Deixa Quieto (Nevermind)

A banda Macaco Bong lançou agora em setembro mais um álbum fodástico.

Se você curte bandas que priorizam faixas integralmente instrumentais e em algum momento da vida foi apaixonado por Nirvana (a banda do século, não o estágio de libertação final do budismo) provavelmente irá adorar o álbum Deixa Quieto.
A banda produziu o álbum de forma independente e disponibilizou em seu canal no Youtube o disco na íntegra para quem quiser ouvir e pirar com o trabalho:

Ma’a salama

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Death Note

Na última sexta-feira (25/08) estreou mundialmente a versão americana de Death Note, sem subtítulo em português mesmo pela Netflix Brasil.
Se em 2015 a Netflix buscava galgar as mais altas premiações cinematográficas com o lançamento de Beasts of Nation, que tinha bom roteiro, direção, produção e atuações, hoje vemos que a adaptação do anime homônimo que conquistou milhões de fãs parecia estar mais interessada no entretenimento.
Ao que parece, a exibição foi exclusiva ao streaming, seguindo os exemplos de outras produções originais de baixos orçamentos e também de pomposos, com produtores e atores de renome, como War Machine, drama de guerra protagonizado por Brad Pitt.
Nunca li o mangá ou assisti ao anime original. Única vez pude assistir à versão japonesa de Death Note, somente o primeiro dos três, não por desinteresse, falta de oportunidade mesmo.
Mas o filme lançado em 2006 me cativou com sua trama envolvente, lembro de ter pensado em porquê ignorei aquele mangá estranho. Por pobreza preguiça, não pude adquirir os volumes.
Talvez, por ser vítima da comparação e da alta expectativa, não gostei tanto da versão americana lançada na semana passada.
Não é de toda ruim, o visual é legal, os efeitos e algumas mortes são apelativas, mas não exploradas de forma exageradas.

Shinigami, o ceifador

Shinigami, o ceifador versão nipônica

Os personagens que não se encaixaram com as minhas expectativas, sim, talvez seja pela comparação com a versão japonesa. Mas, juro que tentei separar o joio do trigo, tomei umas brejas para ajudar. Simplesmente não desceu.
Aí entrou questões importantes que confrontaram o meu ponto crítico.
A produtora desse longa é nada menos que a própria distribuidora e divulgadora, a poderosa Netflix. E para os poucos que sabem, ela tem apenas uma sala com a placa escrito “Criação” na porta, onde dentro ficam grandes mentes artísticas gastando longas horas de brainstorming e palpites de tendências do entretenimento. Nope! A poderosa do streaming trabalha com um dos maiores mecanismos de Big Data do mundo.
E é a partir de dessas análises que são captadas por sofisticados algoritmos que tiram insights do que seria produção com grandes chances de audiência.

Um exemplo foi a série House of Cards, nascida após o cruzamento de dados ter indicado em resumida deixa:
“Todos os espectadores que assistiram à versão britânica de House of Cards gostam também dos filmes em que o Kevin Spacey é o protagonista e de suspenses maduros e realistas e sombrios dirigidos pelo David Fincher”.
Pode parecer um A+B+C+D = X, mas os mecanismos da gigante capta praticamente tudo que pode quanto ao que um assinante assiste. Como quando deixou de assistir um filme, um evento de “qual cena foi a responsável pelo abandono?” trabalha sobre o seu perfil.
Nesse ano eles alteraram de forma brusca a forma de rating, ou como um espectador avalia um filme. As antes cinco estrelas foram substituídas pelos sucintos gostei-nãogostei. Agora somos como um imperador romano, decidimos com polegares a sorte da obra assistida.
E o que tudo isso tem a ver com a versão americana de Death Note?
Que conhecendo a Netflix sei bem que a produção não nasceu da conversa de um produtor com o executivo-mor. Minha certeza quase (sem modéstia, afinal, erro bastante nessa vida) absoluta é que o filme foi o resultado de alguma análise maciça de dados que se cruzaram e indicaram os preâmbulos de como seria o enredo, os personagens e suas ações.
Provavelmente eu não faço parte do perfil que eles pretendiam atingir e agradar. Para quem fuça o seu catálogo em seus gêneros e subgêneros sabe bem que eles atiram para todos os lados, com a ambição de conquistar todos os grupos de perfis possíveis.
Não gostei muito dessa versão, mas devo salientar e bater na tecla de que não sou contra novas versões, sejam de livros, hqs, músicas ou filmes.
Lembro de ter ficado empolgado quando anunciaram um longa de Akira produzido por Christopher Nolan. Adorei a versão Ghost In The Shell com a Scarlett Johansson como protagonista. E certamente haverá outros exemplos que me é gasto o exercício da lembrança.
Arte é isso. Um eterno renovar das perspectivas.
Só há o risco de não agradar certas personas. Mas todo artista assume esse risco quando vai adaptar qualquer obra que seja.

