Death Note

Na última sexta-feira (25/08) estreou mundialmente a versão americana de Death Note, sem subtítulo em português mesmo pela Netflix Brasil.
Se em 2015 a Netflix buscava galgar as mais altas premiações cinematográficas com o lançamento de Beasts of Nation, que tinha bom roteiro, direção, produção e atuações, hoje vemos que a adaptação do anime homônimo que conquistou milhões de fãs parecia estar mais interessada no entretenimento.
Ao que parece, a exibição foi exclusiva ao streaming, seguindo os exemplos de outras produções originais de baixos orçamentos e também de pomposos, com produtores e atores de renome, como War Machine, drama de guerra protagonizado por Brad Pitt.
Nunca li o mangá ou assisti ao anime original. Única vez pude assistir à versão japonesa de Death Note, somente o primeiro dos três, não por desinteresse, falta de oportunidade mesmo.
Mas o filme lançado em 2006 me cativou com sua trama envolvente, lembro de ter pensado em porquê ignorei aquele mangá estranho. Por pobreza preguiça, não pude adquirir os volumes.
Talvez, por ser vítima da comparação e da alta expectativa, não gostei tanto da versão americana lançada na semana passada.
Não é de toda ruim, o visual é legal, os efeitos e algumas mortes são apelativas, mas não exploradas de forma exageradas.

Shinigami, o ceifador

Shinigami, o ceifador versão nipônica

Os personagens que não se encaixaram com as minhas expectativas, sim, talvez seja pela comparação com a versão japonesa. Mas, juro que tentei separar o joio do trigo, tomei umas brejas para ajudar. Simplesmente não desceu.
Aí entrou questões importantes que confrontaram o meu ponto crítico.
A produtora desse longa é nada menos que a própria distribuidora e divulgadora, a poderosa Netflix. E para os poucos que sabem, ela tem apenas uma sala com a placa escrito “Criação” na porta, onde dentro ficam grandes mentes artísticas gastando longas horas de brainstorming e palpites de tendências do entretenimento. Nope! A poderosa do streaming trabalha com um dos maiores mecanismos de Big Data do mundo.
E é a partir de dessas análises que são captadas por sofisticados algoritmos que tiram insights do que seria produção com grandes chances de audiência.

Um exemplo foi a série House of Cards, nascida após o cruzamento de dados ter indicado em resumida deixa:
“Todos os espectadores que assistiram à versão britânica de House of Cards gostam também dos filmes em que o Kevin Spacey é o protagonista e de suspenses maduros e realistas e sombrios dirigidos pelo David Fincher”.
Pode parecer um A+B+C+D = X, mas os mecanismos da gigante capta praticamente tudo que pode quanto ao que um assinante assiste. Como quando deixou de assistir um filme, um evento de “qual cena foi a responsável pelo abandono?” trabalha sobre o seu perfil.
Nesse ano eles alteraram de forma brusca a forma de rating, ou como um espectador avalia um filme. As antes cinco estrelas foram substituídas pelos sucintos gostei-nãogostei. Agora somos como um imperador romano, decidimos com polegares a sorte da obra assistida.
E o que tudo isso tem a ver com a versão americana de Death Note?
Que conhecendo a Netflix sei bem que a produção não nasceu da conversa de um produtor com o executivo-mor. Minha certeza quase (sem modéstia, afinal, erro bastante nessa vida) absoluta é que o filme foi o resultado de alguma análise maciça de dados que se cruzaram e indicaram os preâmbulos de como seria o enredo, os personagens e suas ações.
Provavelmente eu não faço parte do perfil que eles pretendiam atingir e agradar. Para quem fuça o seu catálogo em seus gêneros e subgêneros sabe bem que eles atiram para todos os lados, com a ambição de conquistar todos os grupos de perfis possíveis.
Não gostei muito dessa versão, mas devo salientar e bater na tecla de que não sou contra novas versões, sejam de livros, hqs, músicas ou filmes.
Lembro de ter ficado empolgado quando anunciaram um longa de Akira produzido por Christopher Nolan. Adorei a versão Ghost In The Shell com a Scarlett Johansson como protagonista. E certamente haverá outros exemplos que me é gasto o exercício da lembrança.
Arte é isso. Um eterno renovar das perspectivas.
Só há o risco de não agradar certas personas. Mas todo artista assume esse risco quando vai adaptar qualquer obra que seja.

Ma’a salama

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