Perdido em Marte

“Comédia?”, indagou Ridley Scott ao pegar o Globo de Ouro de melhor filme de comédia desse ano por Perdido em Marte (The Martian).

Adaptado do livro de Andy Weir com um ótimo visual e fotografia que o diretor capricha em cada longa de sua carreira recheada de obras-primas.
O personagem de Matt Damon tem a redenção do papel interpretado em outra obra de ficção-científica, Interstelar, não por uma atuação ruim, mas por motivos que seria deselegante comentar aqui.
O início do filme já nos deixa claro que o homem está em solo marciano, uma equipe bem-humorada trabalhando nas análises do planeta vermelho para uma futura colonização. O astronauta Mark Watney (Matt Damon) é um botânico que estuda as propriedades férteis da nova terra e em entre uma piada e outra sobre sua função junto aos outros membros da equipe uma tempestade se aproxima forçando a todos a abortarem a missão devido a uma previsão incorreta.

Quando a capitã ordena o retorno para e eles formam uma fila com os macacões sincronizados uma antena se descola pela força das ventanias de dióxido de carbono, nitrogênio, argônio e quem sabe algumas gotículas de água, Mark é atingido e seu corpo voa longe dos amigos que apenas recebem um sinal do sistema sincronizado indicando que a roupa foi perfurada e em menos de um minuto sua vida se findaria.
Daí vemos o clima pesaroso do retorno da equipe, um funeral com caixão vazio na Terra organizado pela Nasa, até que… Mark acorda e se vê sozinho em Marte. “Perdido” é um exagero marqueteiro como vários outros subtítulos são trazidos a esse mundo.

E sim, o filme tem muita comédia pra nos distrairmos do destino desolador do pobre coitado, não antes é claro de ter uma cena gore que poderia estar em um filme do Alien.
Quando descobrem que Mark não morreu o enredo se divide em dois calendários: o marciano, em que o astronauta tem que dar jeito de plantar para gerar comida por quatro anos e o nosso calendário, com prazos e recursos realistas, problemas de gestão e prestação de contas (a Nasa é uma empresa pública e exige uma gama de regras de transparência para com os cidadãos).

O Tom Hanks não vem me resgatar

O Tom Hanks não vem me resgatar

 

Vemos a dedicação de Vincent Kapoor (Chiwetel Ejiofor) liderando junto com Teddy Sanders (Jeff Daniels) e Mitch Henderson (Sean Bean; “Não é tão simples assim”) e outros tantos cientistas engajados na missão e o que entrou de bicão com uma solução para o momento final, o jovem Rich Purnell (Donald Glover).
Damon atua de forma tranquila e com muito humor, até demais para a sua situação, a cada problema se esforça para encontrar uma solução, a criatividade deixa de ser aguardada e se torna uma ferramenta do dia a dia.
Quando consegue cultivar batatas em solo marciano se intitula o primeiro colonizador de Marte, amparado por tratados daqui.

Batatas de Marte: o planeta em que o pacote de Ruffles terá mais batatas do que ar

Batatas de Marte: o planeta em que o pacote de Ruffles terá mais batatas do que ar

Há companheirismo, até mesmo um pouco forçado em termos políticos, como a agência chinesa se sensibilizar com a situação e tomar a decisão de ajudar e lançar mão de um projeto de propulsão secreto.

Ok, o filme é sobre a beleza do ser humano se juntar e eliminar as barreiras das linhas imaginárias, afinal, vistas de cima, um astronauta não as enxerga, bem disse uma vez Marcos Pontes.

Ma’a salama

A Grande Aposta

A Grande Aposta (The Big Short) tem uma estética peculiar, em certos momentos pode parecer um documentário, tem pitadas aqui e ali do estilo, mas a narrativa de personagens como o de Ryan Gosling, e os dramas dos de Christian Bale, Steve Carell e Brad Pitt quebram essa percepção, tanto mais o mérito de utilizarem a quebra da quarta barreira (quando o personagem fala com o público) em cenas que tendem a explicar da forma mais informal e hilária os conceitos do mundo financeiro e que estavam à deriva, mas não inofensivos, até a crise mundial de 2008.
Vemos Margot Robbie (a loira gostosa de O Lobo de Wall Street) em um banho de espuma explicando sobre títulos com hipotecas de alto risco. Vemos o chef Anthony Bourdain explicando Obrigações de Dívida Colaterizada comparando com sobras de um peixe que sobrou e que para não perder o produto se tornou um ensopado em que seus clientes comeriam sem problema. Vemos Selena Gomez com um PhD em economia explicando sobre C.D.O. (Obrigações de Dívida Colaterizada) sintético num cassino com um jogo de Vinte e Um, essa é a melhor na minha humilde opinião e me deixou claro o absurdo do que se permitia e como tudo iria se colapsar.

