O Regresso

Não é de hoje que existe um lobby popular demandando o prêmio de melhor ator ao Leonardo DiCaprio. É só procurar a quantidade de memes, gifs e comentários a respeito.
E também não é de hoje que o ator realiza trabalhos grandiosos e conquista o respeito dos espectadores. Vejo o talento do queridinho das meninas desde Diário de um Adolescente (The Basketball Diaries, 1995), a trombose Titanic foi um marco que o ascendeu aos top’s.

Amo vocês!

Amo vocês!

Mas no decorrer dos anos, quando o diretor Martin Scorcese o adotou tal como Tim Burton fez com Johnny Depp, o rapaz atingiu o seu apogeu com filmes corrosivos que desafiavam sua capacidade de manter vivo o personagem.

O Regresso (The Revenant) é dirigido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu, que acompanho com atenção seu trabalho desde 21 Gramas (21 Grams, 2003) e foi o ganhador das estatuetas de melhor diretor e filme na cerimônia do ano passado por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância).
O filme tem grande apelo com fotografia exuberante, cenas que feitas ao que parece com grande-angulares, explorando um ambiente que ao mesmo tempo é belo e estonteante é agressivo e opressor.
O impacto seja maior talvez por saber que o se vê na tela é baseado em uma história real. Dá pra sentir a desgraça de Hugh Glass que ganhava a vida comercializando peles de sua caça e também explorando o oeste dos EUA quando é atacado por um urso e depois é deixado pelo companheiro Fitzgerald interpretado por Tom Hardy que concorre como melhor ator coadjuvante.
E então podemos dividir o filme em três atos, sendo o início o momento da remoção da zona de conforto dos personagens, o meio todo um momento de dor e fúria pela infelicidade da traição, de ver seu filho mestiço ser morto, as feridas serem um chamariz para a dona morte e toda a força vinda de dentro, de memórias sobre a sua falecida esposa e pilhagem de crânios lembrando que a época era sangrenta e variada em genocídios, e o fim a mostrar a consumação da vingança, sendo ela realizada pelas mãos de Glass ou ficando ao cargo de Deus.
O Regresso é o exibicionismo de um homem lutando a todo o tempo contra as desgraças que estas abertas ao mesmo. Há cenas de desespero como a do ataque da mãe urso. Há cenas de desdobramento ao estilo “é o que tem pra hoje”, como quando arranca as vísceras de um cavalo e se abriga em seu corpo para não morrer de frio e se esconder de inimigos do Novo Mundo.

Dor e força

Dor e força

A marca do diretor é sempre perceptível com as cenas com poucos cortes (Birdman tem esse recurso explorado ao máximo), closes a cada infortúnio e gota de sangue derramada do personagem de DiCaprio. Porém, em minha humilde opinião, o filme tem uma pegada mais comercial em relação aos seus anteriores.
Ele está como um dos favoritos ao prêmio de melhor filme, mas creio que Spotlight vá levar a estatueta.
Ao menos, parece que Leo DiCaprio vai ganhar essa. O desempenho é notável. A torcida, exponencialmente maior.

Ma’a salama

Spotlight – Segredos Revelados

Durante o conclave, antes de anunciarem o Papa Francisco como o novo pontífice publiquei uma imagem baseada nas buscas do google. Sim, era uma crítica ao alvoroço quanto a revelação do líder da igreja cristã mais poderosa do mundo, e ao mesmo tempo mais obscura por seus segredos e seu papel na história da humanidade na época medieval.

 

Euforia passageira, angústia eterna

Euforia passageira, angústia eterna

Uma amiga católica entrou em debate comigo e não acabou ali, por muito tempo persistiu a me espezinhar apontando links sobre o quão humilde era o novo papa. Eu apenas sentia que a surpresa de tais se tornavam grandiosos diante do aspecto rígido e ostentador da santa igreja.
Até então ao longo dos anos o Dalai Lama sempre esteve aí, não?

Esse post não é pra iniciar uma discussão religiosa. E fiquei com essa convicção quando assisti a Spotlight – Segredos Revelados. Cujo elenco tem a lindíssima Rachel McAdams, o perturbado Mark Ruffalo (o Hulk dos Vingadores) e Michael Keaton como os principais jornalistas da divisão Spotlight (“holofote”) do jornal The Boston Globe.

Vemos que os envolvidos na reportagem investigativa não tinham interesse em atacar a cristandade em si, embora tivessem mirado no sistema com o intuito de atingir de forma top-down, mesmo quando já tinham em mãos uma lista de 50 padres pedófilos somente na cidade de Boston. Mesmo com uma possível perda da exclusividade quando o concorrente The Herald começou a sua própria investigação.

