Termos buscados

Não é a primeira vez que posto aqui algo que ativa a minha curiosidade quando o assunto é search terms (termos de busca).
Demonstrei de forma nada modesta alguns termos que levavam desconhecidos até esse site, cujo domínio é o meu simples nome (a saber: Mohanad Odeh)
Pois bem, mais uma vez venho aqui prestar esse serviço de autopromoção do meu trabalho criativo.
Então, esteja avisado de que daqui pra frente o assunto pode ser interessante somente se você acompanha o que é postado nesse site.

A plataforma web que utilizo para administrar o site é gratuita e possui ferramentas úteis que permitem uma visão gerencial que atende as minhas necessidades.
Um dashboard indica visualizações do site além das páginas acessadas, separando por períodos, visitantes e até países.

E além disso, há uma seção que indica as visualizações recentes e outra com termos recentes pesquisado em buscadores, seja Google, Bing, Baidu, Qwant, Yandex (sim, o Google não é o único deus) e etc.
Muitos termos que aparecem lá já me arracaram risadas, pois é retrato do que acabam buscando nesses motores que conectam a vasta rede global compartilhada.
E muitos que aparecem por lá, acabam por atiçar a curiosidade e saber qual página do meu site a pessoa acabou por visualizar.
Além do meu próprio site, também fico curioso quanto a essa investigação.

Dias desses, um amigo comentou que queria matar algumas dúvidas sobre a 2ª Guerra Mundial e ao digitar o nome do bigodinho que causou o que causou apareceram sugestões do auto-complete, sendo uma delas a que faz o queixo cair: “Hitler era baiano“.
Em sua grande maioria, os mecanismos de auto-complete ignoram pontuação como interrogações, mas associa internamente com ramificações que indicam dúvida e não somente afirmação.
Dessa forma, encontrei uma postagem no twitter em que alguém dizia que o bigodinho era baiano porque a tradução para “mein fuhrer” é “meu rei”.
Saciou a minha curiosidade e, pelo menos para mim, é o que mais fez sentido ao termo buscado, mesmo que seja uma manifestação cômica no melhor estilo “Hue hue hue br br br”.

Voltando ao meu site, já senti uma ponta de felicidade quando vi “Aparelho que os jedi usam pra respirar debaixo d’água” levando a uma página daqui.
A sensação de ter contribuído com a comunidade nerd foi momentânea, pois a página acessada (Jedi usa relógio?) não responde a questão levantada, e cuja resposta tive que buscar para sanar outra inquietude que esses termos incitam.
A99 Aquata Breather é o nome do dispositivo que os Jedi utilizam para respirar embaixo d’água.

Tenho um texto cujo título é “Engasgado com Farofa e Carne Seca”, aliás, devo aproveitar e dizer que aqui há vários textos
de minha autoria disponibilizados gratuitamente para apreciação, e que, embora raramente, rendem retornos positivos e negativos.
Não darei abertura para reclamações quando meus textos estiverem em plataformas pagas (o que pode ser real num futuro próximo), pois pretendo deixar muita coisa aberta por aqui.
Enfim, há esse texto intitulado “Engasgado com Farofa e Carne Seca“.
Ele é simples, escrito como uma forma de exercício em que um amigo que trabalhava comigo num dia de ócio levantou o desafio através de uma postagem do Buzz (serviço extinto do Google que ambicionava ser um Twitter) em que eu deveria escrever um conto rápido que envolvesse preconceito, comida e morte.
Como disse anteriormente, o ambiente gerencial do site indicou uma visualização desse texto, no mesmo dia em que surgiu o termo buscado que o levou até ele:
Morri engasgado com farofa
O verbo no pretérito perfeito faz parecer que a frase foi escrita por um Brás Cubas (por favor entendam a referência de nossa literatura clássica) e novamente a curiosidade veio.
Para esse mortal que vos escreve o mais comum seria algo como “o que fazer ao engasgar com farofa” ou afins.
O que para efeitos práticos, meu texto não teria utilidade alguma.
A curiosidade aumentou quando surgiu uma mensagem no mesmo no site: “Isso ai aconteceu de verdade???”