Relaxa que te explico

Relaxa que te explico

Michael Burry que é o personagem de Christian Bale foi quem previu ainda em 2005 a tendência desse colapso. Um sujeito com uma vida introvertida e nada social, devido ao que ele tenta justificar com a perda do olho e a substituição por um de vidro quando era criança. Em seu escritório notamos sua obsessão nas análises e na vontade apostar contra os bancos, e com base nesse desenrolar de sua audácia que os outros personagens vão entrando em cena.
Há perícias em áreas em que vão se notando abandonos de lares por não terem como pagar a hipoteca. Pessoas que fogem e não levam nada, que deixam um “Desculpe” a caneta circulando o total da dívida no boleto. Um jacaré numa piscina, a cena parece um tipo de prelúdio indicativo que a natureza tomará seu lugar quando o mundo dos homens arruinar por seu complexo sistema caótico.

A trilha sonora é permeada com Hip Hop e Rock, mais rock na verdade, há Metallica, Guns ‘N’ Roses em harpa, Mastodon, cover (ou tributo) de Nirvana. Como se toda a trama fosse um relato rebelde do que aconteceu na época, quando homens estavam se arrastando com suas planilhas num mundo em que muitos negavam ou simplesmente tiravam sarro das previsões pessimistas da crise financeira.

Em diversos momentos, o fato dos dramas dos personagens estarem divididos pode ficar um pouco confuso e disperso. Carell é um executivo disfuncional, sentindo a perda do irmão que em último contato apenas ofereceu dinheiro emprestado como se isso fosse o grande valor que preenche a vontade de viver. Pitt é um ex-banqueiro de certa forma paranoico que come apenas o que cultiva, Bale enfatizando sua vida anti-social e seu confinamento no escritório, Gosling narrando de forma a deixar claro que só está na jogada pela sua parte do bolo. Não há tempo de se aprofundar em nenhum de forma contemplativa, há sim peso, mas o ritmo e o formato tornam esses momentos oscilantes.
Há uma tênue divisão de capítulos no filme, com epígrafes de Mark Twain e Harumi Murakami, por exemplo, e mais uma vez temos a impressão do estilo documentário quando a trama vai se aproximando do desfecho.

Apostar contra os bancos não é moleza

Apostar contra os bancos não é moleza

No fundo, A Grande Aposta é um bom filme para quem quer compreender de forma mais informal e com mais humor o que sucedeu na época e o porquê das coisas terem falhado.
Se tu pretende assistir ou já assistiu sugiro ainda o documentário Trabalho Interno (Inside Job) narrado por Matt Damon e o filme O Dia Antes do Fim (Margin Call). Ambos pincelam os acontecimentos da fatídica crise financeira de 2008, que na minha opinião, ainda será pano de fundo para muitos outros dramas, afinal, esse papel colorido parece deveras importante em nossas vidas, infelizmente o modo como lidamos com ele é exponencialmente mais irresponsável…

Ma’a salama

O Melhor de 2015

Findo 2015, graças que esse século não reprisará em precisão o anterior, já não fomos acometidos pela guerra mundial e nem genocídios como os da Armênia…, epa pera!
Melhor deixar pra lá!
O início desse ano se deu com um atentado a um jornal que não era conhecido popularmente pelas massas, mas a guerra ideológica que o ISIS perpetrou fixou a luta, as justificativas e defesas da liberdade de expressão, sendo que no final 95% dos que defendiam a mesma não podiam ser considerados advogados porque no aperto tendiam a um discernimento de impor limites (quando tais não ficam claros ou de complexa contextualização na questão da dita) e no final víamos que liberdade de expressão nos falatórios parecia mais um alimento ou condimento disposto ao consumo do que convém.
Mais para o final também foi um inconveniente aos moderados, só dar uma olhada no conflito da minha terrinha (a saber Palestina). Quando as feridas da operação Margem Protetora ainda ardem, e as baboseiras que o PM israelense disse nos últimos meses, muitos que observam o conflito e se esforçam a entender tendem a pressionar por uma “escolha de lado”. Se você lança um olhar crítico e pensa de modo imparcial logo vem as acusações:
Caetano Veloso se tornou antissemita, by federação israelita
J. K. Rowling se tornou sionista, by Movimento BDS (Boicote-Sanções-Desenvolvimento)
Pô Mohanad, o título desse post é “O Melhor de 2015”, e tá ficando sombria essa retrospectiva.
Ok. Parei por aqui. Vamos ao lado bom da vida:

Fui surpreendido por filmes como Dope, Eu, Você e a Garota com Câncer (Me, Earl and the Dying Girl) e Ex Machina. Cada um a seu modo.
A volta de Star Wars foi fuedas, mas Mad Max teve um impacto maior em meu coração, não somente pelo ressurgimento da franquia, que dificilmente terá uma continuação como a outra está sendo trabalhada pela Disney. O filme trata todas as questões importantes da sobrevivência humana num cenário árido, com muita ação, humor e rock. E Charlize Theron arrebentou como Furiosa.

Never stop rocking baby!

Never stop rocking baby!

Citizenfour levou a estatueta de melhor documentário, mas O Sal da Terra, que também concorreu ao Oscar de melhor doc foi o meu predileto.
O filme é um daqueles que te faz sentir afortunado diante de tantas desgraças e crises que diversos povos tiveram que encarar, tudo comentado pelo fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado que registrou tais fatos e sentiu como ele mesmo diz, sua alma adoecer ao ser testemunha presente. Mas o epílogo remove a carga negativa com a renovação florestal de uma área que pertenceu à família Salgado, embasando seu último trabalho: Gênesis, em que utilizou sua habilidade para mostrar as belezas naturais desse nosso mundo.