Spotlight é sobre ética e compromisso jornalístico, diria até mais intenso que o clássico Todos os Homens do Presidente (All the President Men), principalmente quando vemos os personagens sendo pressionados por membros de alta influência da cidade, de advogados a policiais e até membros dentro do próprio jornal.
Quando são realizadas as entrevistas com os abusados que não cometeram suicídio e se mantém na jornada de uma vida digna.
“Como você diz ‘não’ a Deus?”, é uma das frases que são como uma joelhada na boca do estômago.
Ou quando um deles descobre que um dos investigados mora ali, depois da esquina e um tanto chocado cola um aviso na porta do refrigerador alertando os filhos a não se aproximar da residência.

Quando a primeira edição saiu com o “escândalo”, a tendência escalar transbordou e revelou centenas de casos ao redor do mundo, libertando vozes em coma, vidas em eterno desespero pela inocência roubada.
Mostrou um esquema elaborado da própria igreja para acobertar os acusados gastando milhões com honorários advocatícios e remanejamentos.

 

Compromisso com a verdade, até mesmo quando ela dói

Compromisso com a verdade, até mesmo quando ela dói

O papa Francisco é a figura que todo o líder religioso deveria ser em tempos como esse, mas “pedir tolerância zero” se torna apenas vista grossa, principalmente quando não se toma claras e rígidas ações ao anúncio do Vaticano de que os bispos católicos não são obrigados a reportar abusos as autoridades.
Spotlight não é intriga da oposição (ateus, protestantes, anticristos ou cientologistas), mas sim um filme que mostra que o jornalismo sério e comprometido se faz necessário, e convenhamos, até mesmo para o sistema da ICAR, seja por manter seus templos ou o mais importante que podemos encontrar nos versos dos testamentos que preza pelo amor ao próximo, e que se não puder garantir a salvação dos mesmos, que não os deixe viver uma versão do inferno ainda na Terra.

Ma’a salama

Ponte dos Espiões

Nessa edição do Oscar Steven Spielberg bateu o recorde de indicações na categoria de melhor filme, a saber: Ponte dos Espiões (Bridge of Spies, 2015), Lincoln (2012), Cavalo de Guerra (2011), Cartas de Iwo Jima (2006, como produtor), Munique (2005), O Resgate do Soldado Ryan (1998), A Lista de Schindler (1993), A Cor Púrpura (1985), E.T. O Extra-Terrestre (1982).
Esse feito ao meu ver é um mero detalhe diante do que ele produziu no mundo da sétima arte. Fica apenas como uma curiosidade ou pequeno item na lista de sua proeza como cineasta prolífico.

Hanks e Spielberg: Ponte dos Espiões

Hanks e Spielberg: Ponte dos Espiões

Com as mãos dos irmãos Coen no roteiro (Onde os Fracos Não Têm Vez, Queime Depois de Ler) o filme mostra a história baseada em fatos reais do advogado James Donovan interpretado por Tom Hanks, que é introduzido como um homem de família pacato especializado em seguros e que há anos não se envolvia com defesa penal, mas que por ser sócio de um grande escritório de advocacia é sugerido como defensor de um espião russo capturado em solo americano em uma época (1957) em que os EUA e a antiga URSS temiam mutuamente sua capacidade nuclear e intenções diante de avanços pelo globo. Em escolas primárias americanas são exibidos filmes de testes nucleares realizados no Novo México e os efeitos devastadores de uma possível guerra nuclear.
A voz do povo era clara com a situação, qualquer espião capturado deveria ser executado, e o departamento de Defesa deixa claro a James Donovan que o cargo de advogado seria apenas decorativo.
Sensibilizado ao conhecer, mesmo que minimamente o réu, Donovan se empenha em defende-lo de modo real, causando atrito com todos os envolvidos, além de ter sua popularidade, as pessoas no trem passaram a encara-lo com menosprezo diante da traição à bandeira.
O que torna o filme especial não é o homem de família contra os mundos em disputa, e sim um argumento posto contra um agente do serviço secreto em que solicitava que deixasse de ser “certinho, pois não temos um livro de regras”, e Donovan põe em xeque ao dizer que ambos são descendentes de famílias estrangeiras, no caso dele irlandês e do agente alemão, e nivela ambos ao indagar “o que nos torna americanos?”, e não meus caros amigos, não é propaganda imperialista e sim o belo e velho momento racional em que homens podem se sentir iguais aos olhos da justiça, Donovan diz que o os ampara e dá respaldo à atribuição de cidadãos americanos é realmente um livro de regras, conhecida como Constituição.
Não sendo um nocaute, Donovan tem outros méritos no filme, como o argumento de que o espião deve ser mantido vivo para que num futuro pessimista, pudesse ser objeto de troca com um espião americano capturado nas terras da Vodca.

