Cavaleiros de Sidonia (Knights of Sidonia)

Acabei de matar a primeira temporada de Cavaleiros de Sidonia (Knights of Sidonia), anime produzido pelo estúdio Polygon Pictures, e localizado para o ocidente pelo Netflix, estreado no ano passado e com a segunda temporada recém-iniciada em abril deste ano.
O resumo do enredo é a luta dos humanos contra Kaijus, tema explorado até a última gota pelos japoneses, e que mesmo assim não cansa os olhares de pessoas como este árabe que vos fala.
Amigo meu indicou o anime falando que era um Neon Genesis Evagelion no espaço. E sim, Cavaleiros de Sidonia é uma homenagem-referenciada-evoluída de NGE quando fica muito evidente as comparações de alegorias entre os dois.
Com uma mão na roda daria para montar uma tabela comparando o que tinha no primeiro que é NGE (1995, se não me engano) e o que está exposto com outros nomes no segundo.
Os Kaijus têm definições próprias, tanto em NGE quanto em KOS: Angels e Gaunas respectivamente.
Mas além de toda comparação, o argumento de Cavaleiros de Sidonia tem um aspecto mais sombrio pelo simples motivo de se passar num futuro distante, em que a Terra foi destruída pelos Gaunas e que a humanidade teve que se refugiar em gigantescas naves pelo espaço afora. Sidonia do título é uma dessas naves. Porém, o plural perde vigor quando não se têm notícias das outras naves há séculos, elevando o receio da extinção total.
Os meios de defesa são robôs gigantes chamados Guardians, mas em escala menor se comparados com os Evagelions de NGE e também são pilotados por humanos.
Durante os ataques Gauna ao longo dos séculos a sobrevivência impôs adaptações à raça humana e a engenharia genética permitiu que clonagens, reproduções assexuadas, híbridos humano/animal e “imortais” dessem tons mais condizentes com a época.
Embora tenha um personagem transgênero como um dos principais, a ideia ainda causa espanto em outros personagens, deixando claro que tais avanços científicos não são tão consensuais quanto deveriam ser.
Até mesmo o pudor tem suas privações, diferente do que expôs Asimov em Os Próprios Deuses com os humanos da colônia lunar, tanto que uma menina lança um golpe ao ser vista na seção de fotossíntese por Nagate, o personagem principal.
E falando nele, Nagate é um dos pontos que se sobressaem em relação à NGE, que tinha como protagonista o Shinji, molenga moleque que dava nos nervos por suas firulas e momentos difíceis de se adequar com tudo que acontecia à sua volta, algo que foi costurado com certo sentido no final filosófico, mas que impactava na empatia durante os episódios. Tô pra ver personagem mais irritante do que Shinji (Ash de Pokemon ou outros animes infantis não contam).
Nagate passou a vida inteira nos subterrâneos de Sidonia, território abandonado pela geografia cosmopolita e envolta em mistérios em seus túneis sombrios. O início do anime se dá com a subida dele à superfície quando seu avô falece e se vê à procura de comida sendo que ele não nasceu com a capacidade de realizar a fotossíntese.
Como fora treinado desde pequeno em simuladores de luta com a tutela do avô, foi aceito na escola de pilotos e ganha a oportunidade de pilotar um Guardian de fama lendária.
Daí em diante os Gaunas vêm à tona e as lutas ficam mais e mais intensas.
Cavaleiros de Sidonia é um anime encantador por ter mostrar a perseverança da raça humana pela sua existência, mesmo que sempre ameaçada por Gaunas que nutrem uma perseverança de mesmo quilate focando na destruição da mesma.
Se muitos não poupam observações de comparações com NGE, ou indicar elementos que não serão superados, como por exemplo o que representava a Nerv (agência mantenedora e que protegia Nova Tóquio dos Angels), eu por outro lado, gosto de evidenciar destaques que achei interessante em Cavaleiros de Sidonia, como as gravuras exibidas nos Fade-in e Fade-out como parte de um panorama denominado Cem Paisagens de Sidonia, cuja arquitetura mantém os traços do Japão tanto o antigo quanto moderno, e que aos poucos vão dando noção do cenário urbano do último refúgio da humanidade, que mesmo que muitos sejam construções desorganizadas, ainda deixam no ar o sentido e a razão da luta.

Cem paisagens de Sidonia

Cem paisagens de Sidonia

 

Ma’a salama!

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