Serei Amado Quando Morrer (They’ll Love Me When I’m Dead)

Comecei a assistir o filme O Outro Lado do Vento (The Other Side of the Wind) lançado na Netflix como um tributo ou espécie de resgate das gravações do filme inacabado de Orson Welles.
Quase meia hora de filme e ainda estava perdido, não conseguia entender a premissa e trama do enredo. Desisti porque a internet é limitada e cara demais para gastar com algo que não tem sentido.
Até que me explicaram que para entender melhor O Outro Lado do Vento o apropriado seria assistir ao documentário Serei Amado Quando Morrer (They’ll Love Me When I’m Dead), onde é detalhado os últimos quinze anos do diretor que teve a carreira prejudicada por ter tido um magnífico início: Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941).
A fase-título do documentário teria sido dito por ele, quando passou a ser rejeitado por Hollywood, e em muitos filmes o outrora gênio (ele dirigiu e produziu Cidadão Kane com 26 anos) teve que improvisar os términos de filmes em países europeus.
O Outro Lado do Vento seria uma espécie de tentativa de reconquistar Hollywood,tão áspera nos anos seguintes com o cineasta, tanto que outra fala teria sido dita por ele: “Los Angeles é o único lugar em que todas as ruas levam ao aeroporto.Hollywood quer sempre que você vá embora”.
E conforme é dissecado todos os pormenores da produção do que seria conhecido como um dos maiores filmes jamais finalizados, são exibidos problemas de todo tipo, desde divergências com atuação, até o fator financeiro em que apelou por financiamento vindo do bolso do Xá do Irã,  verba minguada quando houve a revolução islâmica por lá em 1979.
E diante de todos esses impasse vemos que a frase-título não é um choro clamando por mais quinze minutos de fama. Um dos entrevistados comenta que a atribuição é injusta, pois o próprio Orson Welles teria desmentido.
O documentário elucida bem a história por trás de O Outro Lado do Vento e até mesmo sobre os últimos anos de vida do cineasta, mas além de todo aspecto biográfico a frase-título deixa à flor da pele o que todo e qualquer artista, seja no início, seja na retomada de certo sucesso espontâneo, acaba por carregar sobre os ombros.
O reconhecimento em vida é a imortalização alcançada e almejada por todos.
Hoje, qualquer um pode ser lançar artisticamente mundo afora, seja como músico, pintor, ator e até mesmo como contador de histórias, que é o meu caso.
Porém, os problemas ainda são os mesmos de décadas atrás, a concorrência é gigante e os recursos vão se estreitando conforme alguma conquista é alcançada.
Outro dia vi o trailer do filme At Eternity’s Gate, cuja história é sobre o pintor Van Gogh, sendo estrelado por Willem Dafoe no papel de um dos artistas mais subestimados de sua época.
Ao que parece em vida o pintor vendeu apenas um quadro, e sua criação acumula mais de dois mil trabalhos.
Vi muitos artistas que só levam porradas e acabam por abraçar uma espécie de síndrome de Van Gogh: “Ao morrer, vão descobrir minha arte”.
Queria poder jogar palavras sábias e motivadoras de minha autoria aqui, mas não consegui elaborar nada.
Então, para não ficar como um post pessimista lembrei de um discurso de um dos autores mais influentes nos dias de hoje: Neil Gaiman.
O resumo e ponto alto do discurso é quando ele diz que a vida é dura às vezes, que as coisas dão errado, seja no amor, nos negócios, nas amizades e na saúde.
E que “quando as coisas ficam difíceis, é isso o que vocês devem fazer: Façam boa arte
“… e enquanto estiverem nisso, façam a sua arte. Façam as coisas que só vocês podem fazer.”
E ainda pouco antes do fim, continua com um dos pontos mais importantes sobre um conselho recebido por Stephen King no auge do sucesso com Sandman e do romance Belas Maldições (Good Omens):
“Isso é realmente ótimo. Você deveria apreciar isso”, teria dito o rei.
“Essa foi a lição mais difícil pra mim, eu acho: relaxar e curtir a caminhada, porque a jornada o leva a alguns lugares memoráveis e inesperados”
Ao ponto que eu aproveitei cada dica apresentada no discurso de Gaiman, essa parte sobre curtir a jornada é uma das mais importantes para os artistas.
Buscar reconhecimento é o natural de todo artista, mas se você não se satisfaz com sua criação, se a tarde perdida criando uma música na solidão de seu estúdio improvisado, do conto que provavelmente ninguém vai ler, do quadro com traços que parecem desafiar o olhar do espectador, se o momento de criação não seja um dos fatores que define sua felicidade, bom, então você precisa revisar seus conceitos.
Essa foto ilustrando o post é uma resposta para quem disse que quase não há fotos minha aqui no site.
E como selfie hoje é um dos maiores símbolos de amor próprio, peguei a que menos gostei, e a que melhor veio a calhar com a frase-título.

