Termos buscados

Não é a primeira vez que posto aqui algo que ativa a minha curiosidade quando o assunto é search terms (termos de busca).
Demonstrei de forma nada modesta alguns termos que levavam desconhecidos até esse site, cujo domínio é o meu simples nome (a saber: Mohanad Odeh)
Pois bem, mais uma vez venho aqui prestar esse serviço de autopromoção do meu trabalho criativo.
Então, esteja avisado de que daqui pra frente o assunto pode ser interessante somente se você acompanha o que é postado nesse site.

A plataforma web que utilizo para administrar o site é gratuita e possui ferramentas úteis que permitem uma visão gerencial que atende as minhas necessidades.
Um dashboard indica visualizações do site além das páginas acessadas, separando por períodos, visitantes e até países.

E além disso, há uma seção que indica as visualizações recentes e outra com termos recentes pesquisado em buscadores, seja Google, Bing, Baidu, Qwant, Yandex (sim, o Google não é o único deus) e etc.
Muitos termos que aparecem lá já me arracaram risadas, pois é retrato do que acabam buscando nesses motores que conectam a vasta rede global compartilhada.
E muitos que aparecem por lá, acabam por atiçar a curiosidade e saber qual página do meu site a pessoa acabou por visualizar.
Além do meu próprio site, também fico curioso quanto a essa investigação.

Dias desses, um amigo comentou que queria matar algumas dúvidas sobre a 2ª Guerra Mundial e ao digitar o nome do bigodinho que causou o que causou apareceram sugestões do auto-complete, sendo uma delas a que faz o queixo cair: “Hitler era baiano“.
Em sua grande maioria, os mecanismos de auto-complete ignoram pontuação como interrogações, mas associa internamente com ramificações que indicam dúvida e não somente afirmação.
Dessa forma, encontrei uma postagem no twitter em que alguém dizia que o bigodinho era baiano porque a tradução para “mein fuhrer” é “meu rei”.
Saciou a minha curiosidade e, pelo menos para mim, é o que mais fez sentido ao termo buscado, mesmo que seja uma manifestação cômica no melhor estilo “Hue hue hue br br br”.

Voltando ao meu site, já senti uma ponta de felicidade quando vi “Aparelho que os jedi usam pra respirar debaixo d’água” levando a uma página daqui.
A sensação de ter contribuído com a comunidade nerd foi momentânea, pois a página acessada (Jedi usa relógio?) não responde a questão levantada, e cuja resposta tive que buscar para sanar outra inquietude que esses termos incitam.
A99 Aquata Breather é o nome do dispositivo que os Jedi utilizam para respirar embaixo d’água.

Tenho um texto cujo título é “Engasgado com Farofa e Carne Seca”, aliás, devo aproveitar e dizer que aqui há vários textos
de minha autoria disponibilizados gratuitamente para apreciação, e que, embora raramente, rendem retornos positivos e negativos.
Não darei abertura para reclamações quando meus textos estiverem em plataformas pagas (o que pode ser real num futuro próximo), pois pretendo deixar muita coisa aberta por aqui.
Enfim, há esse texto intitulado “Engasgado com Farofa e Carne Seca“.
Ele é simples, escrito como uma forma de exercício em que um amigo que trabalhava comigo num dia de ócio levantou o desafio através de uma postagem do Buzz (serviço extinto do Google que ambicionava ser um Twitter) em que eu deveria escrever um conto rápido que envolvesse preconceito, comida e morte.
Como disse anteriormente, o ambiente gerencial do site indicou uma visualização desse texto, no mesmo dia em que surgiu o termo buscado que o levou até ele:
Morri engasgado com farofa
O verbo no pretérito perfeito faz parecer que a frase foi escrita por um Brás Cubas (por favor entendam a referência de nossa literatura clássica) e novamente a curiosidade veio.
Para esse mortal que vos escreve o mais comum seria algo como “o que fazer ao engasgar com farofa” ou afins.
O que para efeitos práticos, meu texto não teria utilidade alguma.
A curiosidade aumentou quando surgiu uma mensagem no mesmo no site: “Isso ai aconteceu de verdade???”

Morreu engasgado
Mensagem do além


A pessoa não postou nos comentários do texto, enviou como mensagem privada, e não detalha a dúvida dela, mas considerando os rastros desse dia, creio que seja a mesma que chegou ao texto pelo termo buscado.
Bom, meu caro leitor eventual, conforme respondi também no particular: não.
Os contos publicados na categoria “Textos” do site são ficções, mesmo que realistas, fantásticos, com pé na científica, ou tramas policiais.
Eventos reais são mencionados em outras categorias, como por exemplo “Da Boca pra Fora“, em que costumo resenhar filmes, músicas, quadrinhos, livros e afins.
Ainda não sei se a minha resposta ajudou a visita inesperada em seu momento pós-vida, mas espero que mesmo no além, tenha se interessado por meu trabalho, afinal,
um dos maiores propósitos do site é o de divulgar esse ofício incompreendido que se apoderou de minha alma.

Talvez, nessa ânsia de que mais pessoas cheguem a esse pequeno espaço na grande rede mundial compartilhada, acabo por me deparar com situações dessas.
É o preço por ter optado em escrever assuntos variados.
E olha que sou negligente e procrastinador, posso ter evitado uma penca de “quedas” aqui, por pessoas que estejam buscando algo mais útil que meus contos e pertubações.

Ma’a salama!


