O Melhor de 2016

Que ano, amigos.
Síria continua a sangrar entre seus estados, vilarejos e ruelas.
As massas novamente se comoveram com imagens que valem mais que mil palavras. A foto do menino de 5 anos resgatado de escombros em Aleppo sujo de pó e sem chorar, evocou a música da banda The Clash: “Should I stay or should go?”. Mas a bagunça de poder continua, mesmo com os avanços das forças iraquianas sobre Mosul, que conseguiram expulsar alguns FDP do ISIS.
A morte ceifou muito nesse ano, foi avião e barco que levaram times inteiros, foi gorila que teve o azar de uma criança cair em sua cela, foram artistas de todos os lados, de David Bowie à George Michael.

Mas a perda que abalou os meus alicerces foi o de um amigo querido, Leonardo Passos, em um triste acidente, no apogeu de sua jovialidade e conquistas.
RIP my friend, lembrarei eternamente das suas gargalhadas e da pessoa maravilhosa que você era.

Mas esse é um post sobre coisas boas. Por mais que o amargor esteja naqueles breves momentos que lembramos das coisas ruins, temos que levantar a cabeça e lembrar que houve momentos bons. Então, vamos aos melhores:

Diante de tantas mudanças políticas, do PPK no Peru, da tentativa de golpe na Turquia, de Trump nos EUA e o impeachment e as turbulências daqui, fico com as nossas desventuras. Não vou estender em nenhum debate aqui, quanto mais me aprofundo em política mais leigo me sinto, então me reservarei às melhores tiras que me arrancou sorrisos diante desse furacão:

Ministro

Ministro

confusismo

Confusismo

Consegui, após muitos anos ler o calhamaço que consagrou David Foster Wallace como um dos maiores escritores norte-americanos, o livro entrou para o grupo das grandes obras que fecharam o século XX. Estou falando de Graça Infinita.

Graça Infinita

Graça Infinita

Se mil páginas de estória não bastassem, eis mais duzentas de notas, e acredite, você não vai conseguir ignorá-las. Mesmo na linguagem pesada, cuja narração varia do narrador-autor ao narrador-personagem Hal Incadenza, irmão do meio de uma família disfuncional cujo pai, James Incandenza, cineasta alternativo, criou um filme disputado pelas forças armadas e grupos terroristas separatistas, que prende o espectador, literalmente, pois ninguém o deixa de ver, elas simplesmente morrem desidratadas e de fome todas sujas com as próprias fezes e urina.
Para fazer uma resenha digna o post se prolongaria demais, não é a intenção, se desejar mais detalhes google it, o mínimo que poderia dizer é que o livro trata muito sobre depressão, e fato curioso é que o autor se enforcou em 2008, doze anos após a publicação da obra…

O favorito dos nacionais foi Tempos de Fúria – Contos de Ficção Científica, de Carlos Orsi. Publicar ficção científica aqui é trabalho árduo, e prezo muito pelos que o fazem. Os acadêmicos consideram o gênero como nossa literatura marginal. Mas temos bons nomes produzindo romances e coletâneas de primeira, tanto que volta e meia escrevem para editoras de outros países.
Essa coletânea teve dois contos que gostei bastante:
Estes Quinze Minutos, sobre o fato do mundo se dissolver e ser recriado a cada quinze minutos, mantendo o fluxo com alguns erros de continuidade aqui e acolá.
Pressão Fatal, sobre um interrogatório na estação espacial Eros-III, em órbita de Vênus, planeta esse que parece ser o preferido do autor. O conto possivelmente mudará sua percepção sobre morte no vácuo do espaço.

tempos_de_furia1

Tivemos relíquias da ficção científica também no cinema.
Gostei tanto de Capitão América – Guerra Civil quanto Batman Vs Superman – A Origem da Justiça. Não vou estender que esses filmes rendem mais debates que política.
Star Trek – Beyond teve mãos de Simom Pegg no roteiro, mas o filme não é uma comédia no seu estilo britânico, tem lá sim suas piadas, mas a trama ficou com os temperos que todo nerd adora, dá uma dó ver a USS Enterprise ser atacada e rola uma certa emoção pelas homenagens ao Spock da série original, Leonard Nimoy e o Pavel Chekov dos novos filmes, o russo Anton Yelchin, morto esse ano esmagado pelo próprio carro em sua garagem.
Também fomos agraciados com Rogue One – Uma história Star Wars, e meus amigos, que filme. Não tem Jedis, é mais sombrio, porém, além de um fanservice de primeira, a trama foi muito bem costurada para emendar com o início do primeiro filme que começou tudo.
A DC pecou com Esquadrão Suicida (Suicidal Squad) e a Marvel novamente ganhou vários pontos com o excelente Doutor Estranho (Doctor Stange).
Mas o top não foi um filme de ficção científica.
Decisão de Risco (Eye in the Sky), filme sobre uma caça a terroristas no Quênia numa operação conjunta Inglaterra- EUA em que as prioridades mudam ao visualizarem que dois homens-bomba estão prestes a realizar ataques. E é um dos últimos filmes de Alan Rickman (o Snape de HP) que também faleceu esse ano, e tem Aaron Paul (o Jesse Pinkman de Breaking Bad) como manipulador do drone, e tem também uma menininha que brinca com bambolê e vende pães feitos por sua mãe e que gera um senhor-impasse em toda operação.
Menções honrosas: Triple Nine e Cães de Guerra (War Dogs)