Serei Amado Quando Morrer
Serei Amado Quando Morrer

Mas não se enganem. Embora eu não seja um escritor conhecido pelos quatros cantos das terras tupiniquins, sigo na luta curtindo cada letra jorrada nas páginas em branco.
E espero que todo(a) artista assim se mantenha na luta.

Ma’a salama!

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25 de julho – Dia do Escritor

Quando descobrem que você é escritor:
“Você é escritor?”
“Sou”
“Nossa que legal! Tem livros publicados e tudo mais?”
“Sim”
E quando a empolgação aquece o peito no aguardo de perguntas sobre o gênero,  trama, estilo, inspirações e afins, vem o desânimo:
“E quantos livros você vendeu?”

Depois não entendem porque escritores perdem a sanidade.

Jack, personagem de O Iluminado, cansado dessa pergunta

Jack, personagem de O Iluminado, cansado dessa pergunta

 

Meu próximo livro será publicado :)

É com imenso prazer e grande alegria no coração que lhes informo que meu próximo livro será publicado.
A 2ª fase de seleção da editora Nocaute terminou depois de um longo mês, a ansiedade transformou fevereiro em dois agostos.
Não ganhei na votação online, mas agradeço a todos que acreditaram e votaram em mim.
Fui escolhido pelos editores na proposta definida por eles assim que divulgaram a 2ª Fase de seleção.
Os detalhes da escolha pode ser conferido clicando aqui.
Concorri contra outros quatro na etapa da votação online, e contra os outros três que não venceram nessa primeira.
A qualidade de cada obra não deve deixar dúvidas, afinal, nós cinco fomos selecionados em mais de cem originais enviados para a Nocaute no ano passado. Então, tenho certeza de que meus oponentes eram nada modestos Toguros (o musculoso da imagem abaixo; vilão do anime Yuyu Hakusho)

A Luta não foi fácil

A Luta não foi fácil

Mas, cá estou anunciando que terei mais um livro a ganhar prateleiras e catálogos de livrarias Brasil afora.
A Melhor Parte da Mentira será publicado pela editora Nocaute, muito provavelmente, nesse ano.
Não temos a data ainda, haverá todo um processo de edição e inúmeras revisões, mas entrará no cronograma de publicações desse ano.

Agora, estou a sentir esse êxtase e felicidade, é uma sensação indescritível.
Mais uma vez agradeço a todos que votaram em mim, espero que gostem do livro.
Essa vitória é dedicada a cada um que acreditou nessa “mentira”.

 

Vitória!

Vitória!

Shukran (obrigado)!
Ma’a salama!

Meu Próximo Livro

Então.
Sabe você que vivia me perguntando se eu estava escrevendo o meu próximo livro e sempre respondia que não, que a vida está corrida e nenhum tempo de sobra possibilitava essa arte estranha que é escrever?
Eu menti pra você.
Pois é, descaradamente mentia. Sem pudor.
Mas como o meu próximo livro tem como tema principal a mentira, então sou absolvido de certa culpa. Assim o penso, como um ator que comete atrocidades em nome da vivência do personagem.

