Spotlight – Segredos Revelados

Durante o conclave, antes de anunciarem o Papa Francisco como o novo pontífice publiquei uma imagem baseada nas buscas do google. Sim, era uma crítica ao alvoroço quanto a revelação do líder da igreja cristã mais poderosa do mundo, e ao mesmo tempo mais obscura por seus segredos e seu papel na história da humanidade na época medieval.

 

Euforia passageira, angústia eterna

Euforia passageira, angústia eterna

Uma amiga católica entrou em debate comigo e não acabou ali, por muito tempo persistiu a me espezinhar apontando links sobre o quão humilde era o novo papa. Eu apenas sentia que a surpresa de tais se tornavam grandiosos diante do aspecto rígido e ostentador da santa igreja.
Até então ao longo dos anos o Dalai Lama sempre esteve aí, não?

Esse post não é pra iniciar uma discussão religiosa. E fiquei com essa convicção quando assisti a Spotlight – Segredos Revelados. Cujo elenco tem a lindíssima Rachel McAdams, o perturbado Mark Ruffalo (o Hulk dos Vingadores) e Michael Keaton como os principais jornalistas da divisão Spotlight (“holofote”) do jornal The Boston Globe.

Vemos que os envolvidos na reportagem investigativa não tinham interesse em atacar a cristandade em si, embora tivessem mirado no sistema com o intuito de atingir de forma top-down, mesmo quando já tinham em mãos uma lista de 50 padres pedófilos somente na cidade de Boston. Mesmo com uma possível perda da exclusividade quando o concorrente The Herald começou a sua própria investigação.

Spotlight é sobre ética e compromisso jornalístico, diria até mais intenso que o clássico Todos os Homens do Presidente (All the President Men), principalmente quando vemos os personagens sendo pressionados por membros de alta influência da cidade, de advogados a policiais e até membros dentro do próprio jornal.
Quando são realizadas as entrevistas com os abusados que não cometeram suicídio e se mantém na jornada de uma vida digna.
“Como você diz ‘não’ a Deus?”, é uma das frases que são como uma joelhada na boca do estômago.
Ou quando um deles descobre que um dos investigados mora ali, depois da esquina e um tanto chocado cola um aviso na porta do refrigerador alertando os filhos a não se aproximar da residência.

Quando a primeira edição saiu com o “escândalo”, a tendência escalar transbordou e revelou centenas de casos ao redor do mundo, libertando vozes em coma, vidas em eterno desespero pela inocência roubada.
Mostrou um esquema elaborado da própria igreja para acobertar os acusados gastando milhões com honorários advocatícios e remanejamentos.

 

Compromisso com a verdade, até mesmo quando ela dói

Compromisso com a verdade, até mesmo quando ela dói

O papa Francisco é a figura que todo o líder religioso deveria ser em tempos como esse, mas “pedir tolerância zero” se torna apenas vista grossa, principalmente quando não se toma claras e rígidas ações ao anúncio do Vaticano de que os bispos católicos não são obrigados a reportar abusos as autoridades.
Spotlight não é intriga da oposição (ateus, protestantes, anticristos ou cientologistas), mas sim um filme que mostra que o jornalismo sério e comprometido se faz necessário, e convenhamos, até mesmo para o sistema da ICAR, seja por manter seus templos ou o mais importante que podemos encontrar nos versos dos testamentos que preza pelo amor ao próximo, e que se não puder garantir a salvação dos mesmos, que não os deixe viver uma versão do inferno ainda na Terra.

Ma’a salama

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