O Melhor de 2025

Findo 2025.
Um ano belo e de gozo pelo cinema brasileiro tendo seu reconhecimento na cerimônia da estatueta do hominho dourado com Ainda Estou Aqui, com destaque para também para o documentário israelo-palestino Sem Chão (No Other Land) que levou o Oscar de melhor documentário.
Por um lado, o cinema nacional agora sonha em alçar voos maiores e com gana de figurar anualmente em todos os maiores prêmios. Por outro lado, o povo palestino, mesmo com um documentário denunciante com um prêmio expressivo como o da Academia, ainda tende a sofrer, inclusive um dos produtores, Hamdan Ballal, foi agredido brutalmente por colonos israelenses de forma covarde, ainda em meados de março, mesmo mês da cerimônia.
Sinais de como funciona a opressão do meu povo…

Desde que iniciei a série de retrospectivas “O Melhor de [Ano]” há mais de 10 anos, eu havia definido que a regra sempre seria expor as melhores coisas, porém, uma carga de angústia tem me consumido nos últimos anos, e não consigo omitir os fatos, então sempre hei de mencionar e denunciar, mesmo para essa minha mui pequena audiência, tudo o que me incomoda, ainda que de forma preambular.
Nenhum ano é inteiramente ruim, Nenhum ano é inteiramente bom.

LIVROS

Eles Vivem, Ray Nelson, (Trad. L.F. Lunardello; Nathalia Sorgon Scotuzzi)
Coletânea primorosa de contos de ficção-científica do autor Ray Nelson, cujo conto “Oito Horas da Manhã” serviu como base para o famoso filme Eles Vivem (They Live) do renomado diretor John Carpenter. Adorei pirar nesses contos do escritor contemporâneo e parceiro de “escola” da paranoia do outro mago da FC Philip K. Dick. Os contos “Viagem no Tempo para Pessoas Ordinárias” e “Desligue o Céu” são peças magníficas.
O Som do Rugido da Onça, Micheliny Verunschk.
Estava devendo ler a prosa da elogiadíssima Micheliny Verunschk, cujos parágrafos desses relatos do século XIX, que se misturam com ecos no mundo contemporâneo, sobre uma tragédia colonialista em que exploradores arrancam de sua terra natal duas crianças indígenas levando-as para a fria Alemanha. Triste que a trama do preconceito de um encontro com a criança menina Iñe-e com Tipai uu, a “Onça Grande” permitiu que o seu destino fosse o de ser levada pelos europeus pela desconfiança paterna.
Micheliny consegue transformar uma cena simples em um ponto de perturbação, como no caso de uma sala de espera em um banco com quadros de indígenas em suas paredes.
Meridiano Infinito, Mariana Carolo.
Li Meridiano de Sangue de Cormac McCarthy no ano passado, então, toda aquela saga de um faroeste supra-violento estava bem fresco em minha memória. Já Graça Infinita li há dez anos, porém, David Foster Wallace também segue vivo em minha memória, não somente pelo calhamaço publicado em 1996, mas por suas frases e por seu trágico fim.
Mariana Carolo é brasileira e não desiste nunca.
Como pode notar, ela não é referida como tradutora aqui, mesmo tendo traduzido os textos, ela aqui deveria ser marcada como algo a parte, superior a uma “organizadora”, porque a braba insistiu, lutou, esbravejou com estudiosos estadunidenses pedantes para conseguir publicar aqui em terra brasilis um trabalho que é o encontro desses dois gigantes, sendo no caso o David Foster Wallace criando notas e observações sobre o livro de Cormac.
Além de um trabalho editorial, além de um material interessante para fãs de ambos autores, além de um guia íntimo interessante para escritores sentirem que os grandes também têm suas dúvidas diante de trabalhos de pares, Meridiano Infinito é um dos livros que orgulho de ter adquirido por conta do processo que o trouxe à vida.
Frankito em Chamas, Matheus Borges.
Esse deveria ser de leitura não obrigatória, mas necessária, para millennials que em algum momento já tiveram aquela sensação de que o tempo de fazer algo que valha a pena na vida já se foi.
Mas Frankito em Chamas não é será um manifesto ou acalentador para nós millenials, e tenho certeza de que não existiria livro que fosse capaz disso.
Nessa obra do gaúcho Matheus, há cenas de um sossego de espírito quanto ao que se deveria esperar de uma trama que acompanha um roteirista indo para o Uruguai acompanhar as filmagens do filme baseado em seu roteiro. Cenas naipe “Criterion Collection” entre dois entendidos em que poderia ter uma exibição de um cinema diferentão como escolhido e no final o personagem deseja assistir Ishtar cruzam com outras cenas naipe em que a canção Tic Tic Tac do grupo Carrapicho acalmando o coração solitário de uma mulher num karaokê no distante Japão. A ideia de reescrever algumas cenas do filme durante a produção deixa um quê do que todos queremos: ter um senso de forçar esperança ao ver queimar aquilo que não vivemos.
Stella Maris, Elias Khoury (trad. Safa Jubran).
Infelizmente o escritor libanês Elias Khoury faleceu no ano passado. Esse sim merecia um prêmio Nobel.
A continuação de Meu Nome é Adam, da trilogia Crianças do Gueto era um dos mais esperados do ano, e chegou no começo de dezembro. Agora a trama acompanha Adam Dannun, o primeiro nascido no gueto após o massacre de Lidd, tentando sobreviver na pele identitária de um país ocupado.
Vemos o jovem abandonando o gueto, indo para a bela cidade de Haifa, e em sua tentativa de adaptação mentir em várias vezes que é judeu, transfigurando até o sobrenome, eliminando um N e trocando o U por O (Danon), sendo acolhido em lares que custam a entender seu lado da história quando é descoberto como árabe. Adam tem sua primeira experiência amorosa e sexual, consegue iniciar estudos na universidade e é levado a contragosto até a Polônia numa excursão ao gueto de Varsóvia, onde revive as lembranças não vividas, mas sabidas por herança da Nakba que todo palestino acaba por carregar em sua vida. Adam Dannun acaba por se entender como um ausente presente, e é confrontado com esses fantasmas do passado, assim como pelos israelenses que custam a acreditar que ele é sobrevivente também de um holocausto, e que também viveu em um gueto, tanto mais, quando os causadores de tal sofrimento são os próprios israelenses.