Morreu engasgado
Mensagem do além


A pessoa não postou nos comentários do texto, enviou como mensagem privada, e não detalha a dúvida dela, mas considerando os rastros desse dia, creio que seja a mesma que chegou ao texto pelo termo buscado.
Bom, meu caro leitor eventual, conforme respondi também no particular: não.
Os contos publicados na categoria “Textos” do site são ficções, mesmo que realistas, fantásticos, com pé na científica, ou tramas policiais.
Eventos reais são mencionados em outras categorias, como por exemplo “Da Boca pra Fora“, em que costumo resenhar filmes, músicas, quadrinhos, livros e afins.
Ainda não sei se a minha resposta ajudou a visita inesperada em seu momento pós-vida, mas espero que mesmo no além, tenha se interessado por meu trabalho, afinal,
um dos maiores propósitos do site é o de divulgar esse ofício incompreendido que se apoderou de minha alma.

Talvez, nessa ânsia de que mais pessoas cheguem a esse pequeno espaço na grande rede mundial compartilhada, acabo por me deparar com situações dessas.
É o preço por ter optado em escrever assuntos variados.
E olha que sou negligente e procrastinador, posso ter evitado uma penca de “quedas” aqui, por pessoas que estejam buscando algo mais útil que meus contos e pertubações.

Ma’a salama!


Quando o Personagem tem Razão (Fidel Castro)

“— Humf, dois mil e seis foi o ano do fim dos ditadores! — ouvi dizer Jurandir. — Foram-se Milosevic, Pinochet e quase terminando dezembro Saddam foi enforcado. Mas Fidel, ah, Fidel diz ‘Aqui és Matusalém’, há-há-há. Eu acho que ele viverá pelo menos mais uns dez anos.”
Trecho de Simplesmente Complexo, Capítulo Seis – Serotonina

Considerando que a trama se passa no fatídico ano de 2007, Jurandir, o senhor que vivia num hotel do centro de São Paulo e gastava o tempo de sua vida jogando “algum jogo de cartas”, acertou em sua observação.

PS: Mil Lances de Fogo Parte 3

Para encerrar a série de Post-Scriptums eis a parte 3.

Como havia dito antes, Mil Lances de Fogo é um livro com muitas referências e detalhes que podem ter passado despercebidos. Mas neste post não falarei sobre o que estava oculto e sim, o que motivou a criação da estória.
Antes de Mil Lances de Fogo eu já havia escrito outras coisas. Uma trilogia de ficção fantástica e alguns contos, para ser mais preciso.
Desde os meus quinze anos tentava publicar essa trilogia, hoje engavetada e disponível apenas para amigos. No início houve muitas recusas de editoras por considerarem arriscado bancar uma trilogia de um escritor iniciante e que nem havia terminado o colegial.
E depois de várias tentativas cheguei a conclusão de que aquela trilogia não seria a minha estreia. Então, decidi escrever alguma outra estória.
Ideia vai, ideia vem e um monte de estórias estranhas e absurdas borbulhavam em minha mente.
Toco Loco foi uma delas. E quando imaginei estórias suficientes para uma escolha decente percebi de que todas não me agradavam.
Exatamente.
Eu odiava as estórias criadas naquela pressão de escritor fracassado (onde o fracasso surge antes mesmo de ser publicado…). Cheguei à conclusão de que nenhuma delas faria sucesso. Até que…

“Um escritor brasileiro de renomado sucesso poderia transformá-los em obras reconhecidas. Poderia ter até um fã-clube dedicado a manter todo o material de sua produção. Poderia ser o ídolo de fãs que apreciassem seus livros e até de pessoas psicóticas e obsessivas por suas mensagens subliminares”
Até que nasceu Júlio Monteiro. O famoso escritor de Toco Loco e outras estórias que povoam o miolo de Mil Lances de Fogo.
Para contar as estórias que eu mesmo rotulava como de má qualidade precisei criar uma outra como base, e então usei um conto em que o personagem principal era Ivan.
Quando a estória estava completa eu a li fingindo ser a primeira vez. Mesmo desta forma odiei as estórias criadas por Júlio Monteiro. Mas senti a ironia que queria passar. As estória eram um sucesso naquele universo fictício. Algumas foram adaptadas para o cinema, outras ganharam prêmios internacionais. Júlio Monteiro se tornou um dos nomes mais importantes da literatura nacional e conquistou isso escrevendo as histórias mais escrotas possíveis, em minha opinião pelo menos.
Após o lançamento eu fiquei ansioso pelos retornos dos leitores. Queria sentir o peso dos elogios e das críticas. Como já esperava certo equilíbrio, não me surpreendi com o resultado. Tem aqueles que adoraram o livro e aqueles que não viram graça alguma.
Mas o que me surpreendeu foi de que houve pessoas que adoraram Toco Loco, onde no romance é o maior sucesso de Júlio Monteiro. Muitas pediram para que escrevesse na íntegra os sete livros.
Eu ria por dentro. Não acreditava que aquilo era possível. Eu não me sentia orgulhoso pelo meu poder criativo, mas por ter influenciado a gostarem do que considerava ser as minhas piores estórias.
Após esses anos, ainda vejo a capa de Mil Lances de Fogo e todo o mistério envolvido em sua estória (ou estórias, se preferir) e sei de que no fim das contas, a estreia teve um efeito positivo. E me sinto a vontade para continuar escrevendo.