Fui selecionado em mais de 100 originais, sou um dos 5 finalistas da nova fase de publicação da editora Nocaute.
Mas a luta não terminou ainda.
A editora abriu uma votação popular, em que você, poderá me ajudar votando no título do meu próximo romance.
Para tal, basta acessar essa página e me escolher: 2ª fase de seleção editora Nocaute
É simples e rápido, requer somente nome, cpf e e-mail.
Ah, e é lógico, me escolher, o título do meu original é A Melhor Parte da Mentira.
Tem a sinopse lá.

 

Próximo livro

Próximo livro

Grato desde já.

Ma’a salama!

O Melhor de 2015

Findo 2015, graças que esse século não reprisará em precisão o anterior, já não fomos acometidos pela guerra mundial e nem genocídios como os da Armênia…, epa pera!
Melhor deixar pra lá!
O início desse ano se deu com um atentado a um jornal que não era conhecido popularmente pelas massas, mas a guerra ideológica que o ISIS perpetrou fixou a luta, as justificativas e defesas da liberdade de expressão, sendo que no final 95% dos que defendiam a mesma não podiam ser considerados advogados porque no aperto tendiam a um discernimento de impor limites (quando tais não ficam claros ou de complexa contextualização na questão da dita) e no final víamos que liberdade de expressão nos falatórios parecia mais um alimento ou condimento disposto ao consumo do que convém.
Mais para o final também foi um inconveniente aos moderados, só dar uma olhada no conflito da minha terrinha (a saber Palestina). Quando as feridas da operação Margem Protetora ainda ardem, e as baboseiras que o PM israelense disse nos últimos meses, muitos que observam o conflito e se esforçam a entender tendem a pressionar por uma “escolha de lado”. Se você lança um olhar crítico e pensa de modo imparcial logo vem as acusações:
Caetano Veloso se tornou antissemita, by federação israelita
J. K. Rowling se tornou sionista, by Movimento BDS (Boicote-Sanções-Desenvolvimento)
Pô Mohanad, o título desse post é “O Melhor de 2015”, e tá ficando sombria essa retrospectiva.
Ok. Parei por aqui. Vamos ao lado bom da vida:

Fui surpreendido por filmes como Dope, Eu, Você e a Garota com Câncer (Me, Earl and the Dying Girl) e Ex Machina. Cada um a seu modo.
A volta de Star Wars foi fuedas, mas Mad Max teve um impacto maior em meu coração, não somente pelo ressurgimento da franquia, que dificilmente terá uma continuação como a outra está sendo trabalhada pela Disney. O filme trata todas as questões importantes da sobrevivência humana num cenário árido, com muita ação, humor e rock. E Charlize Theron arrebentou como Furiosa.

Never stop rocking baby!

Never stop rocking baby!

Citizenfour levou a estatueta de melhor documentário, mas O Sal da Terra, que também concorreu ao Oscar de melhor doc foi o meu predileto.
O filme é um daqueles que te faz sentir afortunado diante de tantas desgraças e crises que diversos povos tiveram que encarar, tudo comentado pelo fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado que registrou tais fatos e sentiu como ele mesmo diz, sua alma adoecer ao ser testemunha presente. Mas o epílogo remove a carga negativa com a renovação florestal de uma área que pertenceu à família Salgado, embasando seu último trabalho: Gênesis, em que utilizou sua habilidade para mostrar as belezas naturais desse nosso mundo.

Foto de Gênesis de Sebastião Salgado

Foto de Gênesis de Sebastião Salgado

De gibis gostei do primeiro volume de Pax Americana de Grant Morrison, que é uma visão contemporânea e homenagem de Watchmen sendo prestativa a fidelidade aos personagens originais da editora Charlton. Aguardo ansioso a continuação.
Das nacionais tiveram a aguardada estreia de Apagão – Cidade Sem lei/luz, mas Pátria Armada foi um trabalho primoroso, com uma história alternativa sobre uma guerra civil no Brasil, ah, e tem mutantes também, sem dever nada para os de fora.