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O Melhor de 2018

Embora o ano de 2018 ter sido marcado por embates ideológicos e com a tristeza de não termos sido hexacampeão no campo, só vi vantagem nesses rápidos 12 meses que se passaram.
E o motivo para tal saldo positivo foi o fato de meu próximo romance, A Melhor Parte da Mentira, ter sido escolhido para publicação pela editora Nocaute.
Nem precisava dizer mais nada, acabar minha retro na modéstia de ter sido selecionado em mais de cem originais enviados para submissão e ter a noção de que minha carreira de escritor tem lá seu espaço nesse mundo canibalesco.
Mas como é tradição (firmada por mim mesmo) vou lançar aqui o que melhor vivenciei em 2018.
Lembrando que esse site é reservado para detalhes vinculados à arte, então não esperem ver detalhes pessoais como mudança de emprego e amores mil.
O livro que mais me cativou foi um nacional: O Filho Mais Velho de Deus e/ou o Livro IV, do autor Lourenço Mutarelli, que deu uma entrevista para a Folha que me perturbou, pois mostra que mesmo o cara que deu certo como escritor, não consegue estufar o peito e dizer que consegue viver apenas de literatura, justo no fim do ano, em que as maiores redes de livrarias declararam monstruosos problemas financeiros.
Porém, a obra de Mutarelli é muito interessante. Faz parte do projeto Amores Expressos da Companhia das Letras, em que há alguns anos vem despachando escritores para uma cidade ao redor do mundo com as despesas pagas para vivenciar algo e escrever uma obra que seja ambientada em tal cidade e que obrigatoriamente deva ter uma história de amor que se desenrole lá.
Em o Filho Mais Velho acompanhamos a história de Albert Artur Jones, nome esse criado para proteger a identidade verdadeira da pessoa que entrou numa espécie de proteção à testemunha de um perigo que ele mesmo desconhece de fato, pois não foi testemunha primária de algo, mas que tem a ver com reptilianos mencionados no bilhete suicida de um amigo. E o vemos desembarcar em Nova York. A escrita de Mutarelli é muito engraçada e de fácil degustação. Enquanto o narrador faz um paralelo com os nomes dos personagens e seus homônimos assassinos seriais ao longo da história há também toda a paranoia envolvendo um cidadão mediano que se vê diante da grande oportunidade que é a de reavaliar e mudar sua vida.
Embora eu tenha adorado a prosa, pode ser que muita gente não goste, pois como disse o próprio Mutarelli em entrevista recente: “Faço uma literatura agradável mas na qual você precisa tapar o nariz para encarar”.

Musicalmente foi um ano repleto de enfrentamentos, desde a “This is America” de Childish Gambino (o Donald Glover), como “Boca de Lobo”, do nosso Criolo, cujo clipe bem produzido toca na ferida da situação sócio-política do país.
Teve também o lançamento do albúm No Tourists, da banda do coração The Prodigy.
Mas o lançamento mais marcante foi o do Artic Monkeys, o trabalho Tranquility Base Hotel + Casino, que é bem diferente do AM de 2013 (que tem as minhas preferidas R U Mine? e Arabella).
É um trabalho mais maduro, odeio dizer isso de uma banda, ainda mais dessa banda, por ser de rock, por ser mais do lado indie, mas é a real no caso deles. E ficou um trabalho sensacional.


Conforme os anos vão passando cada vez mais se torna difícil acompanhar séries. Seja pela correria do dia a dia, seja pela variedade estupenda com que elas são descarregadas para nós.
E embora tenha tido picos como o fim de House of Cards, a bem acertada segunda temporada de Westworld e a estreia da surpreendente The Haunting Hill House , o que pegou de jeito foram as mini-séries.
Talvez, o bom trabalho do primeiro ao último episódio e a sensação de que não vão estragar no ano seguinte ajudaram no meu julgamento.
Eis as três que ocuparam o pódio:
-Maniac

Maniac: Bora lá ser aceitável pela sociedade
Maniac: Bora lá ser aceitável pela sociedade

-Patrick Melrose, série britânica dramática com Benedict Cumberbatch
-Objetos Cortantes (Sharp Objects)
Confesso que Objetos Cortantes conseguiu se mostrar como a melhor, pois a Amy Adams está brilhante na atuação e seu nome também figura como produtora.

Que maquete mais linda.. EPA PERA!
Que maquete mais linda.. EPA PERA!


Menção honrosa para séries que descobri: Peaky Blinders (4 temps) e The Handmaid’s Tale (2 temps) que tem a Elisabeth Moss que eu já adorava de Mad Men.

O melhor documentário foi sem dúvida a produção Serei Amado Quando Morrer (They’ll love me when I’m dead) que fala sobre a conturbada produção de Orson Welles no filme The Other Side of the Wind, dissecando diversos problemas enfrentados por um artista.

Não consegui comprar muitos quadrinhos, mas ao menos matei a vontade ler Império, do Mark Waid, em que a história se desenrola após o vilão Golgoth ter dominado o mundo e instaurado o Império, e o fim não acaba após essa vitória, pois após a conquista total, vem a luta de manter tudo que conquistou.

Dos nacionais tem o Silas, uma aventura Steampunk num universo especulativo bem interessante com arte e roteiro do Rapha Pinheiro.
Não tenho o que comentar sobre o herói nacional O Doutrinador, não li nada. Não critico o que não consumo.

Vamos aos filmes.
Quase ignorei Você Nunca Esteve Realmente Aqui (You Were Never Really Here) com Joaquim Phoenix e Ekaterina Samsonov.
Por sorte dei chance e me surpreendi com o ótimo trabalho da diretora Lynne Ramsay, que mostra cada vez mais que será um grande nome nas telonas.
Sem entrar em muitos detalhes, basta imaginar o doido do Joaquim Phoenix (que será o novo Coringa, vale ressaltar) num papel de um veterano perturbado que ajuda a polícia a encontrar mulheres presas em cativeiros como escravas sexuais.