Adam Dannun, filho do gueto, em sua luta identitária
Adam Dannun, filho do gueto, em sua luta identitária

Dois argentinos que devia conhecer e acabei por ler esse ano foram, o primeiro, César Aira , com o livro O Congresso de Literatura, e a outra a Samantha Schweblin com o O Bom Mal.
Gostei de ter conhecido a prosa da Verena Cavalcante com o Como Nascem os Fantasmas.
Fui iniciado no mundo da psicanálise, mas de forma micro-dosada, com o Olhando Torto: uma introdução a Jacques Lacan através da cultura popular, do filósofo Slavoj Zizek, em que aborda muito da teoria pelo cinema de Hitchcock e seus contemporâneos.

HQ
Ouroboros de Luckas Iohanathan, em um belo gibi que costura um retrato de violências do drama familiar, com cenas de contemplações taciturnas e belos tons de azuis melancólicos.

Ouroboros
Ouroboros

SÉRIES
Slow Horses figurará em primeiro lugar para não ficar naquela pataquada de menção honrosa, visto que ano após ano ela persiste em uma das melhores criações de comédia para televisão dos últimos anos. Jackson Lamb, o personagem de Gary Oldman nunca perde a graça.
Andor
E não é outra a melhor do ano, senão a querida Andor. A segunda e última temporada da série que revela a verdadeira faceta dos rebeldes do universo da “Guerra nas Estrelas”, no compasso político rente ao zeitgeist, com seriedade e foco no microcosmos das vidas mais ordinárias dos que sofrem em um império opressor. Se fosse ingênuo ficaria me perguntando como é que a Disney conseguiu produzir algo tão bom.

Andor: Tiro, Porrada e Bomba e... belo discurso
Andor: Tiro, Porrada e Bomba e… belo discurso



O Eternauta
A série argentina sobre uma neve tóxica matadora sobre Buenos Aires foi outra ótima produção da gigante do streaming Netflix que tem apostado em adaptar obras latino-americanas, sejam livros ou história em quadrinhos como no caso da série com o ator mais que conhecido Ricardo Darin.
Black Rabbit
A minissérie da Netflix me pegou de surpresa, com Jude Law e Jason Bateman como irmãos em uma dinâmica que vai se desenrolando para adivinharmos quem é pior dos dois em um drama familiar envolvendo egos, restaurante, Brooklin e uma penca de decisões duvidosas.
Chefe de Guerra
Jason Mamão Momoa reprisa o papel destinado ao seu físico, e aqui não se sobressai em atuação, mas foi interessante assistir essa série que mostra mais sobre essas belas ilhas do pacífico (hoje Havaí) e seus povos originários em lutas por poder, e bacana por entender que o nome do golpe mais famoso de Goku veio de um líder histórico e real: kamehameha.
Mammals
Descobrir-se corno acontece nesse mundo, e o interessante é o andamento posterior, essa minissérie de episódios curtos foi bem engraçada e tá quase escondida no Prime.
Pluribus
Rhea Seehorn era fabulosa em Better Call Saul, e agora brilha sem filtro nessa série cujos holofotes são voltados para a personagem dela em uma trama que pisca para o paradoxo de Fermi e vai além com um mundo que desenvolveu uma consciência coletiva deixando por questões genéticas e da estatística ínfima doze outliers, sendo ela um dos imunes. A ideia já foi explorada no SciFi há décadas, fãs de Star Trek que o digam, mas o hiper-foco dessa série e na maneira como Vince Gilliam consome a narrativa traz um frescor mais acessível ao público do que o jeito hard da galerinha das naves.

Contra o mundo
Contra o mundo



Das temporadas continuadas valeram a segunda de Mo, do palestino Mohammed Amer, com roteiro audacioso sobre as discussões da causa palestina que não foi eclipsada pós o sete de outubro.
Destaca-se também a segunda de O Ensaio (The Rehearsal) com Nathan Fielder voando mais alto aqui, tocando em uma pesquisa do que poderiam ser grandes causas de acidentes aéreos.
A terceira de Fundação parecia mais promissora que sua concepção, com a aparição de um dos personagens antagônicos mais famosos da literatura, a figura do Mulo foi um dos pontos altos de quando li a trilogia na adolescência, porém, considerei essa última temporada melhor que a segunda.

FILMES
Um Homem Diferente
Sebastian Stan conseguiu se sobressair na carreira de estrela da Marvel optando por dar vida ao Potus laranjão no filme O Aprendiz (The Apprentice) e no engraçado Um Homem Diferente (A Different Man), em que está em paralelo com o duplo de Dostoiévski quase às avessas.

Um Homem Diferente
Um Homem Diferente



Casa de Dinamite
Fazia tempo que um filme sobre geopolítica não me ativava a ansiedade como esse. Excetuando a alienação do cenário contemporâneo de potências elencáveis para a ameaça nuclear, já que aqui a trama cheira a bolor quando foca nos russos e ignora a importância da China ou Coreia do Norte, tu fica preso na tensão dividido em três atos.

Uma Batalha Após a Outra
Todo mundo pira com a cena de perseguição dos carros, com razão, Paul Thomas Anderson é um gênio. Mas há outras dezenas de cenas memoráveis, tensas e mui engraçadas no longa, como o Leo Di Caprio despencando de um prédio ou ele sofrendo em se comunicar em espanhol com mexicanos.

O Agente Secreto
Wagner Moura em entrevista recente agradeceu por ter feito um filme no nosso idioma brasileiro, o astro têm brilhado e labutado muito em produções estrangeiras. Além dele ser ótimo temos a revelação de Dona Sebastiana, personagem da atriz Tânia Maria, que dá um sabor especial nessa estória de Kléber Mendonça Filho.
“Quem tem medo da perna cabeluda?”

Pecadores
Um “vampiro rei” bate a porta numa festa de negros em Pecadores (Sinners), ótimo filme do diretor Ryan Coogler que tem mais acertado do que errado (não curti muito o segundo Pantera Negra).


A Única Saída
O sul-coreano A Única Saída (No Other Choice) de Park Chan-wook, diretor muito conhecido por Old Boy bateu em mim pelo fato de ter sido demitido nesse ano, um fato que abala qualquer um quando vem sem aviso, mesmo em uma situação em que minha vida financeira e profissional estivesse em sólidos alicerces, e apesar do filme ir por um caminho de violência e desespero, a ânsia estava bem pareada com todos os temores que os proletários desse século do capitalismo tardio há de sentir, tanto mais com essa ridícula bolha de IA vindo na sola das “automatizações” e precarizações da força humana.

Lá vou eu atualizar a foto do LinkeDisney
Lá vou eu atualizar a foto do LinkeDisney




Gostei da sessão da tarde que foi o novo Superman.
Gostei do sensível Sonhos de Trem.
E gostei também do clássico e desgracento Vá e Veja (Come and See) de 1985 que “mostra os horrores da guerra”.