Abel e Donovan: o espião russo tranquilo e o advogado persistente

Abel e Donovan: o espião russo tranquilo e o advogado persistente

O que ocorre quando um piloto de um avião U-2 é capturado após ser abatido enquanto tirava fotos de uma instalação industrial suspeita dos inimigos. O detalhe é que os pilotos levavam consigo uma moeda de um dólar com um alfinete com cianeto de potássio para arranhar em qualquer parte da pele para findar sua vida caso a queda fosse uma conclusão inevitável. Ao saber que foi capturado vivo, o piloto passa a ser odiado por seus conterrâneos e Donovan sente que seu argumento de manter o espião russo vivo se tornou adequado, não fosse outro americano ser capturado em Berlim na época que foi edificado a famosa Cortina de Ferro.
Além das tensões crescerem e Donovan ter que viajar para a Alemanha separada em segredo pela segurança da família, há dezenas de elementos que vão se desdobrando de modo tímido, mas que rende a uma observação interessante se tu for um amante dos fatos históricos.
Ponte dos Espiões é um filme firme ao estilo Spielberg, como fez outrora com A Lista de Schindler, Munique e Lincoln. Retratando os sacrifícios e anseios de um “Homem Persistente” nos valores universais mesmo que dois mundos estejam prontos para iniciar um duelo que não deixaria ringue para um vencedor.

Ma’a salama!

Perdido em Marte

“Comédia?”, indagou Ridley Scott ao pegar o Globo de Ouro de melhor filme de comédia desse ano por Perdido em Marte (The Martian).

Adaptado do livro de Andy Weir com um ótimo visual e fotografia que o diretor capricha em cada longa de sua carreira recheada de obras-primas.
O personagem de Matt Damon tem a redenção do papel interpretado em outra obra de ficção-científica, Interstelar, não por uma atuação ruim, mas por motivos que seria deselegante comentar aqui.
O início do filme já nos deixa claro que o homem está em solo marciano, uma equipe bem-humorada trabalhando nas análises do planeta vermelho para uma futura colonização. O astronauta Mark Watney (Matt Damon) é um botânico que estuda as propriedades férteis da nova terra e em entre uma piada e outra sobre sua função junto aos outros membros da equipe uma tempestade se aproxima forçando a todos a abortarem a missão devido a uma previsão incorreta.

Quando a capitã ordena o retorno para e eles formam uma fila com os macacões sincronizados uma antena se descola pela força das ventanias de dióxido de carbono, nitrogênio, argônio e quem sabe algumas gotículas de água, Mark é atingido e seu corpo voa longe dos amigos que apenas recebem um sinal do sistema sincronizado indicando que a roupa foi perfurada e em menos de um minuto sua vida se findaria.
Daí vemos o clima pesaroso do retorno da equipe, um funeral com caixão vazio na Terra organizado pela Nasa, até que… Mark acorda e se vê sozinho em Marte. “Perdido” é um exagero marqueteiro como vários outros subtítulos são trazidos a esse mundo.

E sim, o filme tem muita comédia pra nos distrairmos do destino desolador do pobre coitado, não antes é claro de ter uma cena gore que poderia estar em um filme do Alien.
Quando descobrem que Mark não morreu o enredo se divide em dois calendários: o marciano, em que o astronauta tem que dar jeito de plantar para gerar comida por quatro anos e o nosso calendário, com prazos e recursos realistas, problemas de gestão e prestação de contas (a Nasa é uma empresa pública e exige uma gama de regras de transparência para com os cidadãos).

O Tom Hanks não vem me resgatar

O Tom Hanks não vem me resgatar

 

Vemos a dedicação de Vincent Kapoor (Chiwetel Ejiofor) liderando junto com Teddy Sanders (Jeff Daniels) e Mitch Henderson (Sean Bean; “Não é tão simples assim”) e outros tantos cientistas engajados na missão e o que entrou de bicão com uma solução para o momento final, o jovem Rich Purnell (Donald Glover).
Damon atua de forma tranquila e com muito humor, até demais para a sua situação, a cada problema se esforça para encontrar uma solução, a criatividade deixa de ser aguardada e se torna uma ferramenta do dia a dia.
Quando consegue cultivar batatas em solo marciano se intitula o primeiro colonizador de Marte, amparado por tratados daqui.