E outra pérola que quase passou desapercebida foi A Morte de Stalin (The Death of Stalin).
Em que com um bem pontuado humor negro mostra a morte do Stalin e o momento de disputa de seus prováveis sucessores.
E não se deixe enganar pelo trailer, não é uma comédia europeia para quarentões. Há uma porrada de momentos de tensão com guinadas para momentos de refúgio cômico.

Skavurska!
Skavurska!

Menções honrosas:
Pantera Negra (Black Panther), Três Anúncios para um Crime (Three Billboards Outside Ebbing Missouri), O Artista do Desastre (The Disaster Artist), Unsane e Aniquilação (Annihilation) que tal a minha eterna crush e conterrânea Natalie Portman.

Fecho com uma das melhores fotos, premiada no National Geographic Photo Contest, em que Alison Langevad capturou dois rinocerontes-brancos que saíram para beber água no meio da noite na Reserva Zimanga Game na África do Sul.

A apreciação é o que resta, já que nesse ano morreu o último rinoceronte branco do norte. Enquanto existem os do sul, o reflexo me fez lembrar daquilo que sempre venho ditando nas retrospectivas mesmo mencionando apenas coisas boas: esperança.
E que venha 2019!

Ma’a salama!




Trecho

Um formigamento nos pés indica que meu corpo não aguenta mais ficar deitado.
O engraçado é que até agora fico medindo esforços para pensar que tipo de veneno tomei.
Dependendo de qual fosse, queimaria minha garganta ao ingerir.
Não me lembro de ter queimado a garganta.
Se outro mais ameno, não poderia ter provocado o vômito de jeito algum.
Existe veneno que é tão mortal que bastaria uma gota para matar cerca de dez homens.
Sei também que há um tipo de veneno que estimula os pulmões a um tipo de relaxamento semelhante ao que o óxido nitroso provoca, e o resultado é a absorção do que você comeu direto pelo órgão respiratório.
O veneno de uma cascavel é fatal. E se não me engano, o veneno de uma viúva-negra é quinze vezes mais forte do que o de uma cascavel.
Vários nomes de substâncias tóxicas percorrem minha mente. Arsênico, Cianureto, Ricina, Estricnina.
Mas nenhuma associação está sendo possível.
Não consigo me movimentar. O que controla muitas funções sensoriais e motoras como movimentos oculares e a coordenação dos reflexos visuais e auditivos é o mesencéfalo. E, a essa altura, o veneno que não faço ideia qual seja o afetou completamente.
Agora, o mais interessante é a pergunta: quem me envenenou?

-Trecho de Simplesmente Complexo (Capítulo Um – Mesencéfalo)

Leia trechos maiores e até capítulos inteiros pelo Google Books.
Disponível nas livrarias: Saraiva, Martins Fontes, Loyola, Cultura e muitas outras.

O Melhor de 2016

Que ano, amigos.
Síria continua a sangrar entre seus estados, vilarejos e ruelas.
As massas novamente se comoveram com imagens que valem mais que mil palavras. A foto do menino de 5 anos resgatado de escombros em Aleppo sujo de pó e sem chorar, evocou a música da banda The Clash: “Should I stay or should go?”. Mas a bagunça de poder continua, mesmo com os avanços das forças iraquianas sobre Mosul, que conseguiram expulsar alguns FDP do ISIS.
A morte ceifou muito nesse ano, foi avião e barco que levaram times inteiros, foi gorila que teve o azar de uma criança cair em sua cela, foram artistas de todos os lados, de David Bowie à George Michael.

Mas a perda que abalou os meus alicerces foi o de um amigo querido, Leonardo Passos, em um triste acidente, no apogeu de sua jovialidade e conquistas.
RIP my friend, lembrarei eternamente das suas gargalhadas e da pessoa maravilhosa que você era.

Mas esse é um post sobre coisas boas. Por mais que o amargor esteja naqueles breves momentos que lembramos das coisas ruins, temos que levantar a cabeça e lembrar que houve momentos bons. Então, vamos aos melhores:

Diante de tantas mudanças políticas, do PPK no Peru, da tentativa de golpe na Turquia, de Trump nos EUA e o impeachment e as turbulências daqui, fico com as nossas desventuras. Não vou estender em nenhum debate aqui, quanto mais me aprofundo em política mais leigo me sinto, então me reservarei às melhores tiras que me arrancou sorrisos diante desse furacão:

Ministro

Ministro

confusismo

Confusismo

Consegui, após muitos anos ler o calhamaço que consagrou David Foster Wallace como um dos maiores escritores norte-americanos, o livro entrou para o grupo das grandes obras que fecharam o século XX. Estou falando de Graça Infinita.

Graça Infinita

Graça Infinita

Se mil páginas de estória não bastassem, eis mais duzentas de notas, e acredite, você não vai conseguir ignorá-las. Mesmo na linguagem pesada, cuja narração varia do narrador-autor ao narrador-personagem Hal Incadenza, irmão do meio de uma família disfuncional cujo pai, James Incandenza, cineasta alternativo, criou um filme disputado pelas forças armadas e grupos terroristas separatistas, que prende o espectador, literalmente, pois ninguém o deixa de ver, elas simplesmente morrem desidratadas e de fome todas sujas com as próprias fezes e urina.
Para fazer uma resenha digna o post se prolongaria demais, não é a intenção, se desejar mais detalhes google it, o mínimo que poderia dizer é que o livro trata muito sobre depressão, e fato curioso é que o autor se enforcou em 2008, doze anos após a publicação da obra…

O favorito dos nacionais foi Tempos de Fúria – Contos de Ficção Científica, de Carlos Orsi. Publicar ficção científica aqui é trabalho árduo, e prezo muito pelos que o fazem. Os acadêmicos consideram o gênero como nossa literatura marginal. Mas temos bons nomes produzindo romances e coletâneas de primeira, tanto que volta e meia escrevem para editoras de outros países.
Essa coletânea teve dois contos que gostei bastante:
Estes Quinze Minutos, sobre o fato do mundo se dissolver e ser recriado a cada quinze minutos, mantendo o fluxo com alguns erros de continuidade aqui e acolá.
Pressão Fatal, sobre um interrogatório na estação espacial Eros-III, em órbita de Vênus, planeta esse que parece ser o preferido do autor. O conto possivelmente mudará sua percepção sobre morte no vácuo do espaço.

