O Melhor de 2018

Embora o ano de 2018 ter sido marcado por embates ideológicos e com a tristeza de não termos sido hexacampeão no campo, só vi vantagem nesses rápidos 12 meses que se passaram.
E o motivo para tal saldo positivo foi o fato de meu próximo romance, A Melhor Parte da Mentira, ter sido escolhido para publicação pela editora Nocaute.
Nem precisava dizer mais nada, acabar minha retro na modéstia de ter sido selecionado em mais de cem originais enviados para submissão e ter a noção de que minha carreira de escritor tem lá seu espaço nesse mundo canibalesco.
Mas como é tradição (firmada por mim mesmo) vou lançar aqui o que melhor vivenciei em 2018.
Lembrando que esse site é reservado para detalhes vinculados à arte, então não esperem ver detalhes pessoais como mudança de emprego e amores mil.
O livro que mais me cativou foi um nacional: O Filho Mais Velho de Deus e/ou o Livro IV, do autor Lourenço Mutarelli, que deu uma entrevista para a Folha que me perturbou, pois mostra que mesmo o cara que deu certo como escritor, não consegue estufar o peito e dizer que consegue viver apenas de literatura, justo no fim do ano, em que as maiores redes de livrarias declararam monstruosos problemas financeiros.
Porém, a obra de Mutarelli é muito interessante. Faz parte do projeto Amores Expressos da Companhia das Letras, em que há alguns anos vem despachando escritores para uma cidade ao redor do mundo com as despesas pagas para vivenciar algo e escrever uma obra que seja ambientada em tal cidade e que obrigatoriamente deva ter uma história de amor que se desenrole lá.
Em o Filho Mais Velho acompanhamos a história de Albert Artur Jones, nome esse criado para proteger a identidade verdadeira da pessoa que entrou numa espécie de proteção à testemunha de um perigo que ele mesmo desconhece de fato, pois não foi testemunha primária de algo, mas que tem a ver com reptilianos mencionados no bilhete suicida de um amigo. E o vemos desembarcar em Nova York. A escrita de Mutarelli é muito engraçada e de fácil degustação. Enquanto o narrador faz um paralelo com os nomes dos personagens e seus homônimos assassinos seriais ao longo da história há também toda a paranoia envolvendo um cidadão mediano que se vê diante da grande oportunidade que é a de reavaliar e mudar sua vida.
Embora eu tenha adorado a prosa, pode ser que muita gente não goste, pois como disse o próprio Mutarelli em entrevista recente: “Faço uma literatura agradável mas na qual você precisa tapar o nariz para encarar”.

Musicalmente foi um ano repleto de enfrentamentos, desde a “This is America” de Childish Gambino (o Donald Glover), como “Boca de Lobo”, do nosso Criolo, cujo clipe bem produzido toca na ferida da situação sócio-política do país.
Teve também o lançamento do albúm No Tourists, da banda do coração The Prodigy.
Mas o lançamento mais marcante foi o do Artic Monkeys, o trabalho Tranquility Base Hotel + Casino, que é bem diferente do AM de 2013 (que tem as minhas preferidas R U Mine? e Arabella).
É um trabalho mais maduro, odeio dizer isso de uma banda, ainda mais dessa banda, por ser de rock, por ser mais do lado indie, mas é a real no caso deles. E ficou um trabalho sensacional.


Conforme os anos vão passando cada vez mais se torna difícil acompanhar séries. Seja pela correria do dia a dia, seja pela variedade estupenda com que elas são descarregadas para nós.
E embora tenha tido picos como o fim de House of Cards, a bem acertada segunda temporada de Westworld e a estreia da surpreendente The Haunting Hill House , o que pegou de jeito foram as mini-séries.
Talvez, o bom trabalho do primeiro ao último episódio e a sensação de que não vão estragar no ano seguinte ajudaram no meu julgamento.
Eis as três que ocuparam o pódio:
-Maniac

Maniac: Bora lá ser aceitável pela sociedade
Maniac: Bora lá ser aceitável pela sociedade

-Patrick Melrose, série britânica dramática com Benedict Cumberbatch
-Objetos Cortantes (Sharp Objects)
Confesso que Objetos Cortantes conseguiu se mostrar como a melhor, pois a Amy Adams está brilhante na atuação e seu nome também figura como produtora.

Que maquete mais linda.. EPA PERA!
Que maquete mais linda.. EPA PERA!


Menção honrosa para séries que descobri: Peaky Blinders (4 temps) e The Handmaid’s Tale (2 temps) que tem a Elisabeth Moss que eu já adorava de Mad Men.

O melhor documentário foi sem dúvida a produção Serei Amado Quando Morrer (They’ll love me when I’m dead) que fala sobre a conturbada produção de Orson Welles no filme The Other Side of the Wind, dissecando diversos problemas enfrentados por um artista.

Não consegui comprar muitos quadrinhos, mas ao menos matei a vontade ler Império, do Mark Waid, em que a história se desenrola após o vilão Golgoth ter dominado o mundo e instaurado o Império, e o fim não acaba após essa vitória, pois após a conquista total, vem a luta de manter tudo que conquistou.