MÚSICA
Viagra Boys
A banda sueca de pós-punk lançou o ótimo álbum Viagr Aboys, com a faixa Man Made of Meat no meu repeat do ano.

Man Made of Meat
Man Made of Meat



Bob Vylan
Se posicionou contra o genocídio em Gaza sem papas na língua e com essa atitude descobri esse artista maravilhoso que é o Bob Vylan. A The Hunger Games é um hino da revolta e do desgaste nosso de cada dia nesse capitalismo tardio.

Bob Vylan
Bob Vylan



Amaro Freitas
Bela descoberta desse pianista genial, fui no show e vibrei com sua maestria e experimentalismos com chocalhos evocando sons indígenas e prendedores nas cordas do piano que produzem ritmos de percussão. Esse pernambucano merece um maior reconhecimento.

***Mais do Mesmo que satisfazem a vontade de ouvir um novo mais do mesmo
Samael com a Black Matter Manifesto.
Soulfly com a Nihilist.
Tyler the Creator com Sugar on my Tongue.

***Belas misturas***
Berghain da Rosalía com Björk e Yves Tumor  
Luther do Kendrick Lamar com SZA
Talk Olympics do Obongjayar com Little Simz

***Show inusitado***
Do neida, passeando na galeria Metrópole com a namorida, tá lá o Andreas Kisser (Sepultura dã) atrás de uma vitrine tocando violão para uma dúzia de cadeiras e uma galerinha de pé.

Andreas Kisser tocando atrás de uma vitrine
Andreas Kisser tocando atrás de uma vitrine


DOCUMENTÁRIO
The Fire Within: A Requiem for Katia and Maurice Krafft, do Werner Herzog. O documentário é uma homenagem ao casal francês de vulcanólogos mortos por uma nuvem piroclástica no Japão no início dos anos 90. A narração e as belas imagens traçam uma obra poética por um amor à natureza bruta.


Aka Charlie Sheen, documentário da Netflix dividido em duas partes, que mostra a história de um dos nepo babies mais famosos de holywood, desde os anos 80, do sucesso acumulado nas décadas seguintes, tendo se tornado o ator mais bem pago da TV nos anos 2010 tendo recebido em média 1,5 milhão de doletas por episódio da série Dois Homens e Meio (Two and a Half Man). O documentário apesar de simples foi interessante pelo apelo nostálgico dos filmes que ele participou, dos detalhes desnudados de seus vícios e polêmicas e de ficar feliz por saber como alguém conseguiu sobreviver e poder dizer hoje que está há anos sóbrio.

O Freelancer – O Homem por Trás da Foto, o documentário investigativo de reparação histórica pelo crédito de uma das fotos mais famosas da história, a da criança nua correndo com os braços pendidos e semblante de sofrimento, todo mundo já viu em algum momento a foto de Kim Phúc, conhecida como a “Garota do Napalm”. O documentário revela que o autor do clique, Nick Ut, que gozou de reconhecimento, venceu Pulitzer e deu palestras por décadas não é o responsável real do ícone denunciante da guerra do Vietnã, o verdadeiro autor da foto foi o freelancer Nguyen Thanh Nghe, que na época recebeu 20 dólares e nada mais.


Trilha Sonora para um Golpe de Estado (Soundtrack to a Coup d’Etat), documentário foda demais, que escancara as maquinações mesquinhas políticas e de serviços secretos para o assassinato de Patrice Lumumba, primeiro-ministro do Congo que tinha acabado de conquistar a “independência”.
Assistir ao documentário é como almoçar uma comida que não gosta em um local nada aprazível, e tenho a impressão que é esse retrogosto das personagens envolvidas em tudo o que aconteceu, como os grandes músicos de jazz que foram usados para disfarçarem conspirações europeias e americanas.

Trilha Sonora para um Golpe de Estado
Trilha Sonora para um Golpe de Estado




Bienal
Enfim conheci a Bienal, nunca tinha visitado uma bienal de arte de São Paulo.
Conhecer as estruturas arquitetônicas da região do Ibirapuera sempre me cativava quando ia nas raras excursões da escola.

Para mim: uma árvore da vida
Para mim: uma árvore da vida


Por votos de um 2026 recheado de coisas boas, disputando espaço nessa tarefa de elencar o que foram os melhores momentos.

Ma’a Salama!

Ouro é para os Fracos

Esse texto não é sobre dicas de investimento, onde vou declarar que apesar de especialistas indicarem que o ouro é a onda da vez há um esquema de pirâmide, marketing multinível ou criptomoeda que vão de fato te garantir rios de dinheiro, e para isso bastaria um simples cadastro para uma apostila paga de um curso meu.
Não.
Esse post tem o intuito de ofertar não uma apostila, mas um livro.
Enquanto “A Melhor Parte da Mentira” não sai, resolvi publicar de forma independente um romance de ficção científica e fantasia com ambientação árabe pela plataforma Kindle.
E como gosto muito de você lhe informo em primeira mão que por tempo limitado está com um preço bem camarada: R$ 2,80 (Dois reais e oitenta centavos) —EXPIRADO EM 10/11/2020.
Sim, o ebook estará com esse preço inaugural bacanudo devido a todas as crises que as terras tupiniquins vem sofrendo. Mas será por tempo limitado ( EXPIRADO EM 10/11/2020), e a atualização poderá dobrar ou até mesmo triplicar esse valor.
Importante: esse valor está disponível no site brasileiro (amazon.com.br), em outros domínios aparecerá com o valor mínimo na moeda local.
Sem mais delongas, segue abaixo a sinopse:

Arizz, um ex-pirata, convoca um grupo formado pelo espião ocidental Rogson, a meta-humana Udina, o mascarado Madnun e o alquimista Hamud para realizarem o maior roubo da historia valendo-se do dom de sua parceira Laila, que é o de ver o futuro.
Ao convencer o grupo, Arizz antecipa que o alvo do roubo não é ouro, e sim algo que não é de conhecimento humano e existe de forma clandestina no mundo.

Para comprar no Kindle clique aqui.

Espero que goste.
E ficarei imensamente agradecido se puder indicar para as pessoas que conhece e que apreciem esse tipo de literatura.