Ah, e quanto a ironia, tentarei não repetir, mas não posso prometer…

Ma’a salama!

PS: Mil Lances de Fogo Parte 2

Estava lendo um livro de Irvine Welsh e um trecho me chamou a atenção.  Falava sobre os livros prediletos de um personagem, e um deles é O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Um dos meus livros prediletos também.
O engraçado que uma relação entre dois personagens que é alimentado pela disputa profissional e valores comportamentais levou a um deles a amaldiçoar o outro. E essa maldição é semelhante a qual Dorian Gray comete, neste caso, ele se amaldiçoa em prol de sua vaidade.
Achei interessante o autor ter comentado o único romance do poeta sendo que um dos pontos mais atrativos da trama foi baseada na obra.
Não considero um demérito um autor referenciar em seus textos obras ou fatos que marcaram sua identidade como leitor e/ou escritor.
Tanto que, neste post irei revelar referênciasem Mil Lancesde Fogo.Não, não há mensagens subliminares.
Contém spoilers!
Uma delas é uma situação que ocorreu com Tolkien. No capítulo seis(Fã n°2), um dos integrantes do fã-clube de Júlio Monteiro explica a Ivan porque o maior sucesso do escritor nunca virou filme. Ele diz que o autor recebeu uma oferta para adaptar a obra de sete volumes sendo resumida em três longas, ele assistiu a um piloto de cinco minutos e teve um ataque de tosse quando viu que os efeitos eram de baixa qualidade, mudaram o final e que substituiriam a cena da praga de ratos por uma de pássaros por serem mais fáceis de adestrar.
Essa situação nada mais foi do que aconteceu com Tolkien: Quando ofertaram há muitos anos que O Senhor dos Anéis fosse para as telonas a produtora lançou um piloto e o escritor teve um ataque de tosse quando viu a péssima qualidade dos efeitos especiais e que os Orcs tinham bicos, pois segundo um produtor, economizava na maquiagem. Tolkien não assinou o contrato e infelizmente deixou o mundo antes de assistir á magnífica adaptação pelas mãos de Peter Jackson.
Essa referência cheira a uma homenagem, talvez sim…
Outra referência aparece no conto Pena da Esperança, lido por Ivan. Na verdade, nesse conto há duas referências.
A primeira é sobre uma das vidas passadas do papagaio Roque. Ele se lembra de que já fora um humano. E que também fora um cachorro por duas vezes. Na primeira das encarnações como um cachorro se recordou remotamente que fora uma cadela pastor-alemão que foi morta por seu próprio dono. Não ficou muito explícito, mas a cadela seria Blonde, o animal de estimação de Hitler(fique bem claro que por este não possuo simpatia alguma) que a envenenou antes de cometer suicídio.
Outra referência presente no conto é sobre o incêndio do circo. Em que um anão o incendiou para se vingar de sua demissão. Isso ocorreu de fato e infelizmente várias pessoas morreram.
As minhas referências indicam mais a invasão da ficção sobre a realidade. E acho que isso será um dos aspectos mais presentes na minha literatura.
Há outras, mas não revelarei tão cedo. Quem descobrir ou tiver uma suspeita, fico contente em discutir.
Ah, sobre as mensagens subliminares, elas não existem mesmo. Mas deixei algo oculto que quem descobrir ganhará um exemplar de meu próximo livro a ser publicado, seja ele qual for.