Dos nacionais tem o Silas, uma aventura Steampunk num universo especulativo bem interessante com arte e roteiro do Rapha Pinheiro.
Não tenho o que comentar sobre o herói nacional O Doutrinador, não li nada. Não critico o que não consumo.

Vamos aos filmes.
Quase ignorei Você Nunca Esteve Realmente Aqui (You Were Never Really Here) com Joaquim Phoenix e Ekaterina Samsonov.
Por sorte dei chance e me surpreendi com o ótimo trabalho da diretora Lynne Ramsay, que mostra cada vez mais que será um grande nome nas telonas.
Sem entrar em muitos detalhes, basta imaginar o doido do Joaquim Phoenix (que será o novo Coringa, vale ressaltar) num papel de um veterano perturbado que ajuda a polícia a encontrar mulheres presas em cativeiros como escravas sexuais.


E outra pérola que quase passou desapercebida foi A Morte de Stalin (The Death of Stalin).
Em que com um bem pontuado humor negro mostra a morte do Stalin e o momento de disputa de seus prováveis sucessores.
E não se deixe enganar pelo trailer, não é uma comédia europeia para quarentões. Há uma porrada de momentos de tensão com guinadas para momentos de refúgio cômico.

Skavurska!
Skavurska!

Menções honrosas:
Pantera Negra (Black Panther), Três Anúncios para um Crime (Three Billboards Outside Ebbing Missouri), O Artista do Desastre (The Disaster Artist), Unsane e Aniquilação (Annihilation) que tal a minha eterna crush e conterrânea Natalie Portman.

Fecho com uma das melhores fotos, premiada no National Geographic Photo Contest, em que Alison Langevad capturou dois rinocerontes-brancos que saíram para beber água no meio da noite na Reserva Zimanga Game na África do Sul.

A apreciação é o que resta, já que nesse ano morreu o último rinoceronte branco do norte. Enquanto existem os do sul, o reflexo me fez lembrar daquilo que sempre venho ditando nas retrospectivas mesmo mencionando apenas coisas boas: esperança.
E que venha 2019!

Ma’a salama!




Meu próximo livro será publicado :)

É com imenso prazer e grande alegria no coração que lhes informo que meu próximo livro será publicado.
A 2ª fase de seleção da editora Nocaute terminou depois de um longo mês, a ansiedade transformou fevereiro em dois agostos.
Não ganhei na votação online, mas agradeço a todos que acreditaram e votaram em mim.
Fui escolhido pelos editores na proposta definida por eles assim que divulgaram a 2ª Fase de seleção.
Os detalhes da escolha pode ser conferido clicando aqui.
Concorri contra outros quatro na etapa da votação online, e contra os outros três que não venceram nessa primeira.
A qualidade de cada obra não deve deixar dúvidas, afinal, nós cinco fomos selecionados em mais de cem originais enviados para a Nocaute no ano passado. Então, tenho certeza de que meus oponentes eram nada modestos Toguros (o musculoso da imagem abaixo; vilão do anime Yuyu Hakusho)

A Luta não foi fácil

A Luta não foi fácil

Mas, cá estou anunciando que terei mais um livro a ganhar prateleiras e catálogos de livrarias Brasil afora.
A Melhor Parte da Mentira será publicado pela editora Nocaute, muito provavelmente, nesse ano.
Não temos a data ainda, haverá todo um processo de edição e inúmeras revisões, mas entrará no cronograma de publicações desse ano.

Agora, estou a sentir esse êxtase e felicidade, é uma sensação indescritível.
Mais uma vez agradeço a todos que votaram em mim, espero que gostem do livro.
Essa vitória é dedicada a cada um que acreditou nessa “mentira”.

 

Vitória!

Vitória!

Shukran (obrigado)!
Ma’a salama!

Meu Próximo Livro

Então.
Sabe você que vivia me perguntando se eu estava escrevendo o meu próximo livro e sempre respondia que não, que a vida está corrida e nenhum tempo de sobra possibilitava essa arte estranha que é escrever?
Eu menti pra você.
Pois é, descaradamente mentia. Sem pudor.
Mas como o meu próximo livro tem como tema principal a mentira, então sou absolvido de certa culpa. Assim o penso, como um ator que comete atrocidades em nome da vivência do personagem.

Fui selecionado em mais de 100 originais, sou um dos 5 finalistas da nova fase de publicação da editora Nocaute.
Mas a luta não terminou ainda.
A editora abriu uma votação popular, em que você, poderá me ajudar votando no título do meu próximo romance.
Para tal, basta acessar essa página e me escolher: 2ª fase de seleção editora Nocaute
É simples e rápido, requer somente nome, cpf e e-mail.
Ah, e é lógico, me escolher, o título do meu original é A Melhor Parte da Mentira.
Tem a sinopse lá.

 

Próximo livro

Próximo livro

Grato desde já.

Ma’a salama!