Ouro é para os fracos

Ouro é para os fracos

Ma’a Salama

Termos buscados

Não é a primeira vez que posto aqui algo que ativa a minha curiosidade quando o assunto é search terms (termos de busca).
Demonstrei de forma nada modesta alguns termos que levavam desconhecidos até esse site, cujo domínio é o meu simples nome (a saber: Mohanad Odeh)
Pois bem, mais uma vez venho aqui prestar esse serviço de autopromoção do meu trabalho criativo.
Então, esteja avisado de que daqui pra frente o assunto pode ser interessante somente se você acompanha o que é postado nesse site.

A plataforma web que utilizo para administrar o site é gratuita e possui ferramentas úteis que permitem uma visão gerencial que atende as minhas necessidades.
Um dashboard indica visualizações do site além das páginas acessadas, separando por períodos, visitantes e até países.

E além disso, há uma seção que indica as visualizações recentes e outra com termos recentes pesquisado em buscadores, seja Google, Bing, Baidu, Qwant, Yandex (sim, o Google não é o único deus) e etc.
Muitos termos que aparecem lá já me arracaram risadas, pois é retrato do que acabam buscando nesses motores que conectam a vasta rede global compartilhada.
E muitos que aparecem por lá, acabam por atiçar a curiosidade e saber qual página do meu site a pessoa acabou por visualizar.
Além do meu próprio site, também fico curioso quanto a essa investigação.

Dias desses, um amigo comentou que queria matar algumas dúvidas sobre a 2ª Guerra Mundial e ao digitar o nome do bigodinho que causou o que causou apareceram sugestões do auto-complete, sendo uma delas a que faz o queixo cair: “Hitler era baiano“.
Em sua grande maioria, os mecanismos de auto-complete ignoram pontuação como interrogações, mas associa internamente com ramificações que indicam dúvida e não somente afirmação.
Dessa forma, encontrei uma postagem no twitter em que alguém dizia que o bigodinho era baiano porque a tradução para “mein fuhrer” é “meu rei”.
Saciou a minha curiosidade e, pelo menos para mim, é o que mais fez sentido ao termo buscado, mesmo que seja uma manifestação cômica no melhor estilo “Hue hue hue br br br”.

Voltando ao meu site, já senti uma ponta de felicidade quando vi “Aparelho que os jedi usam pra respirar debaixo d’água” levando a uma página daqui.
A sensação de ter contribuído com a comunidade nerd foi momentânea, pois a página acessada (Jedi usa relógio?) não responde a questão levantada, e cuja resposta tive que buscar para sanar outra inquietude que esses termos incitam.
A99 Aquata Breather é o nome do dispositivo que os Jedi utilizam para respirar embaixo d’água.

Tenho um texto cujo título é “Engasgado com Farofa e Carne Seca”, aliás, devo aproveitar e dizer que aqui há vários textos
de minha autoria disponibilizados gratuitamente para apreciação, e que, embora raramente, rendem retornos positivos e negativos.
Não darei abertura para reclamações quando meus textos estiverem em plataformas pagas (o que pode ser real num futuro próximo), pois pretendo deixar muita coisa aberta por aqui.
Enfim, há esse texto intitulado “Engasgado com Farofa e Carne Seca“.
Ele é simples, escrito como uma forma de exercício em que um amigo que trabalhava comigo num dia de ócio levantou o desafio através de uma postagem do Buzz (serviço extinto do Google que ambicionava ser um Twitter) em que eu deveria escrever um conto rápido que envolvesse preconceito, comida e morte.
Como disse anteriormente, o ambiente gerencial do site indicou uma visualização desse texto, no mesmo dia em que surgiu o termo buscado que o levou até ele:
Morri engasgado com farofa
O verbo no pretérito perfeito faz parecer que a frase foi escrita por um Brás Cubas (por favor entendam a referência de nossa literatura clássica) e novamente a curiosidade veio.
Para esse mortal que vos escreve o mais comum seria algo como “o que fazer ao engasgar com farofa” ou afins.
O que para efeitos práticos, meu texto não teria utilidade alguma.
A curiosidade aumentou quando surgiu uma mensagem no mesmo no site: “Isso ai aconteceu de verdade???”

Morreu engasgado
Mensagem do além


A pessoa não postou nos comentários do texto, enviou como mensagem privada, e não detalha a dúvida dela, mas considerando os rastros desse dia, creio que seja a mesma que chegou ao texto pelo termo buscado.
Bom, meu caro leitor eventual, conforme respondi também no particular: não.
Os contos publicados na categoria “Textos” do site são ficções, mesmo que realistas, fantásticos, com pé na científica, ou tramas policiais.
Eventos reais são mencionados em outras categorias, como por exemplo “Da Boca pra Fora“, em que costumo resenhar filmes, músicas, quadrinhos, livros e afins.
Ainda não sei se a minha resposta ajudou a visita inesperada em seu momento pós-vida, mas espero que mesmo no além, tenha se interessado por meu trabalho, afinal,
um dos maiores propósitos do site é o de divulgar esse ofício incompreendido que se apoderou de minha alma.

Talvez, nessa ânsia de que mais pessoas cheguem a esse pequeno espaço na grande rede mundial compartilhada, acabo por me deparar com situações dessas.
É o preço por ter optado em escrever assuntos variados.
E olha que sou negligente e procrastinador, posso ter evitado uma penca de “quedas” aqui, por pessoas que estejam buscando algo mais útil que meus contos e pertubações.

Ma’a salama!