Batatas de Marte: o planeta em que o pacote de Ruffles terá mais batatas do que ar

Batatas de Marte: o planeta em que o pacote de Ruffles terá mais batatas do que ar

Há companheirismo, até mesmo um pouco forçado em termos políticos, como a agência chinesa se sensibilizar com a situação e tomar a decisão de ajudar e lançar mão de um projeto de propulsão secreto.

Ok, o filme é sobre a beleza do ser humano se juntar e eliminar as barreiras das linhas imaginárias, afinal, vistas de cima, um astronauta não as enxerga, bem disse uma vez Marcos Pontes.

Ma’a salama

A Grande Aposta

A Grande Aposta (The Big Short) tem uma estética peculiar, em certos momentos pode parecer um documentário, tem pitadas aqui e ali do estilo, mas a narrativa de personagens como o de Ryan Gosling, e os dramas dos de Christian Bale, Steve Carell e Brad Pitt quebram essa percepção, tanto mais o mérito de utilizarem a quebra da quarta barreira (quando o personagem fala com o público) em cenas que tendem a explicar da forma mais informal e hilária os conceitos do mundo financeiro e que estavam à deriva, mas não inofensivos, até a crise mundial de 2008.
Vemos Margot Robbie (a loira gostosa de O Lobo de Wall Street) em um banho de espuma explicando sobre títulos com hipotecas de alto risco. Vemos o chef Anthony Bourdain explicando Obrigações de Dívida Colaterizada comparando com sobras de um peixe que sobrou e que para não perder o produto se tornou um ensopado em que seus clientes comeriam sem problema. Vemos Selena Gomez com um PhD em economia explicando sobre C.D.O. (Obrigações de Dívida Colaterizada) sintético num cassino com um jogo de Vinte e Um, essa é a melhor na minha humilde opinião e me deixou claro o absurdo do que se permitia e como tudo iria se colapsar.

Relaxa que te explico

Relaxa que te explico

Michael Burry que é o personagem de Christian Bale foi quem previu ainda em 2005 a tendência desse colapso. Um sujeito com uma vida introvertida e nada social, devido ao que ele tenta justificar com a perda do olho e a substituição por um de vidro quando era criança. Em seu escritório notamos sua obsessão nas análises e na vontade apostar contra os bancos, e com base nesse desenrolar de sua audácia que os outros personagens vão entrando em cena.
Há perícias em áreas em que vão se notando abandonos de lares por não terem como pagar a hipoteca. Pessoas que fogem e não levam nada, que deixam um “Desculpe” a caneta circulando o total da dívida no boleto. Um jacaré numa piscina, a cena parece um tipo de prelúdio indicativo que a natureza tomará seu lugar quando o mundo dos homens arruinar por seu complexo sistema caótico.

A trilha sonora é permeada com Hip Hop e Rock, mais rock na verdade, há Metallica, Guns ‘N’ Roses em harpa, Mastodon, cover (ou tributo) de Nirvana. Como se toda a trama fosse um relato rebelde do que aconteceu na época, quando homens estavam se arrastando com suas planilhas num mundo em que muitos negavam ou simplesmente tiravam sarro das previsões pessimistas da crise financeira.

Em diversos momentos, o fato dos dramas dos personagens estarem divididos pode ficar um pouco confuso e disperso. Carell é um executivo disfuncional, sentindo a perda do irmão que em último contato apenas ofereceu dinheiro emprestado como se isso fosse o grande valor que preenche a vontade de viver. Pitt é um ex-banqueiro de certa forma paranoico que come apenas o que cultiva, Bale enfatizando sua vida anti-social e seu confinamento no escritório, Gosling narrando de forma a deixar claro que só está na jogada pela sua parte do bolo. Não há tempo de se aprofundar em nenhum de forma contemplativa, há sim peso, mas o ritmo e o formato tornam esses momentos oscilantes.
Há uma tênue divisão de capítulos no filme, com epígrafes de Mark Twain e Harumi Murakami, por exemplo, e mais uma vez temos a impressão do estilo documentário quando a trama vai se aproximando do desfecho.