Ma’a salama!

PS: Mil Lances de Fogo Parte 1

No filme Rock Star o personagem de Mark Wahlberg exibe a capa de um vinil da banda da qual era fã e também fazia cover. Ele diz que é o primeiro trabalho do grupo e que o nome de um dos integrantes está escrito de forma errada. Mas ele não se mostra indignado, e sim o contrário, exibe um sorriso indicando a capa do vinil com o nome errado como se aquilo fosse um motivo de se orgulhar.
Muita gente que assistiu ao filme parece não entender essa cena. Não conseguem captar o porquê daquele sorriso orgulhoso. Não seria de se pensar que quem produziu a arte da capa menosprezou a banda em início de carreira por não se atentar em como era escrito o nome? Qual seria a razão de se orgulhar?
Para entender esse comportamento de forma simples imagine que quem quer que tenha ignorado um artista em início de carreira pressupondo de que o mesmo não faria sucesso possa conferir um dia de que estava errado. De que foi um absurdo não ter reparado que aquele solo de guitarra soava bem ou de que aqueles tons roxos tinham um sentido filosófico ou de que aquele sorriso meio torto era digno de um prêmio internacional. De que devia ter se atentado que o nome não era com I e sim com Y. De que sempre teria na memória que foi quem errou sobre o sucesso do artista e que agora eles estavam no topo. E que certamente deviam rir ao se lembrarem de que no primeiro trabalho imprimiram na capa o nome escrito de forma errada.
É uma maneira diferente de se orgulhar, mas ainda assim é bem comum.
Algo parecido aconteceu comigo quando publiquei o meu primeiro livro.
Não. Não escreveram o meu nome de forma errada, muito menos o nome do livro.
Na primeira semana em que o livro chegou ás livrarias eu fui correndo conferir o resultado da exposição. Por ter sido lançado em uma tiragem de mil e quinhentos exemplares, comum para autores iniciantes, eu já sabia que Mil Lances de Fogo não estaria nas ilhas de lançamentos. Então fui procurar nas prateleiras, os olhos atentos ao nome árabe ao lado do título que não dizia muita coisa.
Não tive sucesso. Olhei novamente, mais devagar, podia ter passado despercebido. Nada.
Sem sucesso tive que perguntar á uma funcionária se ela podia verificar no sistema se ele estava disponível, ou se ao menos estava cadastrado. A atendente verificou e indicou de que havia dois exemplares na loja e sendo muito prestativa me acompanhou até onde se encontrava.
Estava na prateleira de trás, na seção de Literatura Estrangeira. Ela retirou junto dos outros e me perguntou se era aquele. Respondi ainda meio surpreso que sim e também disse que estava errada aquela classificação. De que aqueles dois exemplares deviam estar na seção Literatura Nacional. Ela disfarçou um olhar sarcástico e inclinou a capa para que eu visse o nome do autor. Sendo educado agradeci a ajuda e fiquei ali, parado em frente aos livros dos gringos.
Como a organização dos livros era em ordem alfabética pelo sobrenome do autor, pude notar de que me encontrava ao lado de um clássico da literatura: A Revolução dos Bichos, do fabuloso George Orwell.
Sem que a atendente notasse retirei os dois e os coloquei na seção correta. E antes de ir embora fiquei imaginando o porquê daquilo. Afinal, Mil Lances de Fogo faz parte do selo Novos Talentos da Literatura Brasileira. Foi publicado por uma editora nacional, por um escritor que tem a cidadania brasileira.
Conferi com a editora e soube de que ela enviava para os distribuidores indicando a seção correta. Então o erro era da livraria? Quem recolhia os livros do estoque e os classificava não lia o documento enviado pela editora? Será que o responsável apenas lia o título e o nome do autor e depois encaminhava para as seções?
Se esse processo ocorria dessa forma posso imaginar o que pensaram ao ler o título e o meu nome: “Outro drama decorrente da guerra no Oriente Médio?”.
Mas, apesar desse detalhe, não fiquei irritado. Não recorri á administração da livraria para que corrigissem a exposição do livro.
E toda vez que conto este causo a alguém, imagino um futuro promissor e fico exibindo o mesmo sorriso do personagem de Mark Warlberg.