O Melhor de 2018

Embora o ano de 2018 ter sido marcado por embates ideológicos e com a tristeza de não termos sido hexacampeão no campo, só vi vantagem nesses rápidos 12 meses que se passaram.
E o motivo para tal saldo positivo foi o fato de meu próximo romance, A Melhor Parte da Mentira, ter sido escolhido para publicação pela editora Nocaute.
Nem precisava dizer mais nada, acabar minha retro na modéstia de ter sido selecionado em mais de cem originais enviados para submissão e ter a noção de que minha carreira de escritor tem lá seu espaço nesse mundo canibalesco.
Mas como é tradição (firmada por mim mesmo) vou lançar aqui o que melhor vivenciei em 2018.
Lembrando que esse site é reservado para detalhes vinculados à arte, então não esperem ver detalhes pessoais como mudança de emprego e amores mil.
O livro que mais me cativou foi um nacional: O Filho Mais Velho de Deus e/ou o Livro IV, do autor Lourenço Mutarelli, que deu uma entrevista para a Folha que me perturbou, pois mostra que mesmo o cara que deu certo como escritor, não consegue estufar o peito e dizer que consegue viver apenas de literatura, justo no fim do ano, em que as maiores redes de livrarias declararam monstruosos problemas financeiros.
Porém, a obra de Mutarelli é muito interessante. Faz parte do projeto Amores Expressos da Companhia das Letras, em que há alguns anos vem despachando escritores para uma cidade ao redor do mundo com as despesas pagas para vivenciar algo e escrever uma obra que seja ambientada em tal cidade e que obrigatoriamente deva ter uma história de amor que se desenrole lá.
Em o Filho Mais Velho acompanhamos a história de Albert Artur Jones, nome esse criado para proteger a identidade verdadeira da pessoa que entrou numa espécie de proteção à testemunha de um perigo que ele mesmo desconhece de fato, pois não foi testemunha primária de algo, mas que tem a ver com reptilianos mencionados no bilhete suicida de um amigo. E o vemos desembarcar em Nova York. A escrita de Mutarelli é muito engraçada e de fácil degustação. Enquanto o narrador faz um paralelo com os nomes dos personagens e seus homônimos assassinos seriais ao longo da história há também toda a paranoia envolvendo um cidadão mediano que se vê diante da grande oportunidade que é a de reavaliar e mudar sua vida.
Embora eu tenha adorado a prosa, pode ser que muita gente não goste, pois como disse o próprio Mutarelli em entrevista recente: “Faço uma literatura agradável mas na qual você precisa tapar o nariz para encarar”.

Musicalmente foi um ano repleto de enfrentamentos, desde a “This is America” de Childish Gambino (o Donald Glover), como “Boca de Lobo”, do nosso Criolo, cujo clipe bem produzido toca na ferida da situação sócio-política do país.
Teve também o lançamento do albúm No Tourists, da banda do coração The Prodigy.
Mas o lançamento mais marcante foi o do Artic Monkeys, o trabalho Tranquility Base Hotel + Casino, que é bem diferente do AM de 2013 (que tem as minhas preferidas R U Mine? e Arabella).
É um trabalho mais maduro, odeio dizer isso de uma banda, ainda mais dessa banda, por ser de rock, por ser mais do lado indie, mas é a real no caso deles. E ficou um trabalho sensacional.


Conforme os anos vão passando cada vez mais se torna difícil acompanhar séries. Seja pela correria do dia a dia, seja pela variedade estupenda com que elas são descarregadas para nós.
E embora tenha tido picos como o fim de House of Cards, a bem acertada segunda temporada de Westworld e a estreia da surpreendente The Haunting Hill House , o que pegou de jeito foram as mini-séries.
Talvez, o bom trabalho do primeiro ao último episódio e a sensação de que não vão estragar no ano seguinte ajudaram no meu julgamento.
Eis as três que ocuparam o pódio:
-Maniac

Maniac: Bora lá ser aceitável pela sociedade
Maniac: Bora lá ser aceitável pela sociedade

-Patrick Melrose, série britânica dramática com Benedict Cumberbatch
-Objetos Cortantes (Sharp Objects)
Confesso que Objetos Cortantes conseguiu se mostrar como a melhor, pois a Amy Adams está brilhante na atuação e seu nome também figura como produtora.

Que maquete mais linda.. EPA PERA!
Que maquete mais linda.. EPA PERA!


Menção honrosa para séries que descobri: Peaky Blinders (4 temps) e The Handmaid’s Tale (2 temps) que tem a Elisabeth Moss que eu já adorava de Mad Men.

O melhor documentário foi sem dúvida a produção Serei Amado Quando Morrer (They’ll love me when I’m dead) que fala sobre a conturbada produção de Orson Welles no filme The Other Side of the Wind, dissecando diversos problemas enfrentados por um artista.

Não consegui comprar muitos quadrinhos, mas ao menos matei a vontade ler Império, do Mark Waid, em que a história se desenrola após o vilão Golgoth ter dominado o mundo e instaurado o Império, e o fim não acaba após essa vitória, pois após a conquista total, vem a luta de manter tudo que conquistou.

Dos nacionais tem o Silas, uma aventura Steampunk num universo especulativo bem interessante com arte e roteiro do Rapha Pinheiro.
Não tenho o que comentar sobre o herói nacional O Doutrinador, não li nada. Não critico o que não consumo.

Vamos aos filmes.
Quase ignorei Você Nunca Esteve Realmente Aqui (You Were Never Really Here) com Joaquim Phoenix e Ekaterina Samsonov.
Por sorte dei chance e me surpreendi com o ótimo trabalho da diretora Lynne Ramsay, que mostra cada vez mais que será um grande nome nas telonas.
Sem entrar em muitos detalhes, basta imaginar o doido do Joaquim Phoenix (que será o novo Coringa, vale ressaltar) num papel de um veterano perturbado que ajuda a polícia a encontrar mulheres presas em cativeiros como escravas sexuais.


E outra pérola que quase passou desapercebida foi A Morte de Stalin (The Death of Stalin).
Em que com um bem pontuado humor negro mostra a morte do Stalin e o momento de disputa de seus prováveis sucessores.
E não se deixe enganar pelo trailer, não é uma comédia europeia para quarentões. Há uma porrada de momentos de tensão com guinadas para momentos de refúgio cômico.

Skavurska!
Skavurska!

Menções honrosas:
Pantera Negra (Black Panther), Três Anúncios para um Crime (Three Billboards Outside Ebbing Missouri), O Artista do Desastre (The Disaster Artist), Unsane e Aniquilação (Annihilation) que tal a minha eterna crush e conterrânea Natalie Portman.

Fecho com uma das melhores fotos, premiada no National Geographic Photo Contest, em que Alison Langevad capturou dois rinocerontes-brancos que saíram para beber água no meio da noite na Reserva Zimanga Game na África do Sul.

A apreciação é o que resta, já que nesse ano morreu o último rinoceronte branco do norte. Enquanto existem os do sul, o reflexo me fez lembrar daquilo que sempre venho ditando nas retrospectivas mesmo mencionando apenas coisas boas: esperança.
E que venha 2019!

Ma’a salama!