Apostar contra os bancos não é moleza

Apostar contra os bancos não é moleza

No fundo, A Grande Aposta é um bom filme para quem quer compreender de forma mais informal e com mais humor o que sucedeu na época e o porquê das coisas terem falhado.
Se tu pretende assistir ou já assistiu sugiro ainda o documentário Trabalho Interno (Inside Job) narrado por Matt Damon e o filme O Dia Antes do Fim (Margin Call). Ambos pincelam os acontecimentos da fatídica crise financeira de 2008, que na minha opinião, ainda será pano de fundo para muitos outros dramas, afinal, esse papel colorido parece deveras importante em nossas vidas, infelizmente o modo como lidamos com ele é exponencialmente mais irresponsável…

Ma’a salama

O Despertar da Força

Kylo Ren é um Sith
Kylo Ren é Luke Skywalker
Kylo Ren é filho de Luke Skywalker
Kylo Ren é filho de um stormtrooper que se exilou
Kylo Ren é filho de Han Solo com Leia
Kylo Ren é uma distração dos trailers
Kylo Ren é morto por Poe Dameron
Kylo Ren é vítima do complexo de messias

George Lucas está curtindo a aposentadoria do universo da space opera mais popular do universo (estamos sozinhos nessa imensidão até agora, né?). Após vender os direitos para a gigante Disney por humildes 4 bilhões de dólares, e em dias de sol deve curtir um bronzeado no rancho Skywalker, talvez torcendo para manter o casamento e não ter que enfrentar outro divórcio, e de alma lavada por ter finalizado a saga dez anos atrás.
Um pouco inconformado ficou ao ter suas sugestões ignoradas quando prestou serviço de consultor para os novos filmes, mas o seu legado não será esquecido.

BB-8 é um agente duplo
BB-8 é uma evolução do R2-D2
BB-8 é da família do R2-D2
BB-8 é portador de um fator decisivo da trama
BB-8 é puro capricho estético
BB-8 é lavagem cerebral pra inflar merchandising

JJ Abrams deve estar tomando remédios para dormir, a data de estreia está a menos de uma semana, e o diretor sente seu nome linkado a uma franquia bilionária e considerada um dos pilares da cultura nerd mundial.
A experiência no mundo hollywoodiano pode de certa forma lhe acalmar, são anos de pressão a cada novo projeto. Sobreviveu ao levante idólatra dos trekkies (digo, trekkers) então deve estar crente que essa será a fronteira final de sua carreira, pois se sobreviver a isso, nada mais o derrubará.
As teorias são muitas, repuxadas pela expectativa e ansiedade de muitos fãs de várias gerações. Mas JJ Abrams também está acostumado à antecipação dos especialistas e mantenedores de estandartes de fandoms. Quando Lost atingiu níveis de audiência exorbitantes e abriram espaço para os fãs discutirem a série, milhares de postagens iniciaram um debate extenso sobre o que era a ilha e a condição dos que ali estavam, e as possibilidades quase se esgotavam, ao ponto de que alguém poderia ter acertado a opinião. Mas no fim, não foi o que ocorreu…

Mas infelizmente, além de toda pressão pela expectativa e receio de ser comparado a uma retomada morna como muitos criticaram o episódio 1 em 1999, JJ Abrams acompanha as polêmicas envolvidas nessa empreitada.
De detalhes técnicos como o uso excessivo do efeito flare (defeito ótico quando a luz entra diretamente através das extremidades da lente, causando manchas de luz em formas circulares ou hexagonais), no qual pediu desculpas publicamente dizendo que a edição final seria reduzida ao máximo a sua marca registrada e mantidos somente os necessários.
Até o racismo explícito, proeminentes em comentários em fóruns sobre o protagonista interpretado pelo ator John Boyega (“Ataque ao prédio”) ser negro,  e recentemente centro de discussões na versão chinesa do pôster, onde ele e o Chewbacca parecem não ter muita importância:

Versão chinesa: "Não é racismo. É apenas..., é um..., é..."

Versão chinesa: “Não é racismo. É apenas…, é um…, é…”

 

Estressado JJ Abrams está (juro que não tentei parecer o Yoda).
Se os Fandoms estivessem mais preocupados em confiscar as credenciais nerd de indivíduos que se dizem fãs da saga épica (que conta uma estória com forte apelo fantástico e com valores sobre a luta do bem contra o mal em uma galáxia múltipla em diversidade racial, étnica e cultural) e ainda pedem intervenção militar em debates políticos e expressam seu racismo e fascismo gratuitamente, o diretor poderia ter uma preocupação a menos e estar focado no trabalho a fim de entregar o resultado final com a devida qualidade que nós aguardamos com ansiedade, mesmo sabendo que tudo está ligado a uma imensa indústria de cultura pop para massas vistas no final das contas pelos grandes estúdios como consumidores.
Mas, a essência de sermos fãs dessa saga são os valores dessa tal de Força, intrínseca em nosso ser (mesmo que ambígua, mas não babaca e discriminatória), e que adoramos compartilhar mesmo com esse panorama épico e fantasioso não somente para nos entreter, mas para que continue desperta, seja nesta e nas galáxias muito, muito distantes.