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Tivemos relíquias da ficção científica também no cinema.
Gostei tanto de Capitão América – Guerra Civil quanto Batman Vs Superman – A Origem da Justiça. Não vou estender que esses filmes rendem mais debates que política.
Star Trek – Beyond teve mãos de Simom Pegg no roteiro, mas o filme não é uma comédia no seu estilo britânico, tem lá sim suas piadas, mas a trama ficou com os temperos que todo nerd adora, dá uma dó ver a USS Enterprise ser atacada e rola uma certa emoção pelas homenagens ao Spock da série original, Leonard Nimoy e o Pavel Chekov dos novos filmes, o russo Anton Yelchin, morto esse ano esmagado pelo próprio carro em sua garagem.
Também fomos agraciados com Rogue One – Uma história Star Wars, e meus amigos, que filme. Não tem Jedis, é mais sombrio, porém, além de um fanservice de primeira, a trama foi muito bem costurada para emendar com o início do primeiro filme que começou tudo.
A DC pecou com Esquadrão Suicida (Suicidal Squad) e a Marvel novamente ganhou vários pontos com o excelente Doutor Estranho (Doctor Stange).
Mas o top não foi um filme de ficção científica.
Decisão de Risco (Eye in the Sky), filme sobre uma caça a terroristas no Quênia numa operação conjunta Inglaterra- EUA em que as prioridades mudam ao visualizarem que dois homens-bomba estão prestes a realizar ataques. E é um dos últimos filmes de Alan Rickman (o Snape de HP) que também faleceu esse ano, e tem Aaron Paul (o Jesse Pinkman de Breaking Bad) como manipulador do drone, e tem também uma menininha que brinca com bambolê e vende pães feitos por sua mãe e que gera um senhor-impasse em toda operação.
Menções honrosas: Triple Nine e Cães de Guerra (War Dogs)

O melhor documentário que assisti é sobre ela. Quem? Quem?
A nossa querida Internet.
Eis os Delírios do Mundo Conectado (Lo and Behold, Reveries of the Connected World) é dirigido por Werner Herzog e mostra desde as primeiras mensagens trocadas em 1969 até como hoje essa tal de internet molda nossas vidas nesses avanços todos.

As melhores HQ’s que li são as nacionais: Matadouro de Unicórnios e A Lei de Murphy.

Matadouro de Unicórnios, de Juscelino Neco, que tem o desenrolar de um escritor que se torna serial killer. Gonçalo, o tal que esquartejou corpos, praticou canibalismo e até fez esculturas com os ossos é um dos personagens mais sem noção que vi em um gibi.

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A Lei de Murphy, de Flavio Soares fala sobre um mundo em que há super-humanos, alienígenas e super-alienígenas tudo junto no mesmo século, e um advogado chamado Douglas Murphy que ganha a vida livrando a barra desses seres, pois os mesmos não pediram para ter esses superpoderes e uma ação porque um deles pode ou não ter usado a visão de raio-x para ver umas mulheres nuas necessita de uma defesa especializada.

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Foi um ano de non-stop disco.

Metallica lançou Hardwired…To Self-Destruct, sendo as faixas Am I Savage, Dream no More e Murder One (homenagem ao Lemmy do Motörhead)  as minhas prediletas. Nesse lançamento a banda lançou todas as músicas no Youtube, cada faixa com um clipe oficial. No Napster feelings…
Deftones lançou Gore, com as faixas Acid Hologram e Doomed User que te levam para uma viagem à outra dimensão.
Red Hot Chili Peppers lançou The Gateway, com faixas bem trabalhadas e mais maduras na carreira desses caras que se mantém e muito bem no mundo da música. Sick Love, Go Robot e Dark Necessities são faixas estupendas, mas foi The Hunter que conquistou o coração desse árabe que vos fala.

A grande queridinha das séries desse ano foi Westworld, produção de primeira da HBO, com um roteiro caprichado de Inteligência Artificial pelas mãos de Jonatan Nolan e sua mulher Lisa Joy. Com atuações marcantes de Anthony Hopkins e Thandie Newton. Tem também o Rodrigo Santoro, elevando novamente sua carreira lá fora.
A segunda temporada de Mr Robot teve a mesma pegada da primeira, pensei que o diretor e roteirista Sam Esmail iria se perder, para nossa sorte isso não aconteceu, Elliot continua pirado e vemos que a Evil Corp está no ritmo “Império Contra-Ataca”
Tivemos também a estreia de 3% na Netflix. Quem acompanhou o piloto em formato de webserie há cinco anos pode ver a estória se desenrolar em uma temporada com oito episódios.
Você conseguiria passar para o Lado de Lá???

A vida não é só entretimento caseiro.
Fui à Bienal do Livro dar uma bisóiada, rever alguns amigos do ramo e manter o networking, além de tentar entender a onda dos livros de youtubers, a única conclusão que chego é que o mercado não pode parar, por isso perdoamos esses apelos.
De graça até injeção na testa. É com esse pensamento que fui à Comic Con Experience quando um amigo me disse que tinha um ingresso na faixa e já me esperava nas catracas com o meu crachá.
Muita coisa bacana, uma porrada de estandes legais, uma das prediletas era da HBO com as impressoras construindo os robôs de Westworld em que banhava um dos replicantes naquele líquido leitoso.

