário de um Adolescente (The Basketball Diaries, 1995), a trombose Titanic foi um marco que o ascendeu aos top’s.
Amo vocês!
Mas no decorrer dos anos, quando o diretor Martin Scorcese o adotou tal como Tim Burton fez com Johnny Depp, o rapaz atingiu o seu apogeu com filmes corrosivos que desafiavam sua capacidade de manter vivo o personagem.
O Regresso (The Revenant) é dirigido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu, que acompanho com atenção seu trabalho desde 21 Gramas (21 Grams, 2003) e foi o ganhador das estatuetas de melhor diretor e filme na cerimônia do ano passado por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância).
O filme tem grande apelo com fotografia exuberante, cenas que feitas ao que parece com grande-angulares, explorando um ambiente que ao mesmo tempo é belo e estonteante é agressivo e opressor.
O impacto seja maior talvez por saber que o se vê na tela é baseado em uma história real. Dá pra sentir a desgraça de Hugh Glass que ganhava a vida comercializando peles de sua caça e também explorando o oeste dos EUA quando é atacado por um urso e depois é deixado pelo companheiro Fitzgerald interpretado por Tom Hardy que concorre como melhor ator coadjuvante.
E então podemos dividir o filme em três atos, sendo o início o momento da remoção da zona de conforto dos personagens, o meio todo um momento de dor e fúria pela infelicidade da traição, de ver seu filho mestiço ser morto, as feridas serem um chamariz para a dona morte e toda a força vinda de dentro, de memórias sobre a sua falecida esposa e pilhagem de crânios lembrando que a época era sangrenta e variada em genocídios, e o fim a mostrar a consumação da vingança, sendo ela realizada pelas mãos de Glass ou ficando ao cargo de Deus.
O Regresso é o exibicionismo de um homem lutando a todo o tempo contra as desgraças que estas abertas ao mesmo. Há cenas de desespero como a do ataque da mãe urso. Há cenas de desdobramento ao estilo “é o que tem pra hoje”, como quando arranca as vísceras de um cavalo e se abriga em seu corpo para não morrer de frio e se esconder de inimigos do Novo Mundo.
Dor e força
A marca do diretor é sempre perceptível com as cenas com poucos cortes (Birdman tem esse recurso explorado ao máximo), closes a cada infortúnio e gota de sangue derramada do personagem de DiCaprio. Porém, em minha humilde opinião, o filme tem uma pegada mais comercial em relação aos seus anteriores.
Ele está como um dos favoritos ao prêmio de melhor filme, mas creio que Spotlight vá levar a estatueta.
Ao menos, parece que Leo DiCaprio vai ganhar essa. O desempenho é notável. A torcida, exponencialmente maior.
Durante o conclave, antes de anunciarem o Papa Francisco como o novo pontífice publiquei uma imagem baseada nas buscas do google. Sim, era uma crítica ao alvoroço quanto a revelação do líder da igreja cristã mais poderosa do mundo, e ao mesmo tempo mais obscura por seus segredos e seu papel na história da humanidade na época medieval.
Euforia passageira, angústia eterna
Uma amiga católica entrou em debate comigo e não acabou ali, por muito tempo persistiu a me espezinhar apontando links sobre o quão humilde era o novo papa. Eu apenas sentia que a surpresa de tais se tornavam grandiosos diante do aspecto rígido e ostentador da santa igreja.
Até então ao longo dos anos o Dalai Lama sempre esteve aí, não?
Esse post não é pra iniciar uma discussão religiosa. E fiquei com essa convicção quando assisti a Spotlight – Segredos Revelados. Cujo elenco tem a lindíssima Rachel McAdams, o perturbado Mark Ruffalo (o Hulk dos Vingadores) e Michael Keaton como os principais jornalistas da divisão Spotlight (“holofote”) do jornal The Boston Globe.
Vemos que os envolvidos na reportagem investigativa não tinham interesse em atacar a cristandade em si, embora tivessem mirado no sistema com o intuito de atingir de forma top-down, mesmo quando já tinham em mãos uma lista de 50 padres pedófilos somente na cidade de Boston. Mesmo com uma possível perda da exclusividade quando o concorrente The Herald começou a sua própria investigação.
Spotlight é sobre ética e compromisso jornalístico, diria até mais intenso que o clássico Todos os Homens do Presidente (All the President Men), principalmente quando vemos os personagens sendo pressionados por membros de alta influência da cidade, de advogados a policiais e até membros dentro do próprio jornal.
Quando são realizadas as entrevistas com os abusados que não cometeram suicídio e se mantém na jornada de uma vida digna.
“Como você diz ‘não’ a Deus?”, é uma das frases que são como uma joelhada na boca do estômago.
Ou quando um deles descobre que um dos investigados mora ali, depois da esquina e um tanto chocado cola um aviso na porta do refrigerador alertando os filhos a não se aproximar da residência.
Quando a primeira edição saiu com o “escândalo”, a tendência escalar transbordou e revelou centenas de casos ao redor do mundo, libertando vozes em coma, vidas em eterno desespero pela inocência roubada.