Momento de Escrita

Eis um vídeo rápido que invade a minha privacidade para responder quando me perguntam sobre como é o meu momento e processo de escrita:

Trecho

Um formigamento nos pés indica que meu corpo não aguenta mais ficar deitado.
O engraçado é que até agora fico medindo esforços para pensar que tipo de veneno tomei.
Dependendo de qual fosse, queimaria minha garganta ao ingerir.
Não me lembro de ter queimado a garganta.
Se outro mais ameno, não poderia ter provocado o vômito de jeito algum.
Existe veneno que é tão mortal que bastaria uma gota para matar cerca de dez homens.
Sei também que há um tipo de veneno que estimula os pulmões a um tipo de relaxamento semelhante ao que o óxido nitroso provoca, e o resultado é a absorção do que você comeu direto pelo órgão respiratório.
O veneno de uma cascavel é fatal. E se não me engano, o veneno de uma viúva-negra é quinze vezes mais forte do que o de uma cascavel.
Vários nomes de substâncias tóxicas percorrem minha mente. Arsênico, Cianureto, Ricina, Estricnina.
Mas nenhuma associação está sendo possível.
Não consigo me movimentar. O que controla muitas funções sensoriais e motoras como movimentos oculares e a coordenação dos reflexos visuais e auditivos é o mesencéfalo. E, a essa altura, o veneno que não faço ideia qual seja o afetou completamente.
Agora, o mais interessante é a pergunta: quem me envenenou?

-Trecho de Simplesmente Complexo (Capítulo Um – Mesencéfalo)

Leia trechos maiores e até capítulos inteiros pelo Google Books.
Disponível nas livrarias: Saraiva, Martins Fontes, Loyola, Cultura e muitas outras.

O Melhor de 2016

Que ano, amigos.
Síria continua a sangrar entre seus estados, vilarejos e ruelas.
As massas novamente se comoveram com imagens que valem mais que mil palavras. A foto do menino de 5 anos resgatado de escombros em Aleppo sujo de pó e sem chorar, evocou a música da banda The Clash: “Should I stay or should go?”. Mas a bagunça de poder continua, mesmo com os avanços das forças iraquianas sobre Mosul, que conseguiram expulsar alguns FDP do ISIS.
A morte ceifou muito nesse ano, foi avião e barco que levaram times inteiros, foi gorila que teve o azar de uma criança cair em sua cela, foram artistas de todos os lados, de David Bowie à George Michael.

Mas a perda que abalou os meus alicerces foi o de um amigo querido, Leonardo Passos, em um triste acidente, no apogeu de sua jovialidade e conquistas.
RIP my friend, lembrarei eternamente das suas gargalhadas e da pessoa maravilhosa que você era.

Mas esse é um post sobre coisas boas. Por mais que o amargor esteja naqueles breves momentos que lembramos das coisas ruins, temos que levantar a cabeça e lembrar que houve momentos bons. Então, vamos aos melhores:

Diante de tantas mudanças políticas, do PPK no Peru, da tentativa de golpe na Turquia, de Trump nos EUA e o impeachment e as turbulências daqui, fico com as nossas desventuras. Não vou estender em nenhum debate aqui, quanto mais me aprofundo em política mais leigo me sinto, então me reservarei às melhores tiras que me arrancou sorrisos diante desse furacão:

Ministro

Ministro

confusismo

Confusismo

Consegui, após muitos anos ler o calhamaço que consagrou David Foster Wallace como um dos maiores escritores norte-americanos, o livro entrou para o grupo das grandes obras que fecharam o século XX. Estou falando de Graça Infinita.

Graça Infinita

Graça Infinita

Se mil páginas de estória não bastassem, eis mais duzentas de notas, e acredite, você não vai conseguir ignorá-las. Mesmo na linguagem pesada, cuja narração varia do narrador-autor ao narrador-personagem Hal Incadenza, irmão do meio de uma família disfuncional cujo pai, James Incandenza, cineasta alternativo, criou um filme disputado pelas forças armadas e grupos terroristas separatistas, que prende o espectador, literalmente, pois ninguém o deixa de ver, elas simplesmente morrem desidratadas e de fome todas sujas com as próprias fezes e urina.
Para fazer uma resenha digna o post se prolongaria demais, não é a intenção, se desejar mais detalhes google it, o mínimo que poderia dizer é que o livro trata muito sobre depressão, e fato curioso é que o autor se enforcou em 2008, doze anos após a publicação da obra…

O favorito dos nacionais foi Tempos de Fúria – Contos de Ficção Científica, de Carlos Orsi. Publicar ficção científica aqui é trabalho árduo, e prezo muito pelos que o fazem. Os acadêmicos consideram o gênero como nossa literatura marginal. Mas temos bons nomes produzindo romances e coletâneas de primeira, tanto que volta e meia escrevem para editoras de outros países.
Essa coletânea teve dois contos que gostei bastante:
Estes Quinze Minutos, sobre o fato do mundo se dissolver e ser recriado a cada quinze minutos, mantendo o fluxo com alguns erros de continuidade aqui e acolá.
Pressão Fatal, sobre um interrogatório na estação espacial Eros-III, em órbita de Vênus, planeta esse que parece ser o preferido do autor. O conto possivelmente mudará sua percepção sobre morte no vácuo do espaço.

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Tivemos relíquias da ficção científica também no cinema.
Gostei tanto de Capitão América – Guerra Civil quanto Batman Vs Superman – A Origem da Justiça. Não vou estender que esses filmes rendem mais debates que política.
Star Trek – Beyond teve mãos de Simom Pegg no roteiro, mas o filme não é uma comédia no seu estilo britânico, tem lá sim suas piadas, mas a trama ficou com os temperos que todo nerd adora, dá uma dó ver a USS Enterprise ser atacada e rola uma certa emoção pelas homenagens ao Spock da série original, Leonard Nimoy e o Pavel Chekov dos novos filmes, o russo Anton Yelchin, morto esse ano esmagado pelo próprio carro em sua garagem.
Também fomos agraciados com Rogue One – Uma história Star Wars, e meus amigos, que filme. Não tem Jedis, é mais sombrio, porém, além de um fanservice de primeira, a trama foi muito bem costurada para emendar com o início do primeiro filme que começou tudo.
A DC pecou com Esquadrão Suicida (Suicidal Squad) e a Marvel novamente ganhou vários pontos com o excelente Doutor Estranho (Doctor Stange).
Mas o top não foi um filme de ficção científica.
Decisão de Risco (Eye in the Sky), filme sobre uma caça a terroristas no Quênia numa operação conjunta Inglaterra- EUA em que as prioridades mudam ao visualizarem que dois homens-bomba estão prestes a realizar ataques. E é um dos últimos filmes de Alan Rickman (o Snape de HP) que também faleceu esse ano, e tem Aaron Paul (o Jesse Pinkman de Breaking Bad) como manipulador do drone, e tem também uma menininha que brinca com bambolê e vende pães feitos por sua mãe e que gera um senhor-impasse em toda operação.
Menções honrosas: Triple Nine e Cães de Guerra (War Dogs)

O melhor documentário que assisti é sobre ela. Quem? Quem?
A nossa querida Internet.
Eis os Delírios do Mundo Conectado (Lo and Behold, Reveries of the Connected World) é dirigido por Werner Herzog e mostra desde as primeiras mensagens trocadas em 1969 até como hoje essa tal de internet molda nossas vidas nesses avanços todos.