Ma’a salama!

Ansioso para assistir Pornô

Pornô

Pornô

Ah… a adolescência!
Hormônios, puberdade, mudanças no corpo, experiências e descobertas. Ninguém se isentou desses momentos difíceis.
Blah! Preambular mais clichê, mascado e vagabundo. Vamos ao que interessa.
Não estou aqui para falar da adolescência e o conceito universal do qual todo ser humano é obrigado a passar. Só lembrei dessa época porque li uma notícia que mexeu com a minha bela e eterna amada lady ansiedade.
A lembrança se remete quando morava em Jales, cidade do interior, e nas sessões de filmes que alguns professores organizavam para conscientizar a molecada sobre os efeitos de drogas e sexo da qual a fase tende a lançar convites descompromissados.
Filmes como Kids e Christiane F tinham como missão chocar as cabecinhas que assistiam vidrados, alguns colegas se perderam na vida, mas a tentativa foi válida.
Dentre os filmes exibidos em VHS na salinha do subsolo, o melhor e o que mais me marcou foi Trainspotting – Sem Limites (Transpotting), dirigido por Danny Boyle (Quem quer ser milionário, Jobs) tendo como ator principal Ewan McGregor em uma trama intrigante, polêmica, chocante, regado a sexo e muita, muita heroína, além de uma trilha sonora fodástica com músicas de David Bowie, Iggy Pop e a apaixonante Born Slippy.
Tal filme me cativou tanto que comprei o original antes mesmo de ter um dvd player.
Lançado em 1996, o filme é uma adaptação do livro homônimo do escritor escocês Irvine Welsh, que sabe dosar humor em situações sem falso moralismo de forma que o leitor consiga adentrar o universo da geração de jovens dos anos 90 (Década perdida? Ganharam nesse quesito da 80?)
Transpotting tem continuação em livro, que é Pornô (Porno), cuja história narra os personagens do primeiro uma década depois, com os mesmos ingredientes que tornaram o filme célebre mundialmente, exceto que o tema central é que um dos personagens, Sick Boy, torna-se um empreendedor do ramo de produções pornográficas.
Alguns meses atrás o diretor Danny Boyle confirmou boatos ao dizer que o próximo filme a dirigir será Pornô e que todos os atores de Transpotting contribuirão para tornar a sequência esteticamente mais fiel.
E aí esse árabe que vos fala ficou extasiado, e louco para querer saber a data de lançamento ou mais detalhes da produção que ainda nem começou a ser rodada.
Agradeço informações e novidades sobre tal.

Ma’a salama!

Chega de Dragões!

Alien

Alien

Estava a vasculhar a rede em busca de alguma informação sobre Prometheus 2, a continuação do filme lançado em 2012, cujo título do primeiro se referia à nave espacial a abrigar uma missão interplanetária em busca da origem da vida na Terra e seus criadores, mas quem assistiu ao primeiro sabe que ficou estranho o “2” ao invés de criar um novo título para o seguimento da prequel.
Mas, que seja.
O longa foi muito massa, apesar de algumas lacunas e deixas, e matou a sede de fãs apaixonados pela franquia Alien, ícone da ficção científica com forte apelo ao suspense e terror responsabilizado pelo visual e das artes oriundas do panorama mórbido e onírico do artista plástico suíço H. R. Giger (Hans Rudolf Giger), falecido em maio de 2014.
O que chamou a atenção nas recentes entrevistas foi a declaração do diretor Ridley Scott que disse que o visual emblemático e histórico do cinema já o cansou, tanto ao ponto de que se visse outro dragão novamente “daria um tiro em si mesmo”.
E ainda prometeu que a sequência terá uma nova versão do alien com um visual inteiramente novo e com a pretensão de ser tão assustador quanto ao original, estrelado pela primeira vez em 1979.
Sabe-se lá porque a versão draconiana saturou o olhar do diretor veterano da FC no cinema. Mas acho que toda a tentativa de inovação é válida, deixemos as críticas para quando sair o filme.
O problema é que a expectativa é uma merda, e esse tipo de declaração pode ser puro marketing que exige estardalhaços para vender o peixe.

Pois é Scott, Prometheus tem que cumprir!

Ok, péssima piada, ainda bem que não sou dado a humorista.