Foto de Gênesis de Sebastião Salgado

Foto de Gênesis de Sebastião Salgado

De gibis gostei do primeiro volume de Pax Americana de Grant Morrison, que é uma visão contemporânea e homenagem de Watchmen sendo prestativa a fidelidade aos personagens originais da editora Charlton. Aguardo ansioso a continuação.
Das nacionais tiveram a aguardada estreia de Apagão – Cidade Sem lei/luz, mas Pátria Armada foi um trabalho primoroso, com uma história alternativa sobre uma guerra civil no Brasil, ah, e tem mutantes também, sem dever nada para os de fora.

Pátria Armada

Pátria Armada

Das séries achei a 5ª temporada de Game of Thrones melhor que a 4ª.
True Detective teve sua 2ª superestimada devido ao baque da 1ª, mas foi melhor do que muitas que rolaram.
As top foram as estreias de Better Call Saul e Mr Robot. Se na primeira me diverti pacas com a história solo do advogado mais cativante da ficção numa história que se desenrola muito bem sem a ação e o suspense que permeava Breaking Bad, na segunda senti aquele espírito anarquista arder tanto quanto ao assistir de Clube da Luta, ao ver um enredo de revolução da sociedade pelas mãos de um hacker com uns probleminhas sociais e dilemas pessoais que são escancarados logo no piloto: imagine odiar a maior corporação tecnológica do mundo conhecida como E Corp (apelidada carinhosamente de Evil Corp) e ao mesmo tempo trabalhar numa empresa de segurança cibernética cujo maior cliente de sua carteira é a tal odiada.

Sempre lendo algo, o gerúndio que nunca devo abandonar, entre uma coisa técnica ali e uma ficção de interesse pessoal aqui, esse ano tomei a vergonha na cara, sabe aquela em que sentimos um estalo e resolvemos matar uma pendência que não para de latejar?, pois é, comprei um exemplar de Ficções, uma coletânea de Borges, e fiquei com aquela sensação “o porquê de eu nunca ter lido isso não será por falta de aviso, droga!”, e agora entendo o cargo que Jorge Luis Borges ocupa na literatura clássica mundial. O conto Biblioteca de Babel é uma obra-prima, não fica para trás O Milagre Secreto, quem dera um dia escrever algo do mesmo naipe.

Da literatura nacional fica em primeiro lugar outra coletânea, a premiada Amálgama de Rubem Fonseca. Contos simples, mas densos de “vastas emoções e pensamentos imperfeitos”.

Amálgama

Amálgama

Enfim conheci as praias do Rio, nas minhas férias, consegui ficar uns dias na cidade maravilhosa e ainda bati cartão num dia do Rock in Rio, para delirar num calor de 44º ao som de bandas como Hollywood Vampires (Alice Cooper não tem rosto, tem rugas e maquiagem), Queens of the Stone Age, Deftones (tocaram pouco no palco menor, não entendi o porquê até agora…) e a que ajudou na minha formação crítica na aborrescência: System of a Down, onde pulei igual a macaco (por mais que o meu inglês tenha melhorado sempre vou cantar Coco Mucho! no início de Sugar) e a surpresa foi ver o Chino Moreno, o vocalista do Deftones subir ao palco para cantar uma parte de Toxicity (na verdade ele cantou a mesma parte: “… eating seeds as a passtime activity…”, mas valeu a sensação de camaradagem entre as bandas)

Falando em música, a banda Macaco Bong se reformulou recentemente, mas não enfiou um cantô, ainda bem, pois adoro o foco instrumental que eles fazem com maestria, lançaram em 2015 o Macumba Afrocimética, que tem faixas que apesar de breves, ainda levam a qualidade que me fisgou em 2011, quando abriram um show do SOAD.
Mas os melhores decibéis do ano foram do The Prodigy com o álbum The Day is My Enemy , que demoram para lançar algo, mas quando o fazem é pra chutar o balde:

Sobre a crise?
Bem que poderia discursar e gastar meus conhecimentos medianos sobre economia, política, filosofia e blá-blá-blá, e ainda destacar certa propaganda sobre minha luta e de como sei dançar a música. Mas aí ia prolongar esse post demais e ficar piegas e cafona.
Então, de repente vi uma foto que ficou entre as melhores do ano pelo concurso Photo Contest realizado pelo National Geographic, e ela resume a essência da minha perspectiva sobre a crise:

Orangotango de Bali ou A crise e eu

Orangotango de Bali ou A crise e eu

Ma’a salama 2015!