As melhores HQ’s que li são as nacionais: Matadouro de Unicórnios e A Lei de Murphy.

Matadouro de Unicórnios, de Juscelino Neco, que tem o desenrolar de um escritor que se torna serial killer. Gonçalo, o tal que esquartejou corpos, praticou canibalismo e até fez esculturas com os ossos é um dos personagens mais sem noção que vi em um gibi.

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A Lei de Murphy, de Flavio Soares fala sobre um mundo em que há super-humanos, alienígenas e super-alienígenas tudo junto no mesmo século, e um advogado chamado Douglas Murphy que ganha a vida livrando a barra desses seres, pois os mesmos não pediram para ter esses superpoderes e uma ação porque um deles pode ou não ter usado a visão de raio-x para ver umas mulheres nuas necessita de uma defesa especializada.

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Foi um ano de non-stop disco.

Metallica lançou Hardwired…To Self-Destruct, sendo as faixas Am I Savage, Dream no More e Murder One (homenagem ao Lemmy do Motörhead)  as minhas prediletas. Nesse lançamento a banda lançou todas as músicas no Youtube, cada faixa com um clipe oficial. No Napster feelings…
Deftones lançou Gore, com as faixas Acid Hologram e Doomed User que te levam para uma viagem à outra dimensão.
Red Hot Chili Peppers lançou The Gateway, com faixas bem trabalhadas e mais maduras na carreira desses caras que se mantém e muito bem no mundo da música. Sick Love, Go Robot e Dark Necessities são faixas estupendas, mas foi The Hunter que conquistou o coração desse árabe que vos fala.

A grande queridinha das séries desse ano foi Westworld, produção de primeira da HBO, com um roteiro caprichado de Inteligência Artificial pelas mãos de Jonatan Nolan e sua mulher Lisa Joy. Com atuações marcantes de Anthony Hopkins e Thandie Newton. Tem também o Rodrigo Santoro, elevando novamente sua carreira lá fora.
A segunda temporada de Mr Robot teve a mesma pegada da primeira, pensei que o diretor e roteirista Sam Esmail iria se perder, para nossa sorte isso não aconteceu, Elliot continua pirado e vemos que a Evil Corp está no ritmo “Império Contra-Ataca”
Tivemos também a estreia de 3% na Netflix. Quem acompanhou o piloto em formato de webserie há cinco anos pode ver a estória se desenrolar em uma temporada com oito episódios.
Você conseguiria passar para o Lado de Lá???

A vida não é só entretimento caseiro.
Fui à Bienal do Livro dar uma bisóiada, rever alguns amigos do ramo e manter o networking, além de tentar entender a onda dos livros de youtubers, a única conclusão que chego é que o mercado não pode parar, por isso perdoamos esses apelos.
De graça até injeção na testa. É com esse pensamento que fui à Comic Con Experience quando um amigo me disse que tinha um ingresso na faixa e já me esperava nas catracas com o meu crachá.
Muita coisa bacana, uma porrada de estandes legais, uma das prediletas era da HBO com as impressoras construindo os robôs de Westworld em que banhava um dos replicantes naquele líquido leitoso.

E outra atração que brilhou os olhos da galera foram as armaduras de ouro dos Cavaleiros do Zodíaco em tamanho real.

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Armaduras de Ouro

A Sony Pictures tinha um fundo verde para as pessoas tirarem uma foto a fim de replicar o cenário de uma nave com a gravidade artificial em pane, a ideia era promover o filme Passageiros (Passengers) com a linda Jennifer Lawrence e o Chris Pratt numa estória que seria Adão e Eva do espaço.
Eu e meus amigos fizemos caras e bocas. Vimos o resultado no monitor da fotógrafa, e a mulher do meu amigo colocou o e-mail dela para receber a foto com o fundo da campanha, mas até hoje a mesma não chegou…

Defeitos especiais

Defeitos especiais

Talvez a vida seja isso. Fantasiamos com belas palavras e sentimentos em exagero tudo o que nos cerca.

Ma’a salama 2016!

Snowden

“O preço da liberade é a eterna vigilância”
Autoria: Aldous Huxley ou Thomas Jefferson

Tá bom, essa frase deve ter sido a mais utilizada em artigos ou discussões sobre o caso Snowden. Tanto como a indagação posterior mencionada na música All along the Watchtower de Bob Dylan: “Who watches the watchmen?” (Quem vigia os vigilantes?)
Desde que o ex-agente da CIA e analista de sistemas da NSA revelou ao mundo o alcance de espionagem de comunicação em massa instaurado pelas agências de segurança após os fatídicos ataques de 11 de setembro, a internet foi inundada com artigos, colunas e discussões sobre a moralidade de tal uso da tecnologia para manter a Terra dos Bravos livre de novos ataques.
Esse árabe que vos escreve deve ressaltar que na época não ficou surpreso como muitos, pois a ideia já era palpável desde os primórdios da internet.
O que me deixou de certa forma consternado foi o tratamento da mídia sobre os fatos. Poucos veículos se esforçaram em se focar no uso abusivo da tecnologia, a maioria explorou mais as revelações como produto comercial para as massas menos críticas. Preferi acompanhar o desenrolar mais pelo The Guardian, jornal inglês que teve papel importante na deserção do ex-agente e elaboração de divulgação inicial das ditas revelações.

Nesse ano, será lançado o filme que nos conta em formato de Thriller a história da deserção de Edward Joseph Snowden sob a direção de Oliver Stone, conhecido como cineasta transgressor por sua obra que retrata o american dream com outros olhos (vide Platoon, filme baseado em suas experiências como soldado na guerra do Vietnã)

O trailer tem aquela montagem de suspense comercial que já estamos cansados de ver. Mas o elenco deixa no ar uma expectativa positiva do capricho da trama.
Quem interpreta o personagem título é o ótimo Joseph Gordon-Levitt (50/50,  Looper), que não é tão parecido com o real como foi o Ashton Kutcher-Steve Jobs em Jobs, mas o esforço de deixar o timbre e o modo falar similar confirmam o seu talento como um dos melhores atores do momento.
Até o Nicolas Cage parece estar em um papel bom, mesmo que seja uma pequena aparição.