 

Ma’a salama!

Steve Jobs Forever

“Quem faz Ciência da Computação são aqueles que vão criar algo, mas não sabem para o quê aquilo vai servir. Os que fazem Sistemas de Informação vão olhar para o que criaram os cientistas da computação e estalam os dedos dizendo: ok, vamos aplicar e monetizar essa coisa”
Essa foi a introdução do professor de Cálculo na minha primeira aula de Sistemas de Informação na universidade Mackenzie. Não tardou a descobrirmos que o tal professor nutria maior afeto e simpatia pelos alunos de Ciência da Computação por serem “mais inteligentes na escolha”. Vai entender.
Mas a frase foi melhor compreendida quando ainda na primeira semana outro professor exibiu o filme Piratas da Informática (Pirates of the Silicom Valley), que esclarecia o nascimento de um conceito computacional voltado para as grandes massas e ampliado ao entretenimento focando nos dois ícones da era digital, a saber Bill Gates e Steve Jobs.
Ambos entendiam que o conceito da época difundido principalmente pela gigante IBM, voltado às indústrias e aos grandes negócios, devia ser modelado para o uso pessoal.
É claro que o afobamento idólatra que muitos carregam acaba cegando para o fato que os ditos groundbreakers não foram os primeiros a pensar na ideia, tanto que as biografias e os filmes fieis à reconstrução histórica mostra o dedo do zeitgeist cutucando o destino, como bem vemos em Piratas da informática as convenções em que eram exibidos os novos experimentos computacionais do momento.
O que mais gosto nesses filmes, além de conhecer os fatos históricos, é entender motivações, desempenho e como tudo se relacionou com a vida pessoal daqueles que se dedicaram em mudar algo no mundo, o que a máxima atribuída ao Jobs “As pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo são aquelas que o mudam”, slogan de um comercial da Apple de 1997 da campanha Think Diferent, nos diz sobre os groundbreakers é a existência de resistência em todo o caminhar da renovação ou revolução.
O filme Jobs de 2013, com Ashton Kutcher, foca totalmente na vida do criador de uma das maiores empresas do mundo, muitos sabem que a Apple acumula cifras na casa dos bilhões e está entre as grandes detentoras de patentes digitais.
Mas o filme, que não é ruim, tinha o aspecto de ser um Piratas da Informática parcial, com a vida do Steve Jobs recebendo toda a luz dos holofotes sem um mísero segundo mostrar o outro ícone desse meio. E aí você pode dizer, mas o nome do filme é Jobs né Mohanad, você deve gostar mais do Bill Gates e ficou se doendo por ele não aparecer no filme.
Sim e não.
Sim, pois me atento mais à figura do tio Bill do que o marqueteiro Jobs pelo seu legado de expertise do mundo corporativo e seu empenho no ramo filantrópico.
Não, porque era natural que o filme fosse o show para fanboys da Apple e daqueles que idolatram o Steve.
Mas o que deixou a desejar são os gaps de comportamentos de sua vida entre importantes momentos da carreira. Como os despontamentos da biografia escrita por Walter Isaacson, que possui tons imparciais e chumaços de detalhes que, tudo bem, estavam ali porque o tomo ultrapassa 600 páginas. O que sustenta a opinião de muitos que consideraram o filme como o definitivo que retrata a vida desse ilustre marqueteiro.
E eis que surge o trailer de Steve Jobs:

 

Tudo bem que o filme de 2013 ganha quando o ator já é muito parecido com o personagem, mas Michael Fassbender vem cativando cada vez mais com as suas atuações e dificulta o pensamento de que poderá desapontar nesse papel.
O problema da expectativa é que no mundo real a figura do groundbreaker pincelada pelo mundo corporativo sempre leva a melhor na queda de braço. Dificilmente será 100% fiel à biografia de Walter Isaacson, e atenta-se principalmente pelo fato de manter eternamente acesa a idolatria àquele que preferiu se dedicar à imortalização até o último suspiro do que descansar e se recuperar de um câncer raro (no pâncreas) ao lado da família e dos amigos.
Tanto mais quando a empresa que fundou enfrenta um momento de difícil ocupação no primeiro lugar do pódio de simbologia no mundo da inovação tecnológica, apesar das cifras bilionárias.
O próprio Jobs criticava no Piratas da Informática a idolatria aos deuses mortos e ao perigo do domínio do Big Brother, tudo uma alusão à gigante IBM,  mas parece que no fim, sua empresa e figura acabaram por se tornar o que tanto o incomodava quando iniciava sua longa caminhada pela trilha da inovação.
Bateu uma vontade de parafrasear Nietzsche, mas acho que não se faz necessário.