Ma’a salama

Star Wars 40 anos e Dia do Orgulho Nerd

Hoje é o Dia do Orgulho Nerd.
Data escolhida por ser o dia de estreia do primeiro Star Wars , hoje conhecido como Episódio 4 – Uma Nova Esperaça (Episode 4 A New Hope), em que o mundo conheceu a space opera que veio a se tornar na saga empolgante que criou toda uma cultura alternativa com seus mitos, símbolos e personagens idolatrados (Darth Varder deve ser o vilão mais admirado e adorado do mundo se comparado com os herois da saga).
Vale lembrar que a saga havia se encerrado com o Episódio 3 em 2005, mas em 2012 a Disney comprou a Lucas Films, estúdio do visionário George Lucas e renovou a franquia dando continuidade com o Episódio 7 – O Despertar da Força  (Episode 7 The Force Awakens) e sem previsão de fim, com a ambição de lançar um filme a cada um ou dois anos, proposta que está sendo cumprida até o momento.
Essa quarentona está num pique como se estivesse nos seus vinte e poucos.

SW 40 anos

SW 40 anos

O dia também é conhecido como o Dia da Toalha, em referência à hilária série O Guia do Mochileiro das Galáxias de Douglas Adams.

O conceito de ser nerd hoje se popularizou e muito com as diversas obras de ficção científica e fantasia adaptados nos últimos 20 anos.
Por mais que tudo seja uma gritaria demandada pelas grandes corporações do entretenimento é bacana ter uma data para celebrar esse gosto por magias e conflitos em outras galáxias para alegrar esses diferentões.

Ma’a salama

Trecho

Um formigamento nos pés indica que meu corpo não aguenta mais ficar deitado.
O engraçado é que até agora fico medindo esforços para pensar que tipo de veneno tomei.
Dependendo de qual fosse, queimaria minha garganta ao ingerir.
Não me lembro de ter queimado a garganta.
Se outro mais ameno, não poderia ter provocado o vômito de jeito algum.
Existe veneno que é tão mortal que bastaria uma gota para matar cerca de dez homens.
Sei também que há um tipo de veneno que estimula os pulmões a um tipo de relaxamento semelhante ao que o óxido nitroso provoca, e o resultado é a absorção do que você comeu direto pelo órgão respiratório.
O veneno de uma cascavel é fatal. E se não me engano, o veneno de uma viúva-negra é quinze vezes mais forte do que o de uma cascavel.
Vários nomes de substâncias tóxicas percorrem minha mente. Arsênico, Cianureto, Ricina, Estricnina.
Mas nenhuma associação está sendo possível.
Não consigo me movimentar. O que controla muitas funções sensoriais e motoras como movimentos oculares e a coordenação dos reflexos visuais e auditivos é o mesencéfalo. E, a essa altura, o veneno que não faço ideia qual seja o afetou completamente.
Agora, o mais interessante é a pergunta: quem me envenenou?

-Trecho de Simplesmente Complexo (Capítulo Um – Mesencéfalo)

Leia trechos maiores e até capítulos inteiros pelo Google Books.
Disponível nas livrarias: Saraiva, Martins Fontes, Loyola, Cultura e muitas outras.