Pátria Armada

Pátria Armada

Das séries achei a 5ª temporada de Game of Thrones melhor que a 4ª.
True Detective teve sua 2ª superestimada devido ao baque da 1ª, mas foi melhor do que muitas que rolaram.
As top foram as estreias de Better Call Saul e Mr Robot. Se na primeira me diverti pacas com a história solo do advogado mais cativante da ficção numa história que se desenrola muito bem sem a ação e o suspense que permeava Breaking Bad, na segunda senti aquele espírito anarquista arder tanto quanto ao assistir de Clube da Luta, ao ver um enredo de revolução da sociedade pelas mãos de um hacker com uns probleminhas sociais e dilemas pessoais que são escancarados logo no piloto: imagine odiar a maior corporação tecnológica do mundo conhecida como E Corp (apelidada carinhosamente de Evil Corp) e ao mesmo tempo trabalhar numa empresa de segurança cibernética cujo maior cliente de sua carteira é a tal odiada.

Sempre lendo algo, o gerúndio que nunca devo abandonar, entre uma coisa técnica ali e uma ficção de interesse pessoal aqui, esse ano tomei a vergonha na cara, sabe aquela em que sentimos um estalo e resolvemos matar uma pendência que não para de latejar?, pois é, comprei um exemplar de Ficções, uma coletânea de Borges, e fiquei com aquela sensação “o porquê de eu nunca ter lido isso não será por falta de aviso, droga!”, e agora entendo o cargo que Jorge Luis Borges ocupa na literatura clássica mundial. O conto Biblioteca de Babel é uma obra-prima, não fica para trás O Milagre Secreto, quem dera um dia escrever algo do mesmo naipe.

Da literatura nacional fica em primeiro lugar outra coletânea, a premiada Amálgama de Rubem Fonseca. Contos simples, mas densos de “vastas emoções e pensamentos imperfeitos”.

Amálgama

Amálgama

Enfim conheci as praias do Rio, nas minhas férias, consegui ficar uns dias na cidade maravilhosa e ainda bati cartão num dia do Rock in Rio, para delirar num calor de 44º ao som de bandas como Hollywood Vampires (Alice Cooper não tem rosto, tem rugas e maquiagem), Queens of the Stone Age, Deftones (tocaram pouco no palco menor, não entendi o porquê até agora…) e a que ajudou na minha formação crítica na aborrescência: System of a Down, onde pulei igual a macaco (por mais que o meu inglês tenha melhorado sempre vou cantar Coco Mucho! no início de Sugar) e a surpresa foi ver o Chino Moreno, o vocalista do Deftones subir ao palco para cantar uma parte de Toxicity (na verdade ele cantou a mesma parte: “… eating seeds as a passtime activity…”, mas valeu a sensação de camaradagem entre as bandas)

Falando em música, a banda Macaco Bong se reformulou recentemente, mas não enfiou um cantô, ainda bem, pois adoro o foco instrumental que eles fazem com maestria, lançaram em 2015 o Macumba Afrocimética, que tem faixas que apesar de breves, ainda levam a qualidade que me fisgou em 2011, quando abriram um show do SOAD.
Mas os melhores decibéis do ano foram do The Prodigy com o álbum The Day is My Enemy , que demoram para lançar algo, mas quando o fazem é pra chutar o balde:

Sobre a crise?
Bem que poderia discursar e gastar meus conhecimentos medianos sobre economia, política, filosofia e blá-blá-blá, e ainda destacar certa propaganda sobre minha luta e de como sei dançar a música. Mas aí ia prolongar esse post demais e ficar piegas e cafona.
Então, de repente vi uma foto que ficou entre as melhores do ano pelo concurso Photo Contest realizado pelo National Geographic, e ela resume a essência da minha perspectiva sobre a crise:

Orangotango de Bali ou A crise e eu

Orangotango de Bali ou A crise e eu

Ma’a salama 2015!