O melhor documentário que assisti é sobre ela. Quem? Quem?
A nossa querida Internet.
Eis os Delírios do Mundo Conectado (Lo and Behold, Reveries of the Connected World) é dirigido por Werner Herzog e mostra desde as primeiras mensagens trocadas em 1969 até como hoje essa tal de internet molda nossas vidas nesses avanços todos.

As melhores HQ’s que li são as nacionais: Matadouro de Unicórnios e A Lei de Murphy.

Matadouro de Unicórnios, de Juscelino Neco, que tem o desenrolar de um escritor que se torna serial killer. Gonçalo, o tal que esquartejou corpos, praticou canibalismo e até fez esculturas com os ossos é um dos personagens mais sem noção que vi em um gibi.

matadouro_de_unicornios
A Lei de Murphy, de Flavio Soares fala sobre um mundo em que há super-humanos, alienígenas e super-alienígenas tudo junto no mesmo século, e um advogado chamado Douglas Murphy que ganha a vida livrando a barra desses seres, pois os mesmos não pediram para ter esses superpoderes e uma ação porque um deles pode ou não ter usado a visão de raio-x para ver umas mulheres nuas necessita de uma defesa especializada.

lei_de_murphy

Foi um ano de non-stop disco.

Metallica lançou Hardwired…To Self-Destruct, sendo as faixas Am I Savage, Dream no More e Murder One (homenagem ao Lemmy do Motörhead)  as minhas prediletas. Nesse lançamento a banda lançou todas as músicas no Youtube, cada faixa com um clipe oficial. No Napster feelings…
Deftones lançou Gore, com as faixas Acid Hologram e Doomed User que te levam para uma viagem à outra dimensão.
Red Hot Chili Peppers lançou The Gateway, com faixas bem trabalhadas e mais maduras na carreira desses caras que se mantém e muito bem no mundo da música. Sick Love, Go Robot e Dark Necessities são faixas estupendas, mas foi The Hunter que conquistou o coração desse árabe que vos fala.

A grande queridinha das séries desse ano foi Westworld, produção de primeira da HBO, com um roteiro caprichado de Inteligência Artificial pelas mãos de Jonatan Nolan e sua mulher Lisa Joy. Com atuações marcantes de Anthony Hopkins e Thandie Newton. Tem também o Rodrigo Santoro, elevando novamente sua carreira lá fora.
A segunda temporada de Mr Robot teve a mesma pegada da primeira, pensei que o diretor e roteirista Sam Esmail iria se perder, para nossa sorte isso não aconteceu, Elliot continua pirado e vemos que a Evil Corp está no ritmo “Império Contra-Ataca”
Tivemos também a estreia de 3% na Netflix. Quem acompanhou o piloto em formato de webserie há cinco anos pode ver a estória se desenrolar em uma temporada com oito episódios.
Você conseguiria passar para o Lado de Lá???

A vida não é só entretimento caseiro.
Fui à Bienal do Livro dar uma bisóiada, rever alguns amigos do ramo e manter o networking, além de tentar entender a onda dos livros de youtubers, a única conclusão que chego é que o mercado não pode parar, por isso perdoamos esses apelos.
De graça até injeção na testa. É com esse pensamento que fui à Comic Con Experience quando um amigo me disse que tinha um ingresso na faixa e já me esperava nas catracas com o meu crachá.
Muita coisa bacana, uma porrada de estandes legais, uma das prediletas era da HBO com as impressoras construindo os robôs de Westworld em que banhava um dos replicantes naquele líquido leitoso.