O Despertar da Força

Kylo Ren é um Sith
Kylo Ren é Luke Skywalker
Kylo Ren é filho de Luke Skywalker
Kylo Ren é filho de um stormtrooper que se exilou
Kylo Ren é filho de Han Solo com Leia
Kylo Ren é uma distração dos trailers
Kylo Ren é morto por Poe Dameron
Kylo Ren é vítima do complexo de messias

George Lucas está curtindo a aposentadoria do universo da space opera mais popular do universo (estamos sozinhos nessa imensidão até agora, né?). Após vender os direitos para a gigante Disney por humildes 4 bilhões de dólares, e em dias de sol deve curtir um bronzeado no rancho Skywalker, talvez torcendo para manter o casamento e não ter que enfrentar outro divórcio, e de alma lavada por ter finalizado a saga dez anos atrás.
Um pouco inconformado ficou ao ter suas sugestões ignoradas quando prestou serviço de consultor para os novos filmes, mas o seu legado não será esquecido.

BB-8 é um agente duplo
BB-8 é uma evolução do R2-D2
BB-8 é da família do R2-D2
BB-8 é portador de um fator decisivo da trama
BB-8 é puro capricho estético
BB-8 é lavagem cerebral pra inflar merchandising

JJ Abrams deve estar tomando remédios para dormir, a data de estreia está a menos de uma semana, e o diretor sente seu nome linkado a uma franquia bilionária e considerada um dos pilares da cultura nerd mundial.
A experiência no mundo hollywoodiano pode de certa forma lhe acalmar, são anos de pressão a cada novo projeto. Sobreviveu ao levante idólatra dos trekkies (digo, trekkers) então deve estar crente que essa será a fronteira final de sua carreira, pois se sobreviver a isso, nada mais o derrubará.
As teorias são muitas, repuxadas pela expectativa e ansiedade de muitos fãs de várias gerações. Mas JJ Abrams também está acostumado à antecipação dos especialistas e mantenedores de estandartes de fandoms. Quando Lost atingiu níveis de audiência exorbitantes e abriram espaço para os fãs discutirem a série, milhares de postagens iniciaram um debate extenso sobre o que era a ilha e a condição dos que ali estavam, e as possibilidades quase se esgotavam, ao ponto de que alguém poderia ter acertado a opinião. Mas no fim, não foi o que ocorreu…

Mas infelizmente, além de toda pressão pela expectativa e receio de ser comparado a uma retomada morna como muitos criticaram o episódio 1 em 1999, JJ Abrams acompanha as polêmicas envolvidas nessa empreitada.
De detalhes técnicos como o uso excessivo do efeito flare (defeito ótico quando a luz entra diretamente através das extremidades da lente, causando manchas de luz em formas circulares ou hexagonais), no qual pediu desculpas publicamente dizendo que a edição final seria reduzida ao máximo a sua marca registrada e mantidos somente os necessários.
Até o racismo explícito, proeminentes em comentários em fóruns sobre o protagonista interpretado pelo ator John Boyega (“Ataque ao prédio”) ser negro,  e recentemente centro de discussões na versão chinesa do pôster, onde ele e o Chewbacca parecem não ter muita importância:

Versão chinesa: "Não é racismo. É apenas..., é um..., é..."

Versão chinesa: “Não é racismo. É apenas…, é um…, é…”

 

Estressado JJ Abrams está (juro que não tentei parecer o Yoda).
Se os Fandoms estivessem mais preocupados em confiscar as credenciais nerd de indivíduos que se dizem fãs da saga épica (que conta uma estória com forte apelo fantástico e com valores sobre a luta do bem contra o mal em uma galáxia múltipla em diversidade racial, étnica e cultural) e ainda pedem intervenção militar em debates políticos e expressam seu racismo e fascismo gratuitamente, o diretor poderia ter uma preocupação a menos e estar focado no trabalho a fim de entregar o resultado final com a devida qualidade que nós aguardamos com ansiedade, mesmo sabendo que tudo está ligado a uma imensa indústria de cultura pop para massas vistas no final das contas pelos grandes estúdios como consumidores.
Mas, a essência de sermos fãs dessa saga são os valores dessa tal de Força, intrínseca em nosso ser (mesmo que ambígua, mas não babaca e discriminatória), e que adoramos compartilhar mesmo com esse panorama épico e fantasioso não somente para nos entreter, mas para que continue desperta, seja nesta e nas galáxias muito, muito distantes.

Ma’a salama!