Simplesmente Complexo – Onde Comprar

Dias atrás uma pessoa muito simpática me contatou informando que estava tendo dificuldades em encontrar o meu último livro para comprar.
Revisei os links da página dos meus livros e listo abaixo outros para quem mais estiver interessado nas memórias turvas de Gustavo que procura descobrir quem o envenenou.

É só clicar. ;)

Amazon
Google Play
Wook (ebook)
Martins Fontes
Livraria Cultura
Saraiva
Travessa
Walmart
Shopping Uol
Estante Virtual
Buscapé

Espero que tenham uma boa leitura.

Ma’a Salama

Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures)

A corrida espacial entre EUA e a antiga URSS entre os anos 1957 e 1975 foi uma disputa que criou um levante de empregos e prestadores de serviços para apoiar as agências espaciais. Os russos estavam na frente com o Sputnik, Laika e Yuri Gagarin, mas os americanos não deixaram o sonho morrer, com o aval de Kennedy passaram a mirar a Lua.
Mas Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures) está anos-luz de ser apenas um filme que endossa a supremacia e idolatria americana focando em seus avanços científicos. Tem sim a Nasa de 1961, e um monte de engenheiros cdf’s empenhados em como colocar um ser humano num míssil gigante e enviá-lo para além das nuvens. Porém, é a história de três afro-americanas que torna tudo num drama clássico sobre uma superação não entre nações, mas de preconceitos que infelizmente ecoam até os dias atuais.

Acompanhamos as amigas Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Mary Jackson (Janelle Monáe) e Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) que trabalham no mesmo setor, mas destacadas para funções diferentes, com o foco centrado mais no trabalho de Katherine que como ótima calculadora com sólidos conhecimentos em geometria analítica vai auxiliar no Grupo de Tarefas Espaciais onde tem como chefe Harrison (Kevin Costner) que é durão, mas aos poucos mostra certo despontamento de justiça.

Quebrando barreiras: mulheres negras na Nasa

Quebrando barreiras: mulheres negras na Nasa

Todos os elementos do preconceito enraizado no estado da Virgínia que tinha como lei a segregação racial são expostos sem medo de chocar e na medida certa para não ser exclusivamente um condimento muito apimentado.
Sempre que sofria com o preconceito sentimos aquela tristeza nos olhos das personagens, que duram poucos segundos, porque as mesmas não se abalam e partem para cima no sentido de enfrentar as barreiras não com violência, mas com a determinação de que podem conquistar os mesmos direitos, pois são tão capazes quanto ou melhores naquilo em que atuam.

Momentos de mérito são vários, como a cena em que Katherine justifica uma pausa de quarenta minutos fora do escritório de Harrison porque o banheiro para pessoas de cor ficava a 1,4 km de distância e o diretor vai até o local com um pé-de-cabra arrebentar a placa Colored Ladies Room e diz  “Aqui na Nasa urinamos na mesma cor”

As outras duas protagonistas não ficam para trás, há julgamento em que Mary precisa conquistar o direito de cursar engenharia, algo impensável para uma mulher e negra na época.
Dorothy que é a primeira mulher negra a entrar na Nasa também se destaca por sentir que o trabalho das calculadoras será extinto com o avanço tecnológico dos computadores, e ao ver gigantes máquinas da IBM entrando no prédio vai a uma biblioteca procurar um livro sobre a linguagem Fortran porque sabia que alguém precisaria programar as máquinas para realizarem os cálculos.

Quem disse que mulher não manja de matemática?

Quem disse que mulher não manja de matemática?

Curiosidade é que a trilha sonora é de Pharrel Williams e deixa alguns momentos  menos amargos num drama que merece atenção não somente no prisma artístico, mas também numa comparação com os dias atuais, em que o preconceito contra negros é forte, mesmo nos EUA ou até mesmo aqui no Brasil.
Há quem diga que separações e conflitos trazem progresso, mas de que adianta quebrarmos as barreiras do universo e termos separações entre os próximos aqui na Terra?