E outra atração que brilhou os olhos da galera foram as armaduras de ouro dos Cavaleiros do Zodíaco em tamanho real.

cavaleiros1

Armaduras de Ouro

A Sony Pictures tinha um fundo verde para as pessoas tirarem uma foto a fim de replicar o cenário de uma nave com a gravidade artificial em pane, a ideia era promover o filme Passageiros (Passengers) com a linda Jennifer Lawrence e o Chris Pratt numa estória que seria Adão e Eva do espaço.
Eu e meus amigos fizemos caras e bocas. Vimos o resultado no monitor da fotógrafa, e a mulher do meu amigo colocou o e-mail dela para receber a foto com o fundo da campanha, mas até hoje a mesma não chegou…

Defeitos especiais

Defeitos especiais

Talvez a vida seja isso. Fantasiamos com belas palavras e sentimentos em exagero tudo o que nos cerca.

Ma’a salama 2016!

O Melhor de 2014

Acho que uma retrospectiva que dê maior ânimo aos próximos meses é aquela em que, como o título entrega, reserva o olhar saudosista somente aos melhores momentos. Minha sincera opinião e parcialidade pode deixar alguns de beiço torcido, mas, que seja…
Como este espaço é voltado para minha carreira literária e tudo o que a permeia, espeta e incha, deixarei de fora situações como mudança de emprego, relações pessoais e aquelas “horas felizes” que renderam toneladas de risadas ignóbeis. Não se ofenda se não for mencionado aqui, por favor.
Então, bora lá:

Como releituras não vale, serei obrigado a excluir Quatro Estações do mestre Stephen King, que li pela primeira vez há uma década e que me deletei novamente com uma versão de bolso.

O que ocupa o pódio é uma FC brazuca. A ótima coletânea Campo Total e outros contos de ficção científica, do Carlos Orsi. Os contos Um Bom Emprego e Nativos são os melhores.

De fantasia ganha Crônicas de Atlântida, do Antônio Luiz M C Costa, em que o mito de Platão é expandido num universo significativo e explorado em uma narrativa recheada de detalhes pra nenhum órfão de Tolkien botar defeito.

Os marvetes molharam as calcinhas com X-Men Dias de um futuro esquecido (X-Men Days Of A Future Past) e Guardiões da Galáxia (Guardians of Galaxy). Mas em minha opinião o melhor dessa safra foi Capitão América 2 O soldado Invernal (Captain America The Winter Soldier), que superou exponencialmente o primeiro.

Muito embora, o top do ano passado foi Nebraska, comédia e drama familiar em preto e branco com ótimas atuações em um roteiro simples.

Fui convencido e assisti aos dois primeiros Jogos Vorazes (The Hunger Games), não virei fã, mas confesso que gostei, até porque a Jennifer Lawrence é o novo sonho de consumo da molecada.

No último volume Lazaretto, de Jack White, que foi o vinil (sim, vinil) mais vendido do ano,  superando até mesmo o Vitalogy (1994) do Pearl Jam, me convenceu de que o branquelo realmente tem o mojo criativo.

Do rock nacional além do Ratos de Porão com o seu Século Sinistro que está mais entendível, salva o bem trabalhado Nheengatu do Titãs que também é lá heavy, ao estilo deles.

A vida não é só entretimento caseiro. Fui à duas exposições sensacionais, no começo do ano no MIS fiquei de olhos vidrados na herança de Stanley Kubrick. A fila quilométrica e o risco de ter a porta fechada na cara foram compensadas pelos sets dedicados a cada filme de um dos maiores diretores que a sétima arte pôde ter.

Korova Milk Bar

Korova Milk Bar

 

Fidelio

Fidelio

No fim do ano conferi a Natureza da Invenção de Leonardo Da Vinci, que está rolando na Galeria de Arte Sesi São Paulo até o dia 10 de maio desse ano (2015)
A maioria das maquetes representavam projetos inviáveis para a época, o que comprova que o artista estava de fato além do seu tempo. Fiquei imaginando se algum romancista tivesse se inspirado em seus trabalhos, com certeza esse seria o precursor do gênero steampunk, para tal, basta ver uma roupa de mergulho elaborada pelo gênio:

Roupa_Mergulho

Roupa_mergulho

 

E por último, mas não menos importante: a Copa do Mundo em terras tupiniquins.
Se o maior espetáculo da Terra não rendeu o hexa ao nosso Brasil varonil e mesmo que o fracasso do jogo contra a Alemanha ecoará por alguns anos, tenho uma conquista importante a celebrar.
Completei pela primeira vez um álbum de figurinhas, no caso, a edição comemorativa da Panini. Um sentimento infantil aflorou nesse dia, e com muito orgulho depositei o álbum sobre os outros que mesmo incompletos eram mantidos no acervo.

Mabruk para mim mesmo.

Ma’a salama 2014!