E outra atração que brilhou os olhos da galera foram as armaduras de ouro dos Cavaleiros do Zodíaco em tamanho real.

cavaleiros1

Armaduras de Ouro

A Sony Pictures tinha um fundo verde para as pessoas tirarem uma foto a fim de replicar o cenário de uma nave com a gravidade artificial em pane, a ideia era promover o filme Passageiros (Passengers) com a linda Jennifer Lawrence e o Chris Pratt numa estória que seria Adão e Eva do espaço.
Eu e meus amigos fizemos caras e bocas. Vimos o resultado no monitor da fotógrafa, e a mulher do meu amigo colocou o e-mail dela para receber a foto com o fundo da campanha, mas até hoje a mesma não chegou…

Defeitos especiais

Defeitos especiais

Talvez a vida seja isso. Fantasiamos com belas palavras e sentimentos em exagero tudo o que nos cerca.

Ma’a salama 2016!

Crônica do Desagrado

Rubro tirano em formato discoide, o sol enterrava-se no horizonte debaixo de um deserto monótono que se estendia por quilômetros. Apenas duas crianças caminhavam solitárias entre a cadeia de montanhas arenosas e assentadas por milênios de exploração mineral. Agora o planeta era administrado pela família de Wuduee, uma das crianças, a outra era seu amigo e tutor por ser uma representação carnal da raça pandimensional conhecida por muitos nomes, mas que o pequeno Wuduee costumava chamar de Anjos Além da Luz, em alusão à localização do sistema em que vivem em sua maioria.
“Por que vamos tão longe hoje?”, indagou Leskat, o amigo-tutor.
“Você já deve saber que estou intrigado com nossa última conversa”
Leskat meneou a cabeça, realmente sabia. E quando Wuduee o forçava a andar mais longe, era porque a ideia tirou algumas noites de sono.
“Sim, mas antes que o sol do meridiano central nasça quer ir até algum lugar especial? Uma caverna talvez?”
“Não. Só vamos subir aquela montanha”
“Wuduee, essa andança toda cansa o meu corpo encarnado, mas a sua intenção de que isso fragiliza a minha mente para que eu solte algum conteúdo extra que esteja propositalmente ocultando não confere”
Leskat encarnou de forma brusca em um corpo fadado à morte. Nasceu com uma pele frágil que emitia um brilho alaranjado e a estrutura óssea no rosto deformada era esteticamente horrível. Não fosse a energia adicional de sua real espécie tal corpo teria sido mais um natimorto.
“Isso eu já sabia. Só quero andar mesmo, superar a distância da última vez”
“É quase uma analogia ao tipo de informação que você requer”
Os dois se encontravam semanalmente para o contato acordado por um pacto antigo. A raça de Wuduee eram uma das mais atrasadas no universo, porém, uma das mais bondosas perante a Confederação Estelar. O pacto proposto pelos próprios Anjos Além da Luz indicava que cada cidadão receberia o acompanhamento desde a infância de um dos seus encarnado à mesma espécie como forma de suporte à evolução. Sabiam que devia ser um processo gradual e tal levaria alguns séculos para atingir o equilíbrio necessário, mas os resultados eram satisfatórios.
“Pronto, aqui estamos”, disse Wuduee assim que chegaram ao topo da montanha.
“Sim, agora diga o que tem te deixado inquieto”
“Quer água?”, indagou oferecendo uma alga colada à sua palma da mão, a água era absorvida por sua pele porosa.
“Não, obrigado. Já colhi alguns mililitros do ar que está bem úmido hoje”
Apesar do corpo deformado, Leskat forçou algumas adaptações no corpo, por sorte, todas permitidas pelas regras do pacto.
“Em nosso último encontro você me disse que muito mal pode surgir de uma ação do bem, ou de uma deturpação e interpretação de algo com boas intenções”
“Sim. Conseguiu elaborar os exemplos que pedi?”
“Sim. Consegui”,  Wuduee enumerou dezenas de exemplos reais do cenário político de seu sistema solar, com referências históricas baseadas nas fontes das enciclopédias que Leskat havia sugerido.
“Perfeito! Tudo certo”, Leskat olhou para o oeste. Antes que a escuridão dominasse o sol do meridiano central surgia no horizonte.  “Pensei que estivesse preocupado em não ter conseguido cumprir com o dever de casa. Então estava enganado, não faço ideia do que te preocupa”
“Mesmo você entrando na minha cabeça?”, provocou Wuduee.
“Ora, já lhe expliquei setecentas e vinte e seis vezes que eu não consigo ler os seus pensamentos. Quando estou ao seu lado, consigo trabalhar de forma telepática na evolução parcial de seu cérebro, corrigindo sinapses e massageando os neurotransmissores para não permitir redundâncias neurológicas. Mas não consigo ler os seus pensamentos, muito menos suas emoções”
“Verdade, desculpe, não quis parecer desconfiado. Você é meu amigo”
“Perdoado, não precisa ficar com essas bochechas coradas. Isso me deixa com inveja, você sabe”, brincou Leskat que de fato não gostava da atitude porque as suas bochechas ficavam num tom laranja fosforescente.
“Existe o oposto?”, indagou Wuduee enquanto forçava os olhos contra o sol que nascia mais rápido que o antecessor.
“Perdão. Não entendi a sua pergunta”, Leskat também dirigiu o olhar ao sol, mas os seus olhos mais frágeis arderam em três segundos e o forçou a desviar. “O oposto do quê?”
“De algo mal que se origina do bem?”
“Hummm”, Leskat fazia a pausa enquanto buscava a informação em seu próprio cérebro encarnado, menor devido à microcefalia, mas a carga neural pandimensional fora direcionada para a medula, outra adaptação permitida pelas regras do pacto.
“Sabia que essa pergunta era a mais forte de todas”, comentou Wuduee após três minutos. A média do tempo de resposta era menos de meio minuto.
Leskat abriu um sorriso, mas tinha os olhos pesados, como se sentisse dor no processo que se prolongava.
“Consegui a sua resposta”