Mostrou um esquema elaborado da própria igreja para acobertar os acusados gastando milhões com honorários advocatícios e remanejamentos.
Compromisso com a verdade, até mesmo quando ela dói
O papa Francisco é a figura que todo o líder religioso deveria ser em tempos como esse, mas “pedir tolerância zero” se torna apenas vista grossa, principalmente quando não se toma claras e rígidas ações ao anúncio do Vaticano de que os bispos católicos não são obrigados a reportar abusos as autoridades.
Spotlight não é intriga da oposição (ateus, protestantes, anticristos ou cientologistas), mas sim um filme que mostra que o jornalismo sério e comprometido se faz necessário, e convenhamos, até mesmo para o sistema da ICAR, seja por manter seus templos ou o mais importante que podemos encontrar nos versos dos testamentos que preza pelo amor ao próximo, e que se não puder garantir a salvação dos mesmos, que não os deixe viver uma versão do inferno ainda na Terra.
Nessa edição do Oscar Steven Spielberg bateu o recorde de indicações na categoria de melhor filme, a saber: Ponte dos Espiões (Bridge of Spies, 2015), Lincoln (2012), Cavalo de Guerra (2011), Cartas de Iwo Jima (2006, como produtor), Munique (2005), O Resgate do Soldado Ryan (1998), A Lista de Schindler (1993), A Cor Púrpura (1985), E.T. O Extra-Terrestre (1982).
Esse feito ao meu ver é um mero detalhe diante do que ele produziu no mundo da sétima arte. Fica apenas como uma curiosidade ou pequeno item na lista de sua proeza como cineasta prolífico.
Hanks e Spielberg: Ponte dos Espiões
Com as mãos dos irmãos Coen no roteiro (Onde os Fracos Não Têm Vez, Queime Depois de Ler) o filme mostra a história baseada em fatos reais do advogado James Donovan interpretado por Tom Hanks, que é introduzido como um homem de família pacato especializado em seguros e que há anos não se envolvia com defesa penal, mas que por ser sócio de um grande escritório de advocacia é sugerido como defensor de um espião russo capturado em solo americano em uma época (1957) em que os EUA e a antiga URSS temiam mutuamente sua capacidade nuclear e intenções diante de avanços pelo globo. Em escolas primárias americanas são exibidos filmes de testes nucleares realizados no Novo México e os efeitos devastadores de uma possível guerra nuclear.
A voz do povo era clara com a situação, qualquer espião capturado deveria ser executado, e o departamento de Defesa deixa claro a James Donovan que o cargo de advogado seria apenas decorativo.
Sensibilizado ao conhecer, mesmo que minimamente o réu, Donovan se empenha em defende-lo de modo real, causando atrito com todos os envolvidos, além de ter sua popularidade, as pessoas no trem passaram a encara-lo com menosprezo diante da traição à bandeira.
O que torna o filme especial não é o homem de família contra os mundos em disputa, e sim um argumento posto contra um agente do serviço secreto em que solicitava que deixasse de ser “certinho, pois não temos um livro de regras”, e Donovan põe em xeque ao dizer que ambos são descendentes de famílias estrangeiras, no caso dele irlandês e do agente alemão, e nivela ambos ao indagar “o que nos torna americanos?”, e não meus caros amigos, não é propaganda imperialista e sim o belo e velho momento racional em que homens podem se sentir iguais aos olhos da justiça, Donovan diz que o os ampara e dá respaldo à atribuição de cidadãos americanos é realmente um livro de regras, conhecida como Constituição.
Não sendo um nocaute, Donovan tem outros méritos no filme, como o argumento de que o espião deve ser mantido vivo para que num futuro pessimista, pudesse ser objeto de troca com um espião americano capturado nas terras da Vodca.
Abel e Donovan: o espião russo tranquilo e o advogado persistente
O que ocorre quando um piloto de um avião U-2 é capturado após ser abatido enquanto tirava fotos de uma instalação industrial suspeita dos inimigos. O detalhe é que os pilotos levavam consigo uma moeda de um dólar com um alfinete com cianeto de potássio para arranhar em qualquer parte da pele para findar sua vida caso a queda fosse uma conclusão inevitável. Ao saber que foi capturado vivo, o piloto passa a ser odiado por seus conterrâneos e Donovan sente que seu argumento de manter o espião russo vivo se tornou adequado, não fosse outro americano ser capturado em Berlim na época que foi edificado a famosa Cortina de Ferro.
Além das tensões crescerem e Donovan ter que viajar para a Alemanha separada em segredo pela segurança da família, há dezenas de elementos que vão se desdobrando de modo tímido, mas que rende a uma observação interessante se tu for um amante dos fatos históricos.
Ponte dos Espiões é um filme firme ao estilo Spielberg, como fez outrora com A Lista de Schindler, Munique e Lincoln. Retratando os sacrifícios e anseios de um “Homem Persistente” nos valores universais mesmo que dois mundos estejam prontos para iniciar um duelo que não deixaria ringue para um vencedor.