Ansioso para assistir Pornô

Pornô

Pornô

Ah… a adolescência!
Hormônios, puberdade, mudanças no corpo, experiências e descobertas. Ninguém se isentou desses momentos difíceis.
Blah! Preambular mais clichê, mascado e vagabundo. Vamos ao que interessa.
Não estou aqui para falar da adolescência e o conceito universal do qual todo ser humano é obrigado a passar. Só lembrei dessa época porque li uma notícia que mexeu com a minha bela e eterna amada lady ansiedade.
A lembrança se remete quando morava em Jales, cidade do interior, e nas sessões de filmes que alguns professores organizavam para conscientizar a molecada sobre os efeitos de drogas e sexo da qual a fase tende a lançar convites descompromissados.
Filmes como Kids e Christiane F tinham como missão chocar as cabecinhas que assistiam vidrados, alguns colegas se perderam na vida, mas a tentativa foi válida.
Dentre os filmes exibidos em VHS na salinha do subsolo, o melhor e o que mais me marcou foi Trainspotting – Sem Limites (Transpotting), dirigido por Danny Boyle (Quem quer ser milionário, Jobs) tendo como ator principal Ewan McGregor em uma trama intrigante, polêmica, chocante, regado a sexo e muita, muita heroína, além de uma trilha sonora fodástica com músicas de David Bowie, Iggy Pop e a apaixonante Born Slippy.
Tal filme me cativou tanto que comprei o original antes mesmo de ter um dvd player.
Lançado em 1996, o filme é uma adaptação do livro homônimo do escritor escocês Irvine Welsh, que sabe dosar humor em situações sem falso moralismo de forma que o leitor consiga adentrar o universo da geração de jovens dos anos 90 (Década perdida? Ganharam nesse quesito da 80?)
Transpotting tem continuação em livro, que é Pornô (Porno), cuja história narra os personagens do primeiro uma década depois, com os mesmos ingredientes que tornaram o filme célebre mundialmente, exceto que o tema central é que um dos personagens, Sick Boy, torna-se um empreendedor do ramo de produções pornográficas.
Alguns meses atrás o diretor Danny Boyle confirmou boatos ao dizer que o próximo filme a dirigir será Pornô e que todos os atores de Transpotting contribuirão para tornar a sequência esteticamente mais fiel.
E aí esse árabe que vos fala ficou extasiado, e louco para querer saber a data de lançamento ou mais detalhes da produção que ainda nem começou a ser rodada.
Agradeço informações e novidades sobre tal.

Ma’a salama!

Projetos Secretos

Pavor.
O homem de mente simples estava apavorado. Seus companheiros estavam ao seu lado, ajoelhados como ele. Um pouco à frente um soldado tinha um telefone por satélite na altura do rosto, aguardando o momento oportuno para responder.
“São oito”, disse.
A recomendação veio quase instantaneamente:
“Leve-os daí, não deixe que vejam coisa alguma”, a voz andrógina se acentuava num tom mais sombrio com a interferência do sinal.
“Sim-senhor”
Isso bastava para justificar o pavor que o homem de mente simples sentia. Mas outros elementos não podiam passar batidos.
Ele e seus companheiros trabalhavam na condição de escravos para uma quadrilha que abria caminho na mata virgem para que outros viessem depois e construíssem pistas para pousos clandestinos. Eram colaboradores das rotas do narcotráfico.
Como um modo de garantir uma refeição e um lugar para dormir, eles aproveitavam as valiosas madeiras das árvores derrubadas e entregavam ao “bom coronel”.
Não sabiam ler nem escrever. Foram privados de uma educação digna. Alguns se gabavam porque sabiam ler as pesagens. Vestiam-se com farrapos que duravam por anos. Assolados por doenças, costumavam morrer cedo, em angústia. Mas rapidamente eram substituídos por outros mais novos. No geral, eram homens de mentes simples e uma vida nada digna.
No entanto, apesar de não serem capazes de realizar cálculos matemáticos básicos, eles sabiam que os soldados que os interceptaram na área recém desmatada era um exagero para aquele tipo de operação.
Além dos soldados, que estavam com um armamento pesado, havia dezenas de helicópteros que sobrevoavam onde se encontravam, desaparecendo de vista, seguindo para o que eles consideravam como o “território da morte”. Pois não só se tratava de uma mata mais densa e fechada como havia crateras e fendas que engoliriam sem remorso quem quer que fosse para as trevas.
Evitavam explorar aquela área em diante. Era o mínimo de raciocínio lógico que podiam ter, mas que se originou pelo medo.
O homem de mente simples nunca viu um helicóptero além da televisão.
Abriam a mata e eram alertados a não se aproximarem de uma pista de pouso quando a mesma fosse usada por uma quadrilha, a desobediência seria retribuída com a morte.
Espiavam intimados pela fustigante curiosidade os aviões pousarem desajeitadamente nas pistas abertas por eles.
Vários soldados estavam seguindo o caminho dos helicópteros. Adentravam o território da morte sem receio algum. Ou será que o homem de mente simples não conseguiu captar o medo que sentiam por esconderem seus rostos com máscaras pretas?
Ajoelhados e com as mãos atadas por um “enforca-gato”, não era inteligente tentar fugir deles.
Um estrondo ruidoso. Um trovão monumental fez o pavor se acentuar enquanto a espinha gelava.
O homem de mente simples não fazia ideia do que acontecia, mas aos poucos, uma certeza foi florescendo. Gradualmente ele pôde chegar à conclusão de que os soldados não estavam ali por causa deles. Em paralelo, na mesma proporção do pavor, uma esperança ilógica foi crescendo.
O soldado com o telefone por satélite reapareceu a frente deles.
“Senhor! Detonaram a bomba”, disse para o telefone.  A resposta foi inaudível.
Poucos segundos após a explosão um zumbido exótico intensificado por um chiado agudo fez todos sentirem calafrios.
Todos olharam para a mata que avançavam. Já não havia mais o tráfego contínuo de helicópteros.
No entanto, uma nuvem no céu limpo daquela tarde surgiu como uma mancha pincelada por um pintor gigante. Escura como carvão, parecia ter vida própria, com a textura felpuda e seus movimentos expansionistas como um animal que se esforçava a se rastejar.
“Contato visual!”, gritou para o telefone, e na voz o pavor que qualquer homem poderia se dar o luxo de ter.
A voz andrógina ordenou algo, mas novamente não conseguiriam ouvir.
“Sim-senhor!”
Outros soldados trouxeram capuzes e um a um cobriram os rostos dos homens ajoelhados.  O homem de mente simples mal conseguia imaginar o que estava ocorrendo. Seu pavor e esperança se mesclaram criando uma sensação inédita.
O soldado que tinha o telefone por satélite encarou os outros soldados, como se todos pensassem a mesma coisa.
“Me perdoem”, disse o soldado e encostou o cano de sua arma na nuca do homem de mente simples. “Mas vocês são testemunhas de um projeto secreto”
Sentença proferida. Nos primeiros segundos não entendeu o que ele quis dizer, mas aos poucos, um julgamento das palavras daquele que o mataria em pouco tempo ganhou forma, tal como a imagem da nuvem negra no céu acima deles, figura essa que ainda estava gravada em sua cabeça.
“E não são todos os pensamentos fragmentos de projetos secretos?”, indagou, incrédulo quanto a eloquência e autoconfiança que escapou por sua boca abafada pelo capuz.
O soldado não compreendeu. Apertou o gatilho e desfez a esperança e pavor que percorriam a carne do homem de mente simples, oferecendo-o para a escuridão.
Seus companheiros fizeram o mesmo, todos os homens ajoelhados tombaram no chão sem vida.
Sua missão continuava, aqueles homens foram um inconveniente. A nuvem negra sumiu, ele não reparou para onde se foi. Mas as horas seguintes foram cruciais para que sua consciência fosse douta do que a sua vítima quis dizer.
Todos os helicópteros foram inábeis, nenhum deles cortava o céu acima dos soldados ou dava o ar de sua presença acima da mata.
Em sua maioria, os homens que avançaram sumiram, provavelmente pelas fendas e buracos de erosões suspeitas para a tipografia daquele ambiente.
Dos que retornaram metade estavam em estado catatônico.
Um amigo de longa data do soldado que mantinha o telefone na cintura e vislumbrava toda a situação da missão com espanto surgiu de folhagens. Ele fitou seu companheiro e um sorriso indevido para a ocasião aflorou em seu rosto marcado por arranhões de galhos e gravetos. Sacou a arma do coldre e atirou mirando sua têmpora.
A missão já se declarava malsucedida. Indagou para o supervisor de operações pelo telefone qual seria o próximo passo. Pois não teria como capturar a…, o…, o quê mesmo?
“Seu nível não garante permissão de saber o que é o alvo, soldado. Entenda, esse projeto é muito secreto”
Um calafrio percorreu sua carne quando ouviu um zumbido exótico.
Mas por que estava se entregando ao pavor? Tinha ciência dos riscos, não resguardava remorso em remover os empecilhos da missão.
Olhou para o alto e a nuvem estava no céu novamente.
Sabia que não tinha pavor daquilo. Então, concluiu que fosse qual fosse a razão de seus temores, tudo, seus pensamentos ou emoções, não passavam de fragmentos de um projeto secreto de algo muito maior.