“Não esperava menos de você”, Wuduee sempre gostou do amigo e não escondia o afeto que sentia.
“Sim, existe o oposto”
“Uou! Eu sabia. Mas há algum embasamento em alguma enciclopédia?”
“Sim. Pegarei um exemplo recente. Demorei muito para te responder porque testei a qualificação da informação pelos filtros da heurística e hermenêutica”
“E então?”, Wuduee abriu seu sorriso de entusiasta.
“Essa história pode ter o peculiar rótulo de uma crônica, seria uma ‘Crônica do Desagrado’”
“Sendo o desagrado como o objeto do mal inicial?”
“Exato. Essa história se remete a cinquenta e dois anos e quatro meses e dois dias antes de seu nascimento”
“He-he-he, novamente aquele seu recente, não para mim”, Wuduee ainda ria das diferenças entre os dois, como se tivessem se conhecido há poucos dias.
“Pesquise depois sobre o planeta Abdiaae no quadrante C204 da galáxia de SisiKnum II, administrado por uma democracia confluente, mas dividida por dois hemisférios com economias distintas, o que acabou por atrasar seu desenvolvimento. Nossa história tem pé no palácio do duque do hemisfério sul, que em uma de suas festas que costumava dar chamou um de seus colegas empresários para visitar um viveiro que ficava escondido dos olhos de quem não fosse convidado. Imagine agora, caro Wuduee, uma enorme cúpula de vidro, tão grande que caberia oito vezes todas as casas de suas vilas e sete montanhas dessas de tão alta. Agora, a espessura era tão grossa que a tornava blindada. E a parte exterior continha um escudo que camuflava, por isso ninguém a via de fora. Quando o empresário adentrou o viveiro ficou boquiaberto. Seus olhos arregalaram-se para centenas de espécies de aves diversas, umas em galhos de árvores gigantes, outras voando em direção ao vidro. Imagine aves que têm pernas que são três quartos de sua própria altura, e outras que possuem bicos longos o suficiente para engolir cobras de nove metros estendidas. Imagine penas exuberantes que renderiam penachos soberanos aos seus antepassados da aurora de seu tempo. Toda essa beleza encheu os olhos do empresário, que ficou intrigado com tudo o que via. ‘É uma coletânea rara’, disse o duque com um sorriso convencido. ‘Ninguém nessa galáxia poderia ter outro igual, nem mesmo você’. O empresário ficou fascinado por muito tempo com o passeio, realizado por uma passarela que atravessava toda a cúpula, abrindo espaço entre a vegetação. Ele quase ignorou o comentário do duque, mas depois seu humor se alterou e uma espécie de raiva tomou conta de seu peito. ‘Mas, se eu quiser, posso comprar e ter uma coleção maior’, ‘Tente, se conseguir um décimo do que eu tenho lhe entrego até o meu título’, desafiou o duque. O empresário calculou mentalmente e sentiu o peso da derrota, seria um gasto altíssimo para uma disputa feita para poucos olhos. Porém, seu ego ansiava por uma intervenção. Ele desfrutou da visita e das palavras arrogantes do duque com um sorriso falso e elogios improvisados. Assim que retornou ao seu gabinete onde elaborava estratégias comerciais, buscou formas de sabotar o orgulho do duque”
“Sabotagem como uma explosão?”, interrompeu Wuduee.
“Não, de início o empresário até cogitou algum tipo de ato violento ou que tivesse como fim a destruição do viveiro e as aves. Mas era arriscado demais, se houvesse falha no plano poderia perder tudo, já que lhe ensinei outro dia, lembra da história sobre a reputação?”
“Sim, reputação é como um castelo de cartas”
“Exatamente. E empresários costumam ter essa noção, mesmo que de forma subconsciente, pelo menos em Abdiaae”
Wuduee ficou pensativo, a alga em sua mão já estava quase seca. Pegou de uma algibeira presa ao cinto um punhado de erva e a comeu.
“Estou tentando adivinhar o que o empresário fez, mas nenhuma imagem que consigo criar daria certo na resposta para minha pergunta”
“Se quiser aguardo o tempo que desejar, mas logo o sol vai arder sobre nossas cabeças”
“Não precisa, não conseguirei adivinhar. Pode prosseguir”
“Burocracia, esse é o primeiro verbete que nos direciona para a resposta. O empresário era um burocrata experiente. Assim, como grande influenciador dos legisladores do hemisfério sul. Sendo assim, o mesmo obteve sua ideia ao analisar as papeladas mais recentes que impediam seus avanços de exploração em áreas de preservação ambiental. Lutou décadas contra os ativistas que zelavam por florestas, mares e animais silvestres. Em sua mesa continha centenas de petições desses grupos, muitos deles com destino certo de acordo com o seu poder: o arquivamento eterno”
“Tipo um enciclopédia?”
“Não, enciclopédias existem para que a informação seja viva por períodos que transcendem corpos biológicos, mas com o propósito de servir a mentes sedentas por conhecimento. As salas de arquivos de um burocrata são é lugar em que a informação morre, oculta na escuridão, estagnada por um lacre sucinto”
Um som ribombou tal como um forte trovão. As duas crianças olharam para o leste. Um traço cortava o céu.
“Deve ser meu primo Wukaee, mas ele não está atrás de nós porque avisei para minha mãe que iria longe hoje e demoraria mais que de costume. Ele deve estar indo checar a estação autônoma de monitoramento do norte”
Leskat observava a atmosfera úmida resvalando ao longo do metal azul.
“Wukaee, o seu primo que reprovou na segunda fase de aprimoramento de evolução pilota uma nave supersônica”, ponderou Leskat com um sorriso zombeteiro. “Se você continuar com sua dedicação aos nossos ensinamentos poderá se tornar o patriarca não só de sua família, mas também ocupar um cargo importante no sistema de seu povo”
“Como um empresário burocrata?”