Ma’a salama!

Cavaleiros de Sidonia (Knights of Sidonia)

Acabei de matar a primeira temporada de Cavaleiros de Sidonia (Knights of Sidonia), anime produzido pelo estúdio Polygon Pictures, e localizado para o ocidente pelo Netflix, estreado no ano passado e com a segunda temporada recém-iniciada em abril deste ano.
O resumo do enredo é a luta dos humanos contra Kaijus, tema explorado até a última gota pelos japoneses, e que mesmo assim não cansa os olhares de pessoas como este árabe que vos fala.
Amigo meu indicou o anime falando que era um Neon Genesis Evagelion no espaço. E sim, Cavaleiros de Sidonia é uma homenagem-referenciada-evoluída de NGE quando fica muito evidente as comparações de alegorias entre os dois.
Com uma mão na roda daria para montar uma tabela comparando o que tinha no primeiro que é NGE (1995, se não me engano) e o que está exposto com outros nomes no segundo.
Os Kaijus têm definições próprias, tanto em NGE quanto em KOS: Angels e Gaunas respectivamente.
Mas além de toda comparação, o argumento de Cavaleiros de Sidonia tem um aspecto mais sombrio pelo simples motivo de se passar num futuro distante, em que a Terra foi destruída pelos Gaunas e que a humanidade teve que se refugiar em gigantescas naves pelo espaço afora. Sidonia do título é uma dessas naves. Porém, o plural perde vigor quando não se têm notícias das outras naves há séculos, elevando o receio da extinção total.
Os meios de defesa são robôs gigantes chamados Guardians, mas em escala menor se comparados com os Evagelions de NGE e também são pilotados por humanos.
Durante os ataques Gauna ao longo dos séculos a sobrevivência impôs adaptações à raça humana e a engenharia genética permitiu que clonagens, reproduções assexuadas, híbridos humano/animal e “imortais” dessem tons mais condizentes com a época.
Embora tenha um personagem transgênero como um dos principais, a ideia ainda causa espanto em outros personagens, deixando claro que tais avanços científicos não são tão consensuais quanto deveriam ser.
Até mesmo o pudor tem suas privações, diferente do que expôs Asimov em Os Próprios Deuses com os humanos da colônia lunar, tanto que uma menina lança um golpe ao ser vista na seção de fotossíntese por Nagate, o personagem principal.
E falando nele, Nagate é um dos pontos que se sobressaem em relação à NGE, que tinha como protagonista o Shinji, molenga moleque que dava nos nervos por suas firulas e momentos difíceis de se adequar com tudo que acontecia à sua volta, algo que foi costurado com certo sentido no final filosófico, mas que impactava na empatia durante os episódios. Tô pra ver personagem mais irritante do que Shinji (Ash de Pokemon ou outros animes infantis não contam).
Nagate passou a vida inteira nos subterrâneos de Sidonia, território abandonado pela geografia cosmopolita e envolta em mistérios em seus túneis sombrios. O início do anime se dá com a subida dele à superfície quando seu avô falece e se vê à procura de comida sendo que ele não nasceu com a capacidade de realizar a fotossíntese.
Como fora treinado desde pequeno em simuladores de luta com a tutela do avô, foi aceito na escola de pilotos e ganha a oportunidade de pilotar um Guardian de fama lendária.
Daí em diante os Gaunas vêm à tona e as lutas ficam mais e mais intensas.
Cavaleiros de Sidonia é um anime encantador por ter mostrar a perseverança da raça humana pela sua existência, mesmo que sempre ameaçada por Gaunas que nutrem uma perseverança de mesmo quilate focando na destruição da mesma.
Se muitos não poupam observações de comparações com NGE, ou indicar elementos que não serão superados, como por exemplo o que representava a Nerv (agência mantenedora e que protegia Nova Tóquio dos Angels), eu por outro lado, gosto de evidenciar destaques que achei interessante em Cavaleiros de Sidonia, como as gravuras exibidas nos Fade-in e Fade-out como parte de um panorama denominado Cem Paisagens de Sidonia, cuja arquitetura mantém os traços do Japão tanto o antigo quanto moderno, e que aos poucos vão dando noção do cenário urbano do último refúgio da humanidade, que mesmo que muitos sejam construções desorganizadas, ainda deixam no ar o sentido e a razão da luta.

Cem paisagens de Sidonia

Cem paisagens de Sidonia

 

Ma’a salama!