O assunto dá pano pra manga, e esse post viraria um imenso artigo, então prefiro indicar um material se você se interessou pelo filme e quiser saber mais.
Eis um esquenta:

Citizenfour: Lançado em 2014 foi vencedor do Oscar 2015 na categoria Documentários. É uma série de entrevistas com o próprio Snowden antes, durante e após as revelações, realizado em parceria com os jornalistas colaboradores da divulgação. Pelo documentário já dá pra se ter uma ideia da amplitude do esquema de espionagem e suas consequências.

G1: Como a terra do Tio Sam vigiou muito as terras tupiniquins temos material de sobra e vontade de saber mais sobre esse assunto, né mesmo?

The Guardian: Todas notícias e artigos (em inglês) vinculadas ao ex-agente. O jornal inglês The Guardian teve participação fundamental na elaboração da divulgação.

Snowden balançou os alicerces da forma como os norte-americanos viam tratando os conceitos de liberdade entrelaçada com a vigilância após a criação da Lei Patriótica (USA PATRIOT Act).
Tornou-se um ícone talvez mais emblemático que Julian Assange, fundador do site WikiLeaks. Teve lagosta batizada com seu nome, estátua feita por ativistas, indicações ao Nobel da Paz, nomeações como reitor de universidade e membro de grupos e fundações de proteção a liberdade de imprensa e comunicação.
Mas sua luta ainda não terminou. Snowden não conseguiu o perdão presidencial e segue exilado na Rússia em endereço sigiloso devido às inúmeras ameaças de morte que recebeu. E alguém que é cultuado pela coragem de ter largado e arriscado tudo pela consciência da liberdade não deve estar muito feliz de viver num país controlado por Putin.
De POTUS para Putin, Snowden vive um drama angustiante desse entrelaço político de nações controladoras, não a toa brincou assim que entrou no Twitter e recebeu boas vindas do astrofísico Neil deGrasse Tyson:
“Obrigado pelas boas-vindas. E agora nós temos água em Marte! Você acha que (em Marte) eles verificam o passaporte na fronteira? É para um amigo.”

A estreia nos EUA está marcada para 16 de setembro, que semana sugestiva, não?
Veremos se o filme segura a bronca.

Potus

@Potus: “Hmm, Not bad, Mohanad. Até que esse post foi moderado”

Ma’a salama

Próximo Livro

Que data auspiciosa para anunciar que o meu próximo livro terá como tema principal a mentira.
Já assinei contrato com a editora. Estamos finalizando os processos de revisão e logo menos serão disponibilizadas as opções de capa.

É só ficarem ligados aqui para as próximas novidades.

 

Ma’a salama!

Mad Max – Estrada da Fúria

Cogitaram Mel Gibson para o novo filme da franquia, mas seus problemas com álcool o impediram de pegar até mesmo um papel coadjuvante ou ao estilo piscou-perdeu. Na rede lançaram que se ele tivesse voltado ao papel do perturbado Max o filme se chamaria Mad Max – Estrada do Fuhrer, em referência às polêmicas antissemitas que o ator se envolveu nos últimos anos.

Mad Max – Estrada da Fúria (Mad Max – Fury Road) vem 30 anos depois da trilogia original, pois o primeiro lançado foi lançado em 1979, o segundo em 1981 e o Além da Cúpula do Trovão em 1985.
Mas se você não foi fã da trilogia original, assistindo as reprises na sessão da tarde (quando a censura ainda permitia filmes desse naipe durante a tarde), não tem problema, Estrada da Fúria possui diversas referências aos filmes antigos, mas o roteiro permite que qualquer um entenda o que se passa e que tenha noção de um passado que atribuiu o Mad (louco, insano) ao personagem principal.
Porém, nesse novo filme temos uma personagem que rouba a cena assim que rouba do vilão Immortan Joe, um tirano com a figura de líder messiânico, um caminhão levando suas mulheres sadias, progenitoras de War Boys. Essa mulher de ousadia era a sua general conhecida como Imperatriz Furiosa, você deve conhecê-la como Charlize Theron, a linda sul-africana que aqui está de cabeça raspada e com um braço mecânico.

Triunvirato da Loucura: Mel Gibson, George Miller e Tom Hardy

Triunvirato da Loucura: Mel Gibson, George Miller e Tom Hardy

 

Com a captura de Max logo no início e o roubo de Furiosa começa uma perseguição que lembra muito o segundo filme. Vale lembrar que o mundo está numa fase pós-apocalíptica, quase que totalmente desertificado, a escassez de água e combustíveis fósseis mantém um ambiente de conflitos constantes entre gangues que se locomovem pelos desertos com caminhões e carros tunados e blindados.
O curioso do novo filme que muitos admiraram não é a personagem de Theron eclipsar o Max interpretado por Tom Hardy, mas sim pelo motivo dele ser calado e com poucas falas. Recentemente descobri que o argumento original da estória vem de um roteiro de história em quadrinhos sem falas, e isso era percebido na trilogia original, em Mad Max 2 Mel Gibson tem apenas 16 falas.
E há um momento no filme que torna possível a aceitação da personagem e seu papel mais forte (como se sua ótima atuação não bastasse), quando ela diz ao Max: “Você não é único que se tornou louco”
E sim meus amigos, o mundo de Max é um prato cheio para se perder a sanidade mental. Quase não há mais identidade histórica da humanidade. Não é aquele clichê de dizer que os valores estão invertidos, na verdade o estão deturpados. Diante da necessidade de manterem as máquinas potentes e agressivas há o Culto do V8 cujo volante é um símbolo estendido em sinal de temor. Muitos dos crentes esperam um dia participar no paraíso Valhala do McBanquete, e os mártires da estrada pedem atenção para o ato final, podendo ainda ser considerado como “medíocre!” pelas testemunhas.
Ah, o comboio principal da perseguição tem uns doidos mantendo um incentivo ao combate, rock como marcha militar, a trilha sonora do longa torna toda a aventura mais empolgante.

Never stop rocking baby!

Never stop rocking baby!

George Miller disse que não pretende realizar outro filme da franquia, mas boatos vazaram de que ele tem dois roteiros prontos para uma possível continuação. E considerando que no mundo do cinema nada tem um fim definitivo, pode ser que ele passe a loucura para outra pessoa, tal como diz em suas entrevistas um comparativo ao personagem Max Rockatansky como o James Bond.
Particularmente adoraria ver uma continuação, acho que até não me importaria se demorasse mais algumas décadas, prefiro isso a ter que testemunhar o mundo se tornar nesse pandemônio insano, seco e sem esperança, e eu não curto dirigir, seria um inferno…

Ma’a salama