“Não, pedra pontuda. Voltemos a história para que você possa sonhar e almejar corretamente”
“Há-há-há, sim, voltemos”
“O empresário burocrata requisitou que uma assistente sênior buscasse as petições  recentes que mencionassem tráfico de aves silvestres. Assim que teve em sua mesa todos os documentos suplicados por entidades ativistas decidiu convidar um representante para oferecer apoio à promulgação de uma lei que proibisse que qualquer ave, fosse do tamanho de uma semente fosse do tamanho de uma montanha vivesse em cativeiro de qualquer tamanho fosse gaiola fosse viveiro em qualquer dos hemisférios. Seu poder de barganha convenceu de imediato outros sócios em outros empreendimentos e servindo-se de pressão econômica levou a cabo e em tempo recorde a votação da lei que intrigou os opositores, no entanto, comprados com outros acordos, ratificaram o processo e sua legitimidade e logo, o rei a qual o duque servia, sancionou a lei, suas condições e punições em caso de violação. Imagina a bifurcação que dá vida à sua resposta?”
“Sim, duas vias. Uma para o mal e outra para o bem”
“O mal surgido seria a vingança consumada. O empresário burocrata delatou para grupos de ativistas que o duque escondia uma coleção particular. Não somente teve sua propriedade invadida e destruída enquanto as aves antes presas puderam alçar voo além da cúpula, como toda a ação foi documentada e divulgada para o público. O duque perdeu seu título e suas posses reais. O empresário foi visita-lo na semana seguinte, com uma espécime rara de ave de rapina sobre o seu ombro. ‘Onde está sua coleção?’, perguntou o empresário, ‘Não a possuo mais, ativistas malditos destruíram tudo que eu tinha’, ‘Que pena, eu queria mostrar a minha. Só tenho este, mas não sabia que sem querer eu o ultrapassei’, ‘Mas, como? Tem uma lei que entrou em vigor nesse ano, e ela é mundial’, ‘Sim, mas a lei é clara quando diz que não podemos mantê-los presos’, ‘Não entendo, então ele não é seu’, ‘Sim, pertence a mim, vive em minha fazenda sem grades ou cúpulas de vidro a impedir que vá para longe. Apenas o adestrei para que não deixasse a minha propriedade, ele voa para vários lugares, mas nunca me deixará. A lei não era contra isso’, triste, o ex-duque apenas concluiu: ‘infelizmente não tenho como lhe entregar o meu título, pois o perdi pelas mãos de meu rei’. E desse diálogo o empresário obteve sua vingança pessoal contra um simples insulto. A outra via, podemos visualizar…”
“Milhares de gaiolas sendo jogadas fora”, Wuduee pulou com os braços estendidos, sorriso puro, exaltando-se numa atitude que uma criança se permitia. “Várias aves voltando para a glória da liberdade, poderem cantar alegria verdadeira”
“Sim, o bem surgido por alguém que tinha como propósito seguir a outra via”
“Mas…”, Wuduee interrompeu o que iria dizer, ficou pensativo por meio minuto. “Ah, eu iria perguntar se isso acontece muito no universo, mas acho que já sei a resposta, é sim, né?”
“Sim, o tempo todo”
“Daí eu penso em outra coisa, se levar em consideração, pelo menos nessa história o bem vence pela quantidade o mal. Esse oposto é quase o equilíbrio perfeito da ideia de que há mal que surge do bem, né?”
“Não creio que há equilíbrio para esses casos”
“Tudo bem, não importa, você já me ensinou sobre os equilíbrios congruentes e incongruentes. Mas dessa história, desse exemplo podemos nos concentrar no que o bem proporcionou, né? No caso, várias histórias felizes surgiram para as aves e o mal que foi feito ao duque  pode ser quase ignorado. Né?”
Leskat meneou a cabeça concordando, mas pensativo e com certo olhar cansado.
“O que foi?”, indagou Wuduee preocupado.
“Nada. Você tem razão. A resposta neutralizou por completo a sua dúvida?”
“Sim!”
“Perfeito. Então como dever de casa ficará incumbido de me trazer exemplos semelhantes”
“Pode deixar, essa será fácil, estou ficando craque nas pesquisas das enciclopédias”
As duas crianças iniciaram a descida da montanha rumo às suas casas. Wuduee à vila em que sua família e gestora do planeta vivia e Leskat à estação subterrânea em que ele e outros membros de Anjos Além da Luz iam restabelecer suas energias.
“Notável o desgosto em sua face esteticamente falha”, observou um parceiro que descansava em uma cápsula disposta na vertical.
“Lecionar e suas consequências psíquicas”, Leskat respondeu enquanto adentrava na cápsula ao lado do parceiro.
“O padrão lógico indica mais um abatimento sentimental”
“É. Esses corpos costumam nos providenciar isso”
A capsula emitiu ruídos ao se fechar com o comando interno. Leskat confirmou o sono criogênico por pelo menos dois dias. Antes que seu corpo fosse induzido ao relaxamento total ficou imaginando sobre o que ensinou naquele dia ao jovem Wuduee e como o tal oposto que ele gostaria de saber trazia a tona a real intenção dos Anjos Além da Luz em auxiliar a evolução de seu povo.
Desde o descobrimento dos povos primitivos de Wuduee, uma simulação indicou que se providências não fossem tomadas, eles se tornariam inimigos mortais num futuro distante, mas que em termos de relatividade cósmica, seria prejudicial ao legado. Dessa forma, a tal evolução os forçaria a uma posição que os manteriam subjugados e a um passo de se tornarem servidores eternos com a etapa de dizimação total como objetivo final.
“Uma maldade”, pensou pesaroso Leskat. Tal informação não constava em nenhuma enciclopédia, mas era um conhecimento coletivo.
Mas o ânimo inocente de Wuduee o acalmou, pois a conclusão dele indicava que todas as generosidades e bondades tornavam a via do bem mais extensa. E é lógico, a não menos importante amizade, essa que se tornava mais densa conforme o sóis nasciam e se punham.

