A Qualquer Custo (Hell or High Water)

Quando vi o trailer por um momento pensei que o roteiro fosse de autoria dos irmãos Coen, responsáveis pelo excelente Onde os Fracos Não Têm Vez (No Country For Old Men). Mas a surpresa ainda foi boa, o roteirista é Taylor Sheridan, que nos trouxe Sicario – Terra de Ninguém (Sicario).
O filme mostra dois irmãos, Toby (Chris Pine) e Tanner Howard (Ben Foster) em uma jornada de roubo a pequenas agências bancárias pelo Texas, com capuzes de moletom, pistolas comuns e sem esconder que são da região, mas com o zelo de tomarem quantias pequenas, sem se deixarem ser tentados de levarem as notas de cem, tornando o caso desinteressante para o FBI.

E é aí que entra Marcus Hamilton, interpretado por ninguém menos que Jeff Bridges, perfeito no papel, como o Texas Ranger que está para se aposentar e aceita a tarefa de caçar os “drogados” como o seu parceiro Alberto (Gil Birmingham), meio índio meio mexicano, os classifica precipitadamente, porém, Marcus não dá crédito ao parceiro e entra na cola dos dois irmãos como espécie de missão a matar o tédio do fim de sua carreira.

O cenário tem um papel que destoa no filme, as cidades do Texas do qual os irmãos percorrem sofrem de uma crise socioeconômica exposta em pichações, banners e outdoors, entre críticas e ofertas sobre renegociações de dívidas por concessões de crédito.
No clima árido das fazendas extensas vemos poços de petróleo da Chevron, muito comuns no estado, trazendo a tona que as grandes corporações deitam e rolam com os recursos oferecidos pela região, sendo indiretamente também responsáveis por parte do problema que a população vem sofrendo, tudo  claro e testemunhado pelos civis que não escondem certo rancor pelos bancos.

É duro esperar o banco abrir às 10

É duro esperar o banco abrir às 10

Aos poucos percebemos que a causa que motiva os irmãos ao crime tem uma base que atenua a vontade de vê-los sendo pegos pela polícia, contando inclusive com apoio de algumas testemunhas que sentem certa nobreza no ato de seus atos, ou como um dos civis diz à Marcus:
“Legal ver eles roubarem quem me roubou por trinta anos”
Mas a aventura dos dois não é aliviada, não é fantasia crer que o Texas é uma terra de um faroeste moderno. Todo cidadão parece estar armado, e pronto para sacar sua pistola  e dispará-la com a senhora justiça a sorrir e aquiescer, como responde um senhorzinho numa agência bancária ao ser questionado se estava armado por um dos irmãos:
“Pode apostar que estou”

E ainda assim não parece que Taylor Sheridan se rendeu a fazer uma crítica social ao elemento intrínseco do estado em que se originou os cowboys. Há muito a questão do passado e seus conflitos étnicos que trazem amarguras até hoje, principalmente no sul, e outra vez a questão é tratada com recursos cômicos, com piadas por Marcus a fim de provocar o seu companheiro tudo direcionado ao lado indígena, e ao ouvir uma reclamação de Alberto que explica ser meio mexicano, o velho Ranger diz: “Ao acabar o repertório de ofensas indígenas parto para as ofensas mexicanas”

"O que não vão querer?"

“O que não vão querer?”

O final torna tudo mais interessante, creio eu, ter sido um dos levantes a garantir uma vaga entre os indicados a melhor filme, podia dizer que um faroeste moderno não levaria a estatueta, mas a obra dos irmãos Coen teve vez em 2008.

Ma’a salama

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