Ma’a salama

Até o Último Homem (Hacksaw Ridge)

Foi difícil dar crédito ao trailer de Até o Último Homem (Hacksaw Ridge), achei que seria uma história religiosa cafona, principalmente quando o diretor é nada menos que Mel Gibson, que se envolveu em diversas polêmicas por suas ofensas antissemitas e racistas, inclusive depois de ter dirigido A Paixão de Cristo (The Passion of the Christ), e todo o seu problema com o alcoolismo que impediu que ele fizesse uma ponta em Mad Max – Estrada da Fúria (Mad Max Fury Road) o que desfaz qualquer tentativa dele em parecer um bom cristão.

Mas quando fui introduzido ao filme, que tem Andrew Garfield como o protagonista de uma história de guerra real, percebi que essa é uma verdadeira obra realizada por quem dirigiu o épico Coração Valente (Brave Heart).
Há uma quebra na história semelhante ao memorável Nascido para Matar (Fullmetal Jacket) do Stanley Kubrick, em que a primeira metade se passa no camping de treinamento com um sargento durão compelindo os novatos a duros exercícios e ensinamentos de conduta e a outra em campo de batalha com os soldados a encarar a realidade de uma guerra em que o inimigo parece lutar de forma mais empenhada e embasada em sua ideologia.

No entanto, a diferença nesse filme é que o personagem principal, Desmond Doss, é adventista do sétimo dia e um Objetor da Consciência, fato que torna tudo mais interessante porque ele recusa portar uma arma durante o conflito.
A recusa causa indignação entre os colegas e superiores de farda. Quando questionado, Desmond diz que quer salvar vidas e não tirá-las, e seu alistamento não era para ser um fuzileiro e sim médico da tropa.
Há todo um processo de julgamento por indisciplina e insubordinação que mostra que tal pensamento mezzo religioso mezzo humanista não poderia ter lugar no exército do país que estaria a se tornar a maior potência mundial.

Andrew Garfield como o novato Desmond Doss

Andrew Garfield como o novato Desmond Doss

Esse não é o único empecilho na vida de Desmond, os problemas familiares não são ausentes quando se tem um pai alcoólatra que sofre com os traumas da Primeira Guerra mundial e que sempre foi violento para com ele e o irmão, e o fato de tal homem ser interpretado por ninguém menos que Hugo Weaving deixa alguns momentos memoráveis, como a cena em que o filho mais velho chega na mesa de jantar com um uniforme militar e o pai comenta sobre o amigo que adorava o uniforme e que levou o tiro pelas costas de modo que o sangue e as vísceras o sujaram, no fim, deseja que o filho levasse um tiro pela frente.
Há momentos cômicos, como por exemplo o romance que Desmond desenvolve com a enfermeira Dorothy (Teresa Palmer), tudo na inocência da época e aceitável pelo comportamento do personagem.

Os momentos de tensão chegam quando os soldados vão para a batalha, sendo um ponto de suma importância para que os EUA pudessem vencer a nação do sol nascente: Okinawa. Para quem assistiu a série The Pacific, ou simplesmente estudou a fundo sobre a Segunda Guerra, sabe o quão difícil foi vencer os japoneses lá.

Entre rajadas de tiros e um ambiente mortal que era localizado no alto de um desfiladeiro, não são ataques certeiros que fulgura o heroísmo de Desmond, mas sim seu desempenho em cumprir em que sempre acreditou: não matar.
E seus salvamentos sem nem mesmo tocar em uma arma garantem o filme naquele lugar no meu coração, tanto que muito lembrei de Gandhi, naquele filme em quem o interpreta é ninguém menos que Ben Kingsley. Onde a crença na não violência supera o mundo e seu estado de eternos conflitos.

"Mais um, por favor", era sua oração

“Mais um, por favor”, era sua oração

Não sou mais religioso, mas em tempos de Bolsonaro e alguns indivíduos que querem armar a população (justificando com passagens da bíblia…) e invocam a pena de morte, só consigo pensar num dos mandamentos mais importantes e que sempre teve peso em minhas reflexões:
Não matarás!

Ma’a salama