Chega de Dragões!

Alien

Alien

Estava a vasculhar a rede em busca de alguma informação sobre Prometheus 2, a continuação do filme lançado em 2012, cujo título do primeiro se referia à nave espacial a abrigar uma missão interplanetária em busca da origem da vida na Terra e seus criadores, mas quem assistiu ao primeiro sabe que ficou estranho o “2” ao invés de criar um novo título para o seguimento da prequel.
Mas, que seja.
O longa foi muito massa, apesar de algumas lacunas e deixas, e matou a sede de fãs apaixonados pela franquia Alien, ícone da ficção científica com forte apelo ao suspense e terror responsabilizado pelo visual e das artes oriundas do panorama mórbido e onírico do artista plástico suíço H. R. Giger (Hans Rudolf Giger), falecido em maio de 2014.
O que chamou a atenção nas recentes entrevistas foi a declaração do diretor Ridley Scott que disse que o visual emblemático e histórico do cinema já o cansou, tanto ao ponto de que se visse outro dragão novamente “daria um tiro em si mesmo”.
E ainda prometeu que a sequência terá uma nova versão do alien com um visual inteiramente novo e com a pretensão de ser tão assustador quanto ao original, estrelado pela primeira vez em 1979.
Sabe-se lá porque a versão draconiana saturou o olhar do diretor veterano da FC no cinema. Mas acho que toda a tentativa de inovação é válida, deixemos as críticas para quando sair o filme.
O problema é que a expectativa é uma merda, e esse tipo de declaração pode ser puro marketing que exige estardalhaços para vender o peixe.

Pois é Scott, Prometheus tem que cumprir!

Ok, péssima piada, ainda bem que não sou dado a humorista.

 

Ma’a salama!