Snowden

“O preço da liberade é a eterna vigilância”
Autoria: Aldous Huxley ou Thomas Jefferson

Tá bom, essa frase deve ter sido a mais utilizada em artigos ou discussões sobre o caso Snowden. Tanto como a indagação posterior mencionada na música All along the Watchtower de Bob Dylan: “Who watches the watchmen?” (Quem vigia os vigilantes?)
Desde que o ex-agente da CIA e analista de sistemas da NSA revelou ao mundo o alcance de espionagem de comunicação em massa instaurado pelas agências de segurança após os fatídicos ataques de 11 de setembro, a internet foi inundada com artigos, colunas e discussões sobre a moralidade de tal uso da tecnologia para manter a Terra dos Bravos livre de novos ataques.
Esse árabe que vos escreve deve ressaltar que na época não ficou surpreso como muitos, pois a ideia já era palpável desde os primórdios da internet.
O que me deixou de certa forma consternado foi o tratamento da mídia sobre os fatos. Poucos veículos se esforçaram em se focar no uso abusivo da tecnologia, a maioria explorou mais as revelações como produto comercial para as massas menos críticas. Preferi acompanhar o desenrolar mais pelo The Guardian, jornal inglês que teve papel importante na deserção do ex-agente e elaboração de divulgação inicial das ditas revelações.

Nesse ano, será lançado o filme que nos conta em formato de Thriller a história da deserção de Edward Joseph Snowden sob a direção de Oliver Stone, conhecido como cineasta transgressor por sua obra que retrata o american dream com outros olhos (vide Platoon, filme baseado em suas experiências como soldado na guerra do Vietnã)

O trailer tem aquela montagem de suspense comercial que já estamos cansados de ver. Mas o elenco deixa no ar uma expectativa positiva do capricho da trama.
Quem interpreta o personagem título é o ótimo Joseph Gordon-Levitt (50/50,  Looper), que não é tão parecido com o real como foi o Ashton Kutcher-Steve Jobs em Jobs, mas o esforço de deixar o timbre e o modo falar similar confirmam o seu talento como um dos melhores atores do momento.
Até o Nicolas Cage parece estar em um papel bom, mesmo que seja uma pequena aparição.

O assunto dá pano pra manga, e esse post viraria um imenso artigo, então prefiro indicar um material se você se interessou pelo filme e quiser saber mais.
Eis um esquenta:

Citizenfour: Lançado em 2014 foi vencedor do Oscar 2015 na categoria Documentários. É uma série de entrevistas com o próprio Snowden antes, durante e após as revelações, realizado em parceria com os jornalistas colaboradores da divulgação. Pelo documentário já dá pra se ter uma ideia da amplitude do esquema de espionagem e suas consequências.

G1: Como a terra do Tio Sam vigiou muito as terras tupiniquins temos material de sobra e vontade de saber mais sobre esse assunto, né mesmo?

The Guardian: Todas notícias e artigos (em inglês) vinculadas ao ex-agente. O jornal inglês The Guardian teve participação fundamental na elaboração da divulgação.

Snowden balançou os alicerces da forma como os norte-americanos viam tratando os conceitos de liberdade entrelaçada com a vigilância após a criação da Lei Patriótica (USA PATRIOT Act).
Tornou-se um ícone talvez mais emblemático que Julian Assange, fundador do site WikiLeaks. Teve lagosta batizada com seu nome, estátua feita por ativistas, indicações ao Nobel da Paz, nomeações como reitor de universidade e membro de grupos e fundações de proteção a liberdade de imprensa e comunicação.
Mas sua luta ainda não terminou. Snowden não conseguiu o perdão presidencial e segue exilado na Rússia em endereço sigiloso devido às inúmeras ameaças de morte que recebeu. E alguém que é cultuado pela coragem de ter largado e arriscado tudo pela consciência da liberdade não deve estar muito feliz de viver num país controlado por Putin.
De POTUS para Putin, Snowden vive um drama angustiante desse entrelaço político de nações controladoras, não a toa brincou assim que entrou no Twitter e recebeu boas vindas do astrofísico Neil deGrasse Tyson:
“Obrigado pelas boas-vindas. E agora nós temos água em Marte! Você acha que (em Marte) eles verificam o passaporte na fronteira? É para um amigo.”

A estreia nos EUA está marcada para 16 de setembro, que semana sugestiva, não?
Veremos se o filme segura a bronca.

Potus

@Potus: “Hmm, Not bad, Mohanad. Até que esse post foi moderado”

Ma’a salama