Snowden

“O preço da liberade é a eterna vigilância”
Autoria: Aldous Huxley ou Thomas Jefferson

Tá bom, essa frase deve ter sido a mais utilizada em artigos ou discussões sobre o caso Snowden. Tanto como a indagação posterior mencionada na música All along the Watchtower de Bob Dylan: “Who watches the watchmen?” (Quem vigia os vigilantes?)
Desde que o ex-agente da CIA e analista de sistemas da NSA revelou ao mundo o alcance de espionagem de comunicação em massa instaurado pelas agências de segurança após os fatídicos ataques de 11 de setembro, a internet foi inundada com artigos, colunas e discussões sobre a moralidade de tal uso da tecnologia para manter a Terra dos Bravos livre de novos ataques.
Esse árabe que vos escreve deve ressaltar que na época não ficou surpreso como muitos, pois a ideia já era palpável desde os primórdios da internet.
O que me deixou de certa forma consternado foi o tratamento da mídia sobre os fatos. Poucos veículos se esforçaram em se focar no uso abusivo da tecnologia, a maioria explorou mais as revelações como produto comercial para as massas menos críticas. Preferi acompanhar o desenrolar mais pelo The Guardian, jornal inglês que teve papel importante na deserção do ex-agente e elaboração de divulgação inicial das ditas revelações.

Nesse ano, será lançado o filme que nos conta em formato de Thriller a história da deserção de Edward Joseph Snowden sob a direção de Oliver Stone, conhecido como cineasta transgressor por sua obra que retrata o american dream com outros olhos (vide Platoon, filme baseado em suas experiências como soldado na guerra do Vietnã)

O trailer tem aquela montagem de suspense comercial que já estamos cansados de ver. Mas o elenco deixa no ar uma expectativa positiva do capricho da trama.
Quem interpreta o personagem título é o ótimo Joseph Gordon-Levitt (50/50,  Looper), que não é tão parecido com o real como foi o Ashton Kutcher-Steve Jobs em Jobs, mas o esforço de deixar o timbre e o modo falar similar confirmam o seu talento como um dos melhores atores do momento.
Até o Nicolas Cage parece estar em um papel bom, mesmo que seja uma pequena aparição.

O assunto dá pano pra manga, e esse post viraria um imenso artigo, então prefiro indicar um material se você se interessou pelo filme e quiser saber mais.
Eis um esquenta:

Citizenfour: Lançado em 2014 foi vencedor do Oscar 2015 na categoria Documentários. É uma série de entrevistas com o próprio Snowden antes, durante e após as revelações, realizado em parceria com os jornalistas colaboradores da divulgação. Pelo documentário já dá pra se ter uma ideia da amplitude do esquema de espionagem e suas consequências.

G1: Como a terra do Tio Sam vigiou muito as terras tupiniquins temos material de sobra e vontade de saber mais sobre esse assunto, né mesmo?

The Guardian: Todas notícias e artigos (em inglês) vinculadas ao ex-agente. O jornal inglês The Guardian teve participação fundamental na elaboração da divulgação.

Snowden balançou os alicerces da forma como os norte-americanos viam tratando os conceitos de liberdade entrelaçada com a vigilância após a criação da Lei Patriótica (USA PATRIOT Act).
Tornou-se um ícone talvez mais emblemático que Julian Assange, fundador do site WikiLeaks. Teve lagosta batizada com seu nome, estátua feita por ativistas, indicações ao Nobel da Paz, nomeações como reitor de universidade e membro de grupos e fundações de proteção a liberdade de imprensa e comunicação.
Mas sua luta ainda não terminou. Snowden não conseguiu o perdão presidencial e segue exilado na Rússia em endereço sigiloso devido às inúmeras ameaças de morte que recebeu. E alguém que é cultuado pela coragem de ter largado e arriscado tudo pela consciência da liberdade não deve estar muito feliz de viver num país controlado por Putin.
De POTUS para Putin, Snowden vive um drama angustiante desse entrelaço político de nações controladoras, não a toa brincou assim que entrou no Twitter e recebeu boas vindas do astrofísico Neil deGrasse Tyson:
“Obrigado pelas boas-vindas. E agora nós temos água em Marte! Você acha que (em Marte) eles verificam o passaporte na fronteira? É para um amigo.”

A estreia nos EUA está marcada para 16 de setembro, que semana sugestiva, não?
Veremos se o filme segura a bronca.

Potus

@Potus: “Hmm, Not bad, Mohanad. Até que esse post foi moderado”

Ma’a salama

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