Paixões complexas

Paixões complexas

“— Por que está aqui?
— Eu vim com o meu amigo ali — apontei para Biel que abria a boca enquanto uma dançarina loira com os seios à mostra descia seus quadris em sua face.
— Ele está aproveitando o lugar.
— Sim, nós estamos aproveitando o lugar.
— Não sei, você não me parece muito feliz.
— E por que você acha isso?
— Você só está abrindo sorrisos para mim.
Engoli a seco.
Vi em seus olhos algo que só reparei naquele momento.
Foi no exato momento em que uma stripper entrou no palco cuspindo fogo. Um espetáculo de pirotecnia que deveria acender os corações de pervertidos e tarados e o propósito final era esvaziar seus bolsos tão rápido quanto o fogo se dissolvendo ao ar.
Percebi quando a luz da labareda de fogo lançou um brilho nos olhos de Suzana que havia duas pérolas negras no lugar de suas pupilas.”

Trecho de Simplesmente Complexo (Capítulo Quatro Aneurisma)

Leia trechos maiores e até capítulos inteiros pelo Google Play Books.

Disponível nas livrarias: CulturaSaraivaMartins Fontes , Loyola, e muitas outras.

Steve Jobs Forever

“Quem faz Ciência da Computação são aqueles que vão criar algo, mas não sabem para o quê aquilo vai servir. Os que fazem Sistemas de Informação vão olhar para o que criaram os cientistas da computação e estalam os dedos dizendo: ok, vamos aplicar e monetizar essa coisa”
Essa foi a introdução do professor de Cálculo na minha primeira aula de Sistemas de Informação na universidade Mackenzie. Não tardou a descobrirmos que o tal professor nutria maior afeto e simpatia pelos alunos de Ciência da Computação por serem “mais inteligentes na escolha”. Vai entender.
Mas a frase foi melhor compreendida quando ainda na primeira semana outro professor exibiu o filme Piratas da Informática (Pirates of the Silicom Valley), que esclarecia o nascimento de um conceito computacional voltado para as grandes massas e ampliado ao entretenimento focando nos dois ícones da era digital, a saber Bill Gates e Steve Jobs.
Ambos entendiam que o conceito da época difundido principalmente pela gigante IBM, voltado às indústrias e aos grandes negócios, devia ser modelado para o uso pessoal.
É claro que o afobamento idólatra que muitos carregam acaba cegando para o fato que os ditos groundbreakers não foram os primeiros a pensar na ideia, tanto que as biografias e os filmes fieis à reconstrução histórica mostra o dedo do zeitgeist cutucando o destino, como bem vemos em Piratas da informática as convenções em que eram exibidos os novos experimentos computacionais do momento.
O que mais gosto nesses filmes, além de conhecer os fatos históricos, é entender motivações, desempenho e como tudo se relacionou com a vida pessoal daqueles que se dedicaram em mudar algo no mundo, o que a máxima atribuída ao Jobs “As pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo são aquelas que o mudam”, slogan de um comercial da Apple de 1997 da campanha Think Diferent, nos diz sobre os groundbreakers é a existência de resistência em todo o caminhar da renovação ou revolução.
O filme Jobs de 2013, com Ashton Kutcher, foca totalmente na vida do criador de uma das maiores empresas do mundo, muitos sabem que a Apple acumula cifras na casa dos bilhões e está entre as grandes detentoras de patentes digitais.
Mas o filme, que não é ruim, tinha o aspecto de ser um Piratas da Informática parcial, com a vida do Steve Jobs recebendo toda a luz dos holofotes sem um mísero segundo mostrar o outro ícone desse meio. E aí você pode dizer, mas o nome do filme é Jobs né Mohanad, você deve gostar mais do Bill Gates e ficou se doendo por ele não aparecer no filme.
Sim e não.
Sim, pois me atento mais à figura do tio Bill do que o marqueteiro Jobs pelo seu legado de expertise do mundo corporativo e seu empenho no ramo filantrópico.
Não, porque era natural que o filme fosse o show para fanboys da Apple e daqueles que idolatram o Steve.
Mas o que deixou a desejar são os gaps de comportamentos de sua vida entre importantes momentos da carreira. Como os despontamentos da biografia escrita por Walter Isaacson, que possui tons imparciais e chumaços de detalhes que, tudo bem, estavam ali porque o tomo ultrapassa 600 páginas. O que sustenta a opinião de muitos que consideraram o filme como o definitivo que retrata a vida desse ilustre marqueteiro.
E eis que surge o trailer de Steve Jobs:

 

Tudo bem que o filme de 2013 ganha quando o ator já é muito parecido com o personagem, mas Michael Fassbender vem cativando cada vez mais com as suas atuações e dificulta o pensamento de que poderá desapontar nesse papel.
O problema da expectativa é que no mundo real a figura do groundbreaker pincelada pelo mundo corporativo sempre leva a melhor na queda de braço. Dificilmente será 100% fiel à biografia de Walter Isaacson, e atenta-se principalmente pelo fato de manter eternamente acesa a idolatria àquele que preferiu se dedicar à imortalização até o último suspiro do que descansar e se recuperar de um câncer raro (no pâncreas) ao lado da família e dos amigos.
Tanto mais quando a empresa que fundou enfrenta um momento de difícil ocupação no primeiro lugar do pódio de simbologia no mundo da inovação tecnológica, apesar das cifras bilionárias.
O próprio Jobs criticava no Piratas da Informática a idolatria aos deuses mortos e ao perigo do domínio do Big Brother, tudo uma alusão à gigante IBM,  mas parece que no fim, sua empresa e figura acabaram por se tornar o que tanto o incomodava quando iniciava sua longa caminhada pela trilha da inovação.
Bateu uma vontade de parafrasear Nietzsche, mas acho que não se faz necessário.

Ma’a salama!

Cavaleiros de Sidonia (Knights of Sidonia)

Acabei de matar a primeira temporada de Cavaleiros de Sidonia (Knights of Sidonia), anime produzido pelo estúdio Polygon Pictures, e localizado para o ocidente pelo Netflix, estreado no ano passado e com a segunda temporada recém-iniciada em abril deste ano.
O resumo do enredo é a luta dos humanos contra Kaijus, tema explorado até a última gota pelos japoneses, e que mesmo assim não cansa os olhares de pessoas como este árabe que vos fala.
Amigo meu indicou o anime falando que era um Neon Genesis Evagelion no espaço. E sim, Cavaleiros de Sidonia é uma homenagem-referenciada-evoluída de NGE quando fica muito evidente as comparações de alegorias entre os dois.
Com uma mão na roda daria para montar uma tabela comparando o que tinha no primeiro que é NGE (1995, se não me engano) e o que está exposto com outros nomes no segundo.
Os Kaijus têm definições próprias, tanto em NGE quanto em KOS: Angels e Gaunas respectivamente.
Mas além de toda comparação, o argumento de Cavaleiros de Sidonia tem um aspecto mais sombrio pelo simples motivo de se passar num futuro distante, em que a Terra foi destruída pelos Gaunas e que a humanidade teve que se refugiar em gigantescas naves pelo espaço afora. Sidonia do título é uma dessas naves. Porém, o plural perde vigor quando não se têm notícias das outras naves há séculos, elevando o receio da extinção total.
Os meios de defesa são robôs gigantes chamados Guardians, mas em escala menor se comparados com os Evagelions de NGE e também são pilotados por humanos.
Durante os ataques Gauna ao longo dos séculos a sobrevivência impôs adaptações à raça humana e a engenharia genética permitiu que clonagens, reproduções assexuadas, híbridos humano/animal e “imortais” dessem tons mais condizentes com a época.
Embora tenha um personagem transgênero como um dos principais, a ideia ainda causa espanto em outros personagens, deixando claro que tais avanços científicos não são tão consensuais quanto deveriam ser.
Até mesmo o pudor tem suas privações, diferente do que expôs Asimov em Os Próprios Deuses com os humanos da colônia lunar, tanto que uma menina lança um golpe ao ser vista na seção de fotossíntese por Nagate, o personagem principal.
E falando nele, Nagate é um dos pontos que se sobressaem em relação à NGE, que tinha como protagonista o Shinji, molenga moleque que dava nos nervos por suas firulas e momentos difíceis de se adequar com tudo que acontecia à sua volta, algo que foi costurado com certo sentido no final filosófico, mas que impactava na empatia durante os episódios. Tô pra ver personagem mais irritante do que Shinji (Ash de Pokemon ou outros animes infantis não contam).
Nagate passou a vida inteira nos subterrâneos de Sidonia, território abandonado pela geografia cosmopolita e envolta em mistérios em seus túneis sombrios. O início do anime se dá com a subida dele à superfície quando seu avô falece e se vê à procura de comida sendo que ele não nasceu com a capacidade de realizar a fotossíntese.
Como fora treinado desde pequeno em simuladores de luta com a tutela do avô, foi aceito na escola de pilotos e ganha a oportunidade de pilotar um Guardian de fama lendária.
Daí em diante os Gaunas vêm à tona e as lutas ficam mais e mais intensas.
Cavaleiros de Sidonia é um anime encantador por ter mostrar a perseverança da raça humana pela sua existência, mesmo que sempre ameaçada por Gaunas que nutrem uma perseverança de mesmo quilate focando na destruição da mesma.
Se muitos não poupam observações de comparações com NGE, ou indicar elementos que não serão superados, como por exemplo o que representava a Nerv (agência mantenedora e que protegia Nova Tóquio dos Angels), eu por outro lado, gosto de evidenciar destaques que achei interessante em Cavaleiros de Sidonia, como as gravuras exibidas nos Fade-in e Fade-out como parte de um panorama denominado Cem Paisagens de Sidonia, cuja arquitetura mantém os traços do Japão tanto o antigo quanto moderno, e que aos poucos vão dando noção do cenário urbano do último refúgio da humanidade, que mesmo que muitos sejam construções desorganizadas, ainda deixam no ar o sentido e a razão da luta.

Cem paisagens de Sidonia

Cem paisagens de Sidonia

